A batalha da PM contra a festa nas arquibancadas do Arruda (Parte 1)
out03

A batalha da PM contra a festa nas arquibancadas do Arruda (Parte 1)

Amigos corais, meu lugar sagrado na arquibancada, junto ao escudo do Mais Querido estava me incomodando há algum tempo. Não sei o que era, mas uma espécie de impaciência com a morgação. Em muitos jogos, eu sentia falta da vibração da torcida, de músicas para empurrar o time. Via aquela multidão da Inferno Coral calada, ficava invocado, começava a puxar um coro que ninguém seguia. Como diz o Tom Zé, “Que porra!” Antes de começar aquele jogaço contra o Bragantino, tomei uma decisão fundamental – fui para o lado esquerdo do estádio, onde estavam os bravos torcedores do “Portão 10 – Avante Santa Cruz”. Vou ver se o negócio ali é mais animado, foi o que pensei. Era o único local da arquiba que tinha algumas bandeiras, música (um sujeito virado num trompete), bandeirolas e o principal – um bando de malucos que cantava e pulava o jogo inteiro. Isso mesmo, camaradas. Durante 90 minutos os caras não aliviam. Fiquei logo amigo do Lucas Souza, um camarada bem novo, sorriso largo, que ficava se mexendo pra todo lado, cantando, vibrando. Mas o que me espantava era a espontaneidade. Ali, o maestro era a paixão coral. Em vários momentos, a turma da “Portão 10” começava a puxar uma música e daqui a pouco a arquibancada inteira, sociais, estavam seguindo o mesmo canto. De arrepiar. Foi graças a esse encontro, e aos papos com Pablo, que pude entender a luta desta pequena e raçuda torcida, para levar alegria e festa ao Arruda. Breve história Resumindo tudo, a Portão 10 é uma torcida organizada do estilo barra brava (como se vê nos principais estádios da América do Sul, onde a galera canta antes, durante e depois do jogo, seja qual for o resultado). Nasceu em 2007 com o nome de “Avante Santa”. Passou por inúmeras dificuldades, parou de funcionar em 2012 por “vários problemas”, inclusive com a “principal organizada do clube”, que não vem ao caso destrinchar aqui, mas acabou firmando seu espaço, crescendo e ganhando a simpatia da massa coral. A história é bem bacana, inclusive pela consciência que os caras têm de que o Santa é um clube popular, e não pode se afastar nunca de suas origens. Os caras têm pulmões de madeira. Também levam bandeirolas (coisa antiga nos estádios), além de bandeiras com frases voltadas para a cultura do clube. Recentemente, começaram a fazer paródias, como era costume da gloriosa e agora exilada Sanfona Coral. “Seguimos na luta pelo diferente para trazer novamente nossa antiga torcida”, diz Pablo. Perdão pelo trocadilho, Pablo, mas é uma torcida sem sofrência. Tudo muito bom e bonito, é o que o leitor...

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Uma Polícia contra uma torcida – o caso da PM de Pernambuco
abr19

Uma Polícia contra uma torcida – o caso da PM de Pernambuco

Amigos corais, cada vez que saio de casa me pergunto – como será que estará o humor da Polícia Militar de Pernambuco de hoje? Como será a organização dos camaradas da Tropa de Choque no entorno do estádio? Teremos cavalos em cima de homens, mulheres e crianças? Teremos spray de Pimenta? Bem, agora temos uma novidade (se é que não perceberam ainda) – PMs armados com rifles que disparam balas de borracha. Tem gente que fica cego com isso. No jogo contra o Sport, na Ilha do Retiro, atiraram em pessoas a dois metros de distância. Além de torcedor do Santa Cruz Futebol Clube, sou, essencialmente, um jornalista. Vou a qualquer lugar da minha vida com um bloco de anotações no bolso esquerdo e duas canetas no bolso direito (para o caso de uma falhar). São minhas armas. Eu anoto tudo. Do camburão que levou um garoto de uma organizada ao número do ônibus que queimou a parada porque tinha “apenas” um velhinho. Ontem, resolvi fazer o seguinte – vou ver como a PM vai receber a torcida do Santa. 18h: Chego à “Beira Canal”, o famoso portão 9, onde entra a maior parte dos  torcedores que pagaram, no último jogo, R$ 40,00 (arquibancadas). Há uma fila enorme, inacreditável, num jogo contra um time do interior, praticamente sem torcida adversária. Resolvo pegar uma cerveja e sentar junto à entrada, para ver o trabalho da PM. Ver e anotar o que acontece rigorosamente em todo jogo: desorganização, falta de planejamento, de estratégia, truculência. Antes,  ao passar pela entrada do anel superior, o caos habitual. Milhares de pessoas se aglomeram, esperando a chance de entrar no estádio. Uma confusão enorme. Ligo o radinho e tem um torcedor indignado com o trabalho da PM de Pernambuco. Decido que vou esperar e ser o último da fila, para ver quanto tempo de jogo perderei, mais uma vez. 18h15: Beira canal: Em meio à enorme fila, carrões chegam, para entrar no estacionamento do Arruda. Atravessam a caótica fila. É óbvio que em qualquer estudo de acesso, impediria carros entrando naquela rua. PM estudar estratégias de acesso a um estádio, em Pernambuco, é pedir inteligência em quem trabalha com multidão. 18h25: PMs circulam com armas que parecem rifles. Já sei – são as tais armas que disparam tiros de borracha. Mas que cegam. A fila segue enorme caótica. 8h30: A rua Beira Canal tem uns 500 metros, até o portão 9. Só a 20 metros tem uma estrutura de ferro, para organizar a fila. O restante da fila é um caos. Vários amigos de classe média estão ali. Quantos teriam a coragem de levar suas mulheres...

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Recolhendo os escombros

Amigos Inácio França e Gerrá Lima; Não sei por onde vocês andam, nesta segunda-feira, feriado de Tiradentes. Creio que em alguma praia com a mulher e os filhos ou tomando umas com os amigos. Pela quantidade de comentários a serem liberados no Blog do Santinha e pela última crônica, postada dia 15 de abril, vocês realmente perderam a paciência. Pois bem, amigos, tenho uma nova. O treinador Vica agora é ex. No sábado passado, após o empate melancólico com o ABC (o gol deles foi de Dênis Marques, vejam que ironia), finalmente ele passou na sala da diretoria e disse o óbvio – “não dá mais”. O que mais lamento, meus amigos, é que o homem chegou com o time muito mal na Série C, deu um tranco, um freio de arrumação, o famoso “só joga quem treina bem”, e embalamos. E fomos campeões da Série C. Depois disso, amigos, mergulhamos num desastre. Porque um time de futebol pode perder tudo, menos a alma. O Santa, nos últimos jogos, não era nem a sombra daquele time de guerreiros que tantas alegrias nos deu, durante três anos. Perdeu a alma. Depois de muito tempo, vivemos um pesadelo trágico – um Santa Cruz com medo de ir ao ataque, de ganhar jogo, sem arrojo. Sem a alma, não há como ter coragem. Sem coragem, o sujeito é humilhado até na liga de dominó. Nosso time ficou burocrático como uma repartição pública, funcionando a base de máquina de datilografia e carimbo. Faltou pouco para os jogadores escreverem um ditado antes de cada jogo, com a frase “proibido se arriscar” ou “nada de assustar o adversário”. Nossa maior desilusão era olhar para Catatau, sonhando com mudanças no time que todos sabiam quais eram, e nada. Nunca Roberto Carlos foi tão citado. “Perdemos nos detalhes”. “Eles venceram num detalhe”. “Clássico se perde no detalhe”. Pois é, caros França e Gerrá. Estamos ainda recolhendo os escombros. Eliminação da Copa do Nordeste e do Estadual. Tudo bastante dolorido, sofrido. Onde estão Natan, Renatinho, Everton Sena? Onde estão os jogadores? O outro, que bateu o pênalti errado, ficou deprimido. Mas ele vai buscar o salário integral ou não? Não fui ao jogo do sábado. Ausência absoluta de vontade. Não li resenhas, não escutei rádios, nada vi na TV. Demoras, no futebol, são fatais. Nisso, nosso principal rival é muito eficiente. Se tivessem perdido três partidas seguidas para nosso time, o técnico teria sido demitido depois do jogo. Era o que deveria ter sido feito. Mas vocês sabem como as coisas funcionam no Arruda… Aguardo o retorno de vocês para ver se animamos o espírito da massa coral....

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