Apocalypse Now
out29

Apocalypse Now

A torcida foi chegando ao Arruda numa animação só. Nem parecia que o desespero estava tão perto. Um pouco mais de dez mil torcedores cantavam e xingavam ao mesmo tempo num misto de amor e ódio e isso contra a Luverdense que era adversário direto para evitar nosso rebaixamento. Peste Bubônica bate o tiro de meta para a lateral. Tuberculose conduz a bola pela direita e toca no meio para Faringite. Faringite segura a bola, olha à frente e toca de lado para Rubéola. Rubéola espera o marcador da Luverdense chegar e devolve a bola para Faringite. Ele inverte a bola para a esquerda. Leucemia sai correndo pela esquerda, é travado pelo lateral, empurra e dá um chutão. A bola sai pela lateral. Arremesso para o Santa Cruz. O próprio Leucemia pega a bola e lança no meio. Trombose tromba com o meia da Luverdense, empurra daqui, empurra dali e manda a bola na boca da área para Hipocrisia. Hipocrisia segura a bola, faz que gira e não gira e perde a bola para o cabeça de área. Aderlan pega a bola e lança no meio para Ratão. Ratão passa por Trombose e toca na frente para Baggio que chuta para fora. Peste Bubônica bate o tiro de meta e a peleja corre pela esquerda com Leucemia. Ele toca no meio para Catapora que segura a bola, vê Culpa correndo desembestado pela esquerda. Lança Culpa que vai disparado e lança na área, Hipocrisia esbarra em Afasia e a bola fica com o goleiro Diogo Silva. O primeiro tempo foi todo assim. Um time sem identidade, atabalhoado e que não finalizou uma única vez. No segundo tempo, Encefalite trocou Hipocrisia por Cisticercose, Culpa por Difteria e Sarampo por Esquizofrenia. O que mudou? O Santa Cruz conseguiu colocar duas bolas na trave. O lance do jogo foi o chute de Leucemia que fez a torcida urrar de mais desespero. E assim se instalou nosso Apocalypse Now. E, ainda assim, o pulso ainda pulsa. No final da partida, lá no velho Abílio, parecia que todo mundo tava era muito puto da vida. Jerry e Ridoval brincavam com nossa situação desesperadora. Juninho ficou tão indignado que nem quis saber de tomar uma cerva. Sábado que vem tem mais martírio. Será a 33ª rodada. Como diria o escritor Henry Miller, uma crucifixação encarnada. E ainda mais contra as barbies. Vamos lá que doidice pouca é...

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Oh, oh, oh, esse mundo é tricolor
out26

Oh, oh, oh, esse mundo é tricolor

Por um bom tempo, isso aqui foi o bar onde vários se encontravam para vibrar, cornetar, reclamar, marcar encontros, resenhar, comemorar as vitórias, chorar os fracassos. Aqui se discutia, aqui se fazia amizades. Inácio, Samarone, João Valadares, J., Chiló, Emília, Fred Arruda, Eduardo Ramos, Dani Tricolor, Arnildo Ananias, os Azevedos, Marcelo Beltrão, Hélio Mattos, Andrézinho, Galdino, Edward, El Cabron, Cel Peçonha, Coral, Tricolor Arretado, entre tantos e tantas outras figuras apaixonadas pelo Santa Cruz. Faltaria espaço para escrever o nome de todos. E foi neste Blog que conheci Alexandre, o Papa-Defunto. Faz tempo que ele mora longe. Do Arruda para casa dele, são quase 1.250 KM de distância. Quando a conversa é o Santa Cruz, ele nunca nega fogo. Alexandre já montou consulado na casa dele, lá em Vitória da Conquista. Estampou o escudo do Santa Cruz na porta da sua caminhonete. Tatuou nosso símbolo maior no ombro. E se estamos precisando de apoio, ele pega a estrada e vem jogar junto com o clube do coração. Certa vez, a gente se encontrou lá no Rio Grande do Norte, em Goianinha. Era pela sericê, em 2013. Alexandre nem passou no Recife, foi de Conquista direto para lá. Vencemos aquela partida por 3 a 1. Terça-feira, era umas oito e vinte da noite, Alexandre me chama pelo zap. “Boa noite amigo Gerrá”. “Fala, meu nobre”. “Manda”. Eu respondi. “Como estão as coisas?”. “E a família ?”. “Tô subindo o morro”. “Vou pra Recife, buscar 6 pontos”.  “Amanhã pego o carro e vou pra estrada”. “Mala pronta”. Na quarta-feira de manhã, o Papa-Defunto jogou a bagagem no carro e pegou a 116. Veio cortando a Bahia. Passou por Jequié, subiu deserto acima até Feira de Santana. Deu uma paradinha pra esticar a coluna, esvaziar a bexiga e encher o bucho.  Lembro da vez que fiz esse roteiro, sendo ao contrário, daqui para lá. Saímos de ônibus do Recife para Belo Horizonte. Em Jequié, paramos. Era mês de novembro. Até aquele dia, eu nunca tinha visto calor daquele tamanho. Não sei se hoje melhorou, mas era um calor dos infernos. Sim, voltemos para viagem de Alexandre. De Feira, nosso exilado seguiu caminho. Passou por Serrinha,  continuou em frente, virou à direita, chegou em Jeremoabo. Os jeremoabeiros que me perdoem, mas confesso que nunca havia escutado falar nessa cidade. Sei que Jeremoabo fica já próximo de Paulo Afonso. E de Paulo Afonso para Pernambuco é um salto. Fico imaginando a ansiedade de um cabra que mora no sul da Bahia e que vem visitar a terra querida para ver o jogo do Santa Cruz. Quando chega em Paulo Afonso é bem capaz de...

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O pulso do Santa Cruz ainda pulsa
out24

O pulso do Santa Cruz ainda pulsa

O pulso ainda pulsa O pulso ainda pulsa… Peste bubônica Câncer, pneumