2018 com os pés no chão.
dez21

2018 com os pés no chão.

Meus amigos tricolores corais, final de ano, em relação ao nosso futebol, é aquela morgação. O cara se resume a acompanhar as notícias dos preparativos para o ano que vem. Depois de um ano desastroso, o discurso da nova/velha presidência é de encarar 2018 com os pés no chão. Júnior Rocha chegou com esse discurso: não prometeu nada, apenas muito trabalho e a ciência de que nossa folha será enxuta. Ouvi no rádio o pedido de ajuda de um funcionário do Santinha a um amigo pelo whatsapp. Uma coisa triste. Salários atrasados de 2016 e 2017. Não sei se o lance é fake – temos que ter cuidado com tudo nesse mundo digital – mas sei que essa questão é muito real no Santa Cruz. Fred Gomes, o novo nome no executivo do clube, também falou em contratar com os pés no chão. Pelo que estão dizendo, nosso elenco não custará mais do que 200 mil reais. Realmente, não tem como ser de outra maneira. Mas tem uma coisa que faz medo: Tininho se arretar e desandar a contratar loucamente como fez esse ano. Aí, meus amigos, não tem transparência, responsabilidade e gestão eficiente que dê jeito. Escutei diversos tricolores corais dizendo que deixarão de ser sócios, que não irão mais ao estádio, que odeiam deus e o mundo. De minha parte, minha paixão é pelo Santa Cruz que é muito mais velho do que eu e que ficará por aqui muito tempo depois de todos nós termos partidos. Jamais abandonarei meu clube do coração. Sou Santa Cruz desde a infância e assim será até os fins dos tempos. Inegável que está todo mundo puto com a queda na séribê. Mas, querendo ou não, estaremos nos campos torcendo, xingando, conversando e brigando com os amigos e tudo regado por muita cerveja, espetinhos e cachorro quente É esperar por 2018 para que uns possam destilar sua paixão, outros o veneno e, outros, mais comedidos, suas análises. Seja como for, estarei lá com o clube que aprendi a amar desde sempre. Final de ano chegando, confra que não acaba mais, o velho fígado bem treinado trabalhando feito um louco e a velha e boa esperança de sempre voltando a surgir. Sem esperança, meus amigos, e como diria o filósofo e escritor Albert Camus, não dá. Um Feliz Natal e um Feliz e Próspero 2018 para toda essa massa coral eternamente apaixonado pelo clube Mais Querido. Evoé, Santa...

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Escravos de Jó.
dez06

Escravos de Jó.

Escravos de Jó jogavam caxangá. Escravos de Jó jogavam caxangá. Tira, bota, deixa o Zambelê ficar… Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá. A situação política e eleitoral do Santa Cruz é mais surreal e psicodélica do que a própria situação do Brasil. Aqui, no país da corrupção, do jeitinho, dos escândalos, da Lava Jato e da puta que pariu, ao menos o povo, quando fica puto, vota na oposição. Assim foi com a crise de FHC e a galera votando em Lula. Assim foi com a crise de Dilma e a galera quase colocando Aécio na presidência. Pode ser inconsciente, mas é revolta, seja em que sentido for. Depois de um descenso meteórico da série A para a C, com uma falta de transparência constante e alarmante, com processos trabalhistas infindáveis, com um estatuto canastrão, salários atrasados para os trabalhadores do clube ( e isso inclui, claro, os jogadores), bloqueios infindáveis e histórias dignas de um Dom Quixote, a torcida – seja lá o que isso hoje signifique – decidiu pela permanência da situação na Presidência do Santinha. Oh, meu clube querido, como te lapidam, como és usurpado sem fazermos nada, como deixas de ser o Mais Querido, como deixas de ser o terror do Nordeste. Como é possível explicar esse masoquismo que busca, incessantemente, ser pequeno? Essa eleição foi uma brincadeira de escravo de Jó. Mudamos apenas as peças no tabuleiro. Nem mudamos o tabuleiro e nem mudamos as peças. O sujeito tem que ter muita fé no mundo e nas pessoas para acreditar que as coisas vão mudar. Tem que ter muita fé para acreditar que algo miraculoso será feito pelas mesmas peças – só mudou o nome da função, se é que isso significa, também, alguma coisa. Parabéns aos vencedores. O espólio é desastroso? Será mesmo? Vão mudar esse estatuto anacrônico? Vão elaborar um processo de transparência? Profissionalizarão as áreas desastrosas como a parte financeira, de futebol e jurídica? Conseguirão alguma fonte de renda que não seja suplicar ao sofrido torcedor para dar seu sangue pelo clube? Conseguirão tornar liso e claro esse processo eleitoral no futuro? Haverá, de fato, mudanças consubstanciais? Esse CT sai? Montaremos um time enxuto? Muitas questões. Quem quiser, pode acreditar. Eu, não. Fui na praça, peguei umas pedrinhas e fui brincar com as crianças de escravo de Jó. Escravos de Jó jogavam caxangá. Escravos de Jó jogavam caxangá. Tira, bota, deixa o Zambelê ficar… Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá, Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue...

