Santa Claus coral.
nov10

Santa Claus coral.

Diante dos últimos resultados adversos – algumas vezes pelos erros da arbitragem e outras por incompetência nossa mesmo – não é incomum ouvir as seguintes proposições: “Apesar do resultado e dos salários atrasados, o time jogou com garra”. “Os meninos se esforçaram, mas sem talento é de lascar”. “É sempre assim, dá o sangue e não ganha”. O problema, antes de tudo, é salário atrasado. Na verdade, salários atrasados possuem uma lógica perversa que afeta tanto a vida privada do jogador quanto sua atuação no clube. Imagine um jogador que ganha cinco mil e está há quatro meses sem receber. Em casa, as contas começam a se acumular, a reclamação se torna regra, o estresse aumenta e as cobranças também. Mas na hora do jogo, o universo inteiro esquece de que quem está entrando em campo é um profissional. O próprio trabalhador se aliena de sua condição e tem que dar o seu sangue. Ora, tem a torcida berrando nas arquibancadas, a transmissão na TV e no rádio, outros técnicos de olho em você querendo saber se o cara vai arregar ou não, seu técnico doido para lhe culpar por tudo, a diretoria, os vizinhos… a porra toda. Aí o jogador dá o sangue. Corre, marca, faz das tripas coração. Entretanto, esquecemos de um elemento fundamental nessa equação: a motivação deveria ser continua, não esporádica. O que isso significa? Significa que esse jogador não deu esse mesmo sangue nos treinos. Isso mesmo. Sem salário em dia, o cara morga nos treinos, faz corpo mole, não corre o que tinha que correr, sabe-se desinteressado, está com a cabeça nas dívidas, pensa no futuro incerto e só pensa em mandar tudo para a puta que pariu. No jogo, contudo, tem que correr atrás do prejuízo. E aí, meus amigos, a conta não fecha. Já repeti isso umas mil vezes: essa séribê foi uma das mais fáceis da história do futebol brasileiro. Nem o Inter mete medo. Só os atrapalhos internos, os desmandos, a falta de visão, o pensamento centrado no próprio umbigo, a ausência de um projeto de futuro, a ganância, a estupidez e escassez de inteligência nossas é que construíram esse quadro. De Edinho a Alírio, da A ao inferno da C, das promessas, da iminência de uma greve inaudita, da crença numa forma ancestral à realidade nua e crua, dos desfalques à falta de estratégia, amanhã iremos para um dos momentos mais definitivos de nossa história recente. Já combinei com Juninho e companhia para tomarmos todas antes do jogo porque o coração vai precisar de muita anestesia. O Boa Esporte vem de oito jogos sem vencer. O que isso...

Leia Mais
Eleições Corais
nov05

Eleições Corais

Meus amigos, a derrota de ontem só veio corroborar o que todos, racionalmente falando, já sabiam. Agora não adianta chorar o leite derramado, desesperar-se ou tampouco abandonar o nosso Mais Querido. Como bem comentou André Tricolor: “Da liderança da Série A para a Terceirona … incrível, só o Santa pra conseguir uma proeza dessas!”. Por isso, creio que está na hora de enterrarmos o passado – mas mantê-lo na memória para que os mesmos erros não sejam cometidos no futuro. E esse ano é ano de eleição no Santa Cruz. O nosso querido Blog decidiu postar as plataformas políticas de todos os candidatos para que os sócios possam sopesar a proposta que acreditam ser melhor para o clube. Gerrá deu uma ideia muito massa: vamos elaborar questões para entrevistar os candidatos. Estamos preparando isso. Democracia se faz, antes de tudo, com ética e transparência. A primeira proposta que iremos apresentar é a da chapa Muda Santa Cruz de Albertino dos Anjos. O mote da campanha é “Profissionalização do Santa Cruz”. A plataforma de Albertino – acessem o link e leiam o documento na íntegra – se inicia elencando os problemas do clube no cenário atual: das dívidas trabalhistas às contas bloqueadas. Logo em seguida temos as bases do projeto: ativar a divisão de base, atuar nas causas trabalhistas, enxugar comissão técnica, redesenhar organograma, construir o CT, repensar o estatuto do clube etc. Mas como efetivar esses objetivos? O projeto elabora suas premissas básicas: marca, formação de base e patrocinador. Estrutura a origem e aplicação dos recursos: da formação e negociação dos atletas à manutenção do CTF. São diversos pontos que merecem ser discutidos à fundo. A plataforma de Albertino também elenca as ações do projeto da chapa: reestruturação do programa de sócios, marketing e comunicação com nova estrutura e repensar plenamente o futebol profissional. Este último ponto é bem detalhado: reestruturação da comissão técnica, critérios para contratação, coordenador técnico e de transição, teto da folha por competição etc. Além de pensar em um projeto para as divisões de base, há também a ideia de reformar a estrutura do administrativo e financeiro: implantar gestão por processos, renegociar dívidas, publicar mensalmente o fluxo de caixa, organograma meritocrático etc. Também repensar o departamento jurídico do clube: auditoria dos contratos, revisão de todas as cláusulas de confidencialidade, avaliação dos contratos com a TV etc. A chapa Muda Santa Cruz elabora um novo desenho para a Patrimonial. Isso requer pensar a origem dos recursos e a transparência em suas aplicações. Por fim, a plataforma apresenta um organograma funcional, estrutura de profissionalização e hierarquia cronológica de remuneração. A chapa criou um documento de responsabilidade para...

Leia Mais