De volta para o futuro.
mar22

De volta para o futuro.

Torcida morgada, Blog do Santinha morgado, uma tristeza geral. O espectro da morgação baixou no espírito do tricolor coral do Arruda. De certa forma, o primeiro empate contra o Do Recife acendeu uma esperança na torcida. Conhecidos que são naturalmente pessimistas, amargurados e resmungões estavam acreditando na vitória. Eu, quase sempre otimista, não acreditava. E os 3 a zero revelaram a desordem de nosso Santinha. A ruindade da zaga – entregando de bandeja dois gols – revelou que algo estava muito errado. No Pernambucano, fizemos 10 jogos. Empatamos 7 vezes, perdemos apenas uma e ganhamos só duas. Ficamos em sexto com 10 pontos. O time foi de uma irregularidade ímpar. Difícil imaginar uma escalação contínua, uma identidade futebolística. Daí a tristeza e morgação que assolou o espírito de qualquer torcedor minimamente racional. Nossa retrospectiva, entretanto, não foi das piores. Isso indica que o nível do campeonato, em si, caiu bastante. A piada que rola por aí – comparando o Do Recife com o salário mínimo – é que com o mínimo você ganha, ganha e não compra nada; o Do Recife compra, compra e não ganha nada. Da minha parte, torcendo para que a final desse PE seja interiorana (Aí surge outra piada: agora só temos aves no páreo: patativa, carcará e frango). Mas temos que esquecer o passado e pensar no futuro. Para mim, o mais relevante é essa tal de sericê. E vamos ter que conviver com dirigentes que insistem em não traduzir para seus torcedores a realidade de nosso clube. Pronto, voltamos à velha questão da transparência. Defino transparência: em um Estado Democrático de Direito, a transparência está relacionada com a publicidade. Trata-se do administrador em manter os dados relevantes de seu comportamento– financeiros, contábeis, administrativos etc – perante seus investidores, sócios e sociedade em geral. A transparência se dá tanto na esfera privada (basta ver os balanços publicados em jornais com o intuito de informar os stockholders) quanto na esfera pública (um bom exemplo é o portal da transparência do Governo Federal). O acesso à informação das empresas privadas e públicas – respeitando sigilos estratégicos, informações de proteção à concorrência, relações internas de governança etc – indicam que a empresa atua de maneira lisa, clara e honesta. Ora, meus amigos, isso, desde Edinho ou antes, é algo que não ocorre em nosso Mais Querido. Estava nas sociais em um jogo da séribê quando discutia com Big sobre um balanço lançado pela então gestão de Alírio: “Um absurdo contábil, ele disse. Tudo mal feito. Como o sócio torcedor pode confiar numa gestão em que os dados mínimos são escamoteados?”. Esse é um dos pontos cruciais dessa...

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Ofuscaram o brilho do jogo
mar08

Ofuscaram o brilho do jogo

Faz tempo que encerrei a minha carreira de ir para casa dos adversários. Certa vez, fui para Caruaru. Era Santa Cruz e Central no Lacerdão, numa quarta-feira à noite. Pegamos um engarrafamento grande na saída do Recife e chegamos atrasados. Na correria para entrar e pela falta de sinalização que indicasse para onde devíamos ir, recorremos a um policial. Educadamente, mas sem preparo nenhum para dar a informação correta, o militar indicou um portão que dava justamente no meio da torcida do Central. Passamos um sufoco danado, quase brigamos, até que nos levaram para o lado onde estava a nossa torcida. Em outra situação, dessa vez nos Aflitos, inventamos de comprar ingressos de cadeiras. Na bilheteria avisamos que queríamos ingressos para o local destinado a torcida do Santa Cruz. Era aquele jogo no qual Sandro Blum fez um gol contra. Chovia bastante naquela noite. Quando entramos, era tudo junto e misturado. Vimos o jogo no meio dos torcedores do Capibaribe. Tentamos ir para arquibancada, mas não foi possível. Não havia ninguém para resolver o problema. Assim que o jogo acabou, descemos rápido, mas não deixaram a gente ir embora. A justificativa foi: a torcida que sai primeiro é a do time adversário. Mostrei minha carteira de sócio do Santa Cruz. Falei que estava ali por ter comprado ingresso de cadeira. Argumentei. Pedi. Expliquei. Os senhores que faziam a segurança e o policial que estava perto não enxergavam um palmo além da ordem que haviam recebido e não nos deixaram sair. Já levei carreira na Ilha. Já levei pedrada no Carneirão. Ontem, assisti ao jogo pela TV. Ainda no primeiro tempo, vi dois belíssimos gols. Mas logo em seguida, logo depois do nosso golaço, acabaram com a festa. Para fazer valer as proibições impostas ao futebol moderno, a polícia desceu o sarrafo em um torcedor que acendeu um sinalizador. Uma atitude pra lá de exagerada e desnecessária por parte do policial. Tão exagerada que causou pânico nos três mil e poucos Tricolores-corais-santacruzenses-das-bandas do Arruda que estavam espremidos numa pequena área destinada a massa Coral. Não houve briga, muito menos confusão. Houve tumulto. E, na agonia de sair de perto do local do rolo, as pessoas foram tropeçando e caindo umas por cima das outras, como se fossem um dominó. Correria, gente se arranhando, se quebrando, passando mal. Pedidos de ajuda e socorro. Desespero e pressa de querer entrar no campo para chamar aqueles que estão escalados com a função prestar atendimento médico. Afinal de contas, o pessoal da área de saúde fica no gramado. Do lado da polícia, um despreparo fora do comum por parte de alguns policiais. A incapacidade...

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Sobre Transparência e transparências
mar01

Sobre Transparência e transparências

TEXTO DE INÁCIO FRANÇA *Este texto foi escrito por Inácio França Alguém aí sabe dizer quem começou a cobrar transparência no Santa Cruz? Quem tem menos de 30 não vai saber, daí vou dar uma pista: o pai de Mendoncinha nem tinha sido presidente ainda. É preciso voltar ao final dos anos 90. Essa palavra começou a ser usada em um histórico e esquecido encontro no auditório do Sindicato dos Jornalistas puxado por Fernando Veloso, o atual vice Tonico Araújo e um monte de gente, incluindo este que vos fala. Para nossa surpresa, o auditório lotou. Lotou mesmo, sem exagero, ficou gente do lado de fora. Certamente, numa época pré-redes sociais, foi a primeira vez que um monte de gente se encontrou e se viu pela primeira vez tentando interferir na vida do clube. Acho que o presidente na época era Edelson Barbosa, largado à frente do clube como aquele menino do filme atravessando o oceano com um tigre no bote e uma tuia de tubarões querendo almoçar os dois. Conheci um bocado de tricolor nessa noite, Gerrá inclusive. Cadoca apareceu. Quiseram lançar ele pra presidente, mas o bicho correu na hora, tá correndo até hoje. Quem topou foi Jonas, o empresário-pastor (sei que hoje é mais comum pastor-empresário, mas na época ainda não era), nome lançado como desdobramento daquela mobilização confusa, sem direção, sem amarração. O importante era não deixar que os tubarões subissem no bote. O menino Edelson deu um pulo assim que chegou na praia, mas Jonas entrou antes que o tigrão saísse, aí ficou com ele fuçando suas oiças no meio do mar. Depois de Jonas, um grupo menor de oposição, com vários empresários convenceu Mendonção a ser presidente. O sujeito era brabo, pai de vice-governador, podia arrumar dinheiro, patrocinador forte, essas ilusões que renovam a esperança de tudo quanto é tricolor há gerações. O problema é que Mendonção era político, queria agradar gregos, troianos, romanos, celtas, vikings, persas, chineses, americanos e o escambau. Seu bote ficou cheio de tubarões. E os tubarões, como todos sabem não gostam de água transparente. Preferem atacar quando as coisas estão turvas. Meio mundo de gente se jogou na água, Mendonção também. Foi aí que o Blog do Santinha surgiu trompeteando transparência, democracia, que o clube era da torcida e não de alguns, denunciando que a diretoria de então se comportava como uma milícia armada. A gente falava e acontecia. A seção de comentários do blog foi, com certeza absoluta, a segunda comunidade de rede social de santa-cruzenses, quando isso nem existia. A primeira foi o Fórum da Coralnet. O tempo passou, muita coisa mudou. Mas o Santa Cruz...

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