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O dia em que fizemos história
dez05

O dia em que fizemos história

Quando o resultado foi sacramentado, o zum-zum-zum tomou conta das redes sociais. Recebi a notícia pelo zap. Mesmo sem saber a veracidade da mensagem, confesso que fiquei feliz. Eu sempre tive um pé na oposição, talvez isto tenha sido a química principal da minha alegria. Em poucos minutos, vídeos, fotos, mensagens, memes chegavam de todos os lados. As redes de comunicação corais estavam lotadas. Fomos para Sede. Todos queria ver a novidade de perto e festejar. Um pequeno congestionamento se formou na Avenida Beberibe. Apareceram os vendedores de cerveja e água mineral. O cheiro do cachorro quente e a fumaça do espetinho foram tomando conta do ar. Quando dobrei a esquina, um rapaz me ofereceu uma camisa com a seguinte frase: “Agora a gente chega”. A camisa era branca, a frase impressa em preto e abaixo dela dois traços vermelhos. “Tenho boné, também”, ele disse. Fiquei impressionado com a rapidez que esse povo tem para fabricar as coisas. Entre cervejas, fofocas e encontros, surgiram centenas de especulações sobre o novo mandatário. Entre um gole e outro, lembrei que no estatuto do clube está escrito que o Conselho Deliberativo é quem elege o presidente e o vice. Coloque isto numa roda de conversa e me veio uma ideia. Comentei com alguns que estavam por perto. Uns acharam graça, outros me chamaram de doido. Poucos sacaram a parada. Bebi mais algumas e me mandei. Cheguei em casa quase uma hora da manhã. Ainda deu tempo de compartilhar minha ideia com alguns amigos. O fato é que tudo se tornou realidade. O clube das multidões viveu um momento que entrou para história. No Estatuto, o Artigo 44 diz que o Conselho Deliberativo vai ser reunir ordinariamente, até o quinto dia útil após a sua eleição, para eleger e dar posse ao Presidente e Vice-Presidente do Executivo, por maioria simples dos votos presentes. Então, naquele dia os Conselheiros eleitos fizeram algo que ninguém havia atinado antes. Eles se ligaram que podiam eleger qualquer um dos candidatos. O Senhor Beltrão pediu a palavra, invocou o tal Art. 44, disse umas coisas e argumentou: – Ora, se nós defendemos que este Conselho seja um órgão de discussão, debates, fiscalização e dialético, nada mais justo do que elegermos o candidato da outra chapa. Com isso, acabamos com essa história do Presidente do Executivo ter a maioria no Conselho. Aquelas palavras entraram na cabeça dos demais. Alguns as expeliram. Outros a sugaram rapidamente. Em poucos segundos, imagens psicodélicas de um novo clube surgiram naquelas mentes. De pronto, as redes sociais foram invadidas pela inusitada ideia e pelas imagens de Senhor Beltrão defendendo seu argumento. Outras falas vieram....

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Eleições 2017 – Entrevista com Thomaz Pereira
dez03

Eleições 2017 – Entrevista com Thomaz Pereira

Thomaz de Aquino Pereira Barbosa é o candidato a Presidente do Conselho Deliberativo na Chapa “Muda Santa Cruz”. Thomaz é pernambucano, tem 44 anos,  empresário formado em Administração de Empresas pela UNICAP. Tem cursos de gestão, Conselheiro do SCFC , ex-diretor de Base do Santa Cruz e apaixonado pelo Clube. Blog do Santinha: Na sua opinião o conselho deve ser um órgão de arrecadação ou de deliberação e fiscalização? Thomaz Pereira: Deve ser pela ordem: deliberação como o próprio nome diz, fiscalização e também arrecadação. Desde sempre o conselho no Santa Cruz tem servido apenas para arrecadar e aprovar todas as ações do Presidente anterior. No nosso estatuto rege que o maior e mais importante poder dentro do clube é o Deliberativo.Na prática, infelizmente não acontece isso. O executivo atropela os outros dois. Temos no nosso projeto a atualização e modernização do estatuto. Blog do Santinha:  No Santa Cruz há uma prática do Presidente do Executivo acabar seu mandato e  ser candidato a Presidência do Conselho Deliberativo no mandado seguinte. O senhor acha isso correto, uma vez que as contas do clube só são julgadas no exercício seguinte? Para ficar mais claro a questão: o senhor acha correto o ex-presidente do clube julgar suas próprias contas? Thomaz Pereira: Obviamente que não. Acaba chancelando o erro e coibindo a fiscalização. Temos que introduzir o conceito de Governança e melhores práticas administrativas. Blog do Santinha: Grande parte da torcida coral aponta o estatuto do clube como uma das fontes de tantos erros de gestão, pois afirmam que o mesmo é anacrônico e não é capaz de permitir a modernização do Santa Cruz. Como o  senhor vê o estatuto atual? É possível, politicamente, existir um acordo para torná-lo mais adequado às demandas de nosso tempo? Thomaz Pereira: Verdade. O nosso atual estatuto está desatualizado e com alguns vícios de autoritarismo. Na prática tem pouco foco em questões muito importantes do clube e por vezes não é claro. Acredito que sua reforma teria que existir em um ambiente de mudança. Novos nomes, conceitos e objetivos.Não acredito que a situação faça isso, tiveram várias oportunidades e não obtiveram sucesso. Como conselheiro cobrei por demais estas melhoras. Blog do Santinha: É comum ouvirmos criticas ao modelo político do Santa Cruz. No clube, o Conselho Deliberativo é todo composto por pessoas indicadas pelo Presidente do Executivo. O senhor acha salutar este tipo de modelo político? Thomaz Pereira: Não. Inclusive o conselho é misógino e excludente sob ponto de vista financeiro. Explico:como apenas podem participar sócios de categorias mais caras, acaba elitizando o que não deveria. Cria um apêndice do executivo apenas como órgão arrecadador. Defendo a maior...

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Eleições 2017 – Entrevista com Alírio Moraes
dez01

Eleições 2017 – Entrevista com Alírio Moraes

Alírio Moraes é candidato a Presidente do Conselho Deliberativo pela Chapa “Construindo com a Força da União”. Alírio tem 53 anos, é advogado, atual Presidente do Santa Cruz, compositor e músico. Blog do Santinha: Na sua opinião o conselho deve ser um órgão de arrecadação ou de deliberação e fiscalização? Alírio Moraes: A função ou a natureza independente do meu entendimento. Pelo estatuto do clube, o Conselho é um órgão de deliberação, ou seja, um órgão de decisão. Tem poderes, por exemplo, de suspender ou cancelar contratos lesivos, pode afastar definitivamente integrantes dos outros poderes. O problema central é que, pela cultura interna do clube e pela falta de exercício real desta autonomia, o Conselho passou a ser visto como um apêndice de menor importância. O Conselho precisa ser realmente uma instância de deliberação e de fiscalização. O Conselho não é, necessariamente, um órgão arrecadador, essa não é uma imposição aos conselheiros eleitos. Mesmo inadimplentes, os conselheiros não perdem a autonomia conferida pela Assembleia Geral de Sócios, que é a eleição, e podem votar em todas as sessões plenárias, bem como participar das discussões. Blog do Santinha: No Santa Cruz há uma prática do Presidente do Executivo acabar seu mandato e  ser candidato a Presidência do Conselho Deliberativo no mandado seguinte. O senhor acha isso correto, uma vez que as contas do clube só são julgadas no exercício seguinte? Para ficar mais claro a questão: o senhor acha correto o ex-presidente do clube julgar suas próprias contas? Alírio Moraes: Vamos compreender o processo. O papel do Conselho Deliberativo é, até o dia 31 de março do exercício seguinte, aprova o relatório administrativo, contábil e financeiro do ano anterior. Como prevê a legislação em vigor que regulamenta o futebol, o Profut, esse relatório deve ser aprovado pelo Conselho Fiscal do clube. Uma vez aprovadas “as contas” pelo Conselho Fiscal,  o relatório é enviado ao Deliberativo. O estatuto prevê que, se o presidente Executivo estiver, naquele momento, ocupando o cargo de presidente do Deliberativo, ele não poderá presidir aquela sessão específica de análise de suas contas, função a ser desempenhada pelos secretários, e sequer terá direito a voto. Há, portanto, ressalvas que asseguram um mínimo de liberdade para o Deliberativo realizar a discussão à vontade. Além disso, temos também a presença dos Conselheiros Beneméritos, pessoas com amplos serviços prestados ao clube, sem ligação com o presidente da hora, e que tem como função manter a independência da discussão considerando os interesses do clube. Dito isso, gostaria de ressaltar que, ao aceitar o convite para presidir o Deliberativo, não me pautei pela necessidade de aprovar minhas contas. Seria mesquinho da minha parte...

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