Festa no morro? Ainda não.

Reinaldo da Galeria convidou Robson Sena. Robson convidou Gerrá, que me convidou. Então convidei Samarone, que farrapou. Foi só o jogo acabar e lá fomos nós para o galpão da Galeria do Ritmo, a escola de samba de um dos melhores lugares do Recife, o Morro da Conceição, pau-a-pau com a Bomba do Hemetério, Poço da Panela e Brasília Teimosa. Tricolor não precisa de motivos para subir o Morro, mas nós tínhamos um. E bem forte: acompanhar a escolha do samba-enredo da escola que, no próximo carnaval, vai homenagear o centenário coral. Programa melhor não há para uma noite logo após uma vitória importante. Foi só descer do ônibus e pescar o diálogo entre dois tricolores devidamente caracterizados e um sujeito todo sorridente, metido a piadista: – Tão alegrezinhos hoje porque ganharam uma, mas tomem cuidado, viu, sábado que vem é dia de Finados. – O jogo vai ser domingo, otário. Bonito pra tua cara. Deu vontade de dizer, mas fiquei na minha e fui passando. Não sou do morro, tava ali emprestado. Na frente da Galeria, Robson era o amostramento em pessoa na iminência de representar a Minha Cobra no corpo de jurados. Logo ele, que entende tanto de carnaval, mas tão pouco de samba. Por mim, fiquei mais interessado em ser escalado para ser jurado do evento do sábado que vem, a noite da Mini-Saia. A dona da menor mini-saia vai levar 150 contos para casa. Aceitaria o convite para fazer um julgamento técnico e isento. Gerrá também topou, demonstrando disponibilidade para as causas populares e um desprendimento ímpar. É bem verdade que as nossas respectivas senhoras chiaram um pouco e partiram para ameaças, as mais vulgares possíveis, aliás. Mesmo assim, continuamos a espera do convite. Ainda dá para reorganizar a agenda para sábado. O galpão é quente todo. Cobertura de zinco triplicando as consequências do efeito estufa e do, calor humano. Desde que botamos o pé na escola sabíamos que estávamos entre iguais: um sujeito à paisana bateu com a mão espalmada no escudo do meu uniforme cobra coral, distribuindo sementes de poesia: “Não estou assim, mas eu sou assim”. Depois foi até Gerrá e repetiu o que havia me dito. A galeria é lugar de gente como este tricolor afetuoso que nos fez sentir em casa. E de gente como Naná Santana, mestre de bateria aposentado e que agora sobrevive dando oficinas de percussão para crianças. Com seu pisante de pele de cobra e o passo macio de quem entende do riscado, o sujeito é um bamba. Também estava lá seu Nininho do Pandeiro, compositor do samba vencedor que diz “Eterno supercampeão guerreiro / sinônimo de...

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