Muito achismo em poucas palavras
jun18

Muito achismo em poucas palavras

Aqui vai um pouco do que achamos e esperamos de cada um delas a partir do que deu para ver na primeira rodada. Brasil – Um time jovem,  talentoso e travado pela emoção. Se se soltarem, é candidatíssimo ao título. De 2018, pelo menos. Croácia – O típico time que perde nas oitavas-de-final, se conseguir chegar lá. E depois que for embora, vai ser difícil alguém se lembrar. México – Corajosos, insistentes e conseguiram a proeza de manter a calma depois serem roubados duas vezes pelo trio de arbitragem mais ladrão da Copa. Bom para cair nas oitavas-de-final e deixar todo mundo com peninha. Camarões – Vieram para passear, beber e comer moqueca capixaba. Aposto que o elenco só vai deixar a preguiça de lado na hora de pegar as galegas torcedoras das seleções que vão permanecer na Copa. Espanha – Tic-tac de cu é rola. Depois dessa Copa, a Espanha vai voltar a ser o Bragantino global: uma vezinha campeã e pronto, de volta ao pelotão intermediário. Holanda – O ataque arrasou, não há dúvidas, mas a defesa parece a do Náutico. Quando pegar um time médio pode se complicar atrás. Chile – Outro que só tem tampa de crush do meio para frente. Como nunca comeram mel, quase se lambuzam. Austrália – Botar a bola no chão e partir para cima depois de levar um olé no primeiro tempo é coisa para fortes. Fortes e desengonçados. Quero ver um jogo de rúgbi dos australianos, pois de futebol já vi uma meia dúzia e sei que dali não sai nada. Colômbia – Taí, gostei. Um time arrumadinho que jogou sério. Vão fazer graça e passar 20 anos dizendo “se Falcão Garcia tivesse vivo, seríamos campeões”. Grécia – Se jogasse o Brasileirão da Série A, seria rebaixada para a Segundona. Do jeito que está a crise, deveriam ter naturalizado o time da Chapecoense inteiro. Sairia mais barato do que mandar o pessoal vir de lá. Costa do Marfim – É a primeira vez na vida que um jogador entra só para dar apoio moral ao resto do time. Bom time para chegar nas oitavas e parar por aí. Japão – Eles são uma gracinha, limpam o estádio, são simpáticos, fazem ótimos temakis, começam arrasando e terminam arrasados. Sinceramente, deu pena de novo, que nem ano passado contra a Itália. Uruguai – Obdulio Varela baixou em campo, não encontrou um só jogador de azul-celeste compatível com sua alma, aí encostou nos costarriquenhos para não perder a viagem. Costa Rica – Um time cheio de alma. Aquele Campbell encaixava à perfeição no ataque do Santinha ao lado de Leo Gamalho. E...

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Anotações inúteis sobre a Copa do Mundo*
jun13

Anotações inúteis sobre a Copa do Mundo*

Desde que me entendo por gente, adoro o futebol. É uma herança paterna das mais nobres. Onde morávamos, em qualquer cidade, era uma programação normal, ir ao estádio, ver os jogos, escutar os comentários dos mais velhos, torcer. Geralmente íamos meu pai, eu e meu irmão do meio, o Tonho, já que o Paulinho nunca foi propriamente um amante do futebol. Foi assim ao longo da minha vida, até que completei 18 anos e vim morar no Recife, onde iniciei a “carreira solo” no futebol. Aqui, me apeguei ao Santa Cruz, que virou meu time do coração, e sigo indo regularmente aos estádios onde o Santa joga, especialmente o Arruda. Desde que me entendo por gente, muitos intelectuais, jornalistas, muitos especialistas ou simples comentadores de Internet, classificados de “colunistas”, colocam o futebol como “alienação” ou “ópio do povo brasileiro”. Fazem cara feia para algo importantíssimo em nossa cultura. Agora, na Copa, prometem torcer contra a Seleção Canarinha. Não sei que caráter eu teria, que homem eu seria, se não tivesse ido tantas vezes ao estádio, se não tivesse sido um menino acompanhando seu pai e irmão, em campos do Maranhão, Ceará, Pernambuco, fora os estádios pelo Brasil afora, além de outros tantos países que conheci. Frustrações, glórias, derrotas, tristezas, euforias, uma quantidade enorme de amigos que fiz, que seguem sendo meus irmãos. Não sei também como eu seria, aos 45 anos, se não jogasse peladas semanais, com meus amigos, onde corremos, suamos, praguejamos, discutimos, lamentamos derrotas e firmamos nossas amizades. Sempre joguei, sempre admirei e sempre lamentei tratarem o futebol nacional como coisa de cretinos. Cretinos são os que administram nosso futebol, não os milhões que o amam. Parece que é preciso dar uma conotação de “falha de caráter” a essa nossa obsessão nacional pelo futebol. O mais engraçado é saber que essa não é uma característica brasileira – o futebol é uma obsessão mundial, que a cada dia movimenta mais bilhões, interesses, mídia. Está aí, o Uruguai, celebrando há 64 anos um título em cima do Brasil, o “Maracanazo”. Já estive várias vezes lá e sei que aquela vitória, em 1950, ajudou a definir um certo caráter uruguaio, um pequeno país capaz de enfrentar um gigante. Temos cretinos administrando nosso futebol. O presidente da CBF, um sujeito que se chama José Maria Marin, admirador confesso da Ditadura de 1964, foi capaz de embolsar a medalha destinada aos atletas da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2012. Não preciso citar Ricardo Teixeira, muito menos João Havelange e o agora o senhor Joseph Blatter, o “dono” da Fifa, quase o equivalente àqueles meninos ruins de pelada, mas que são...

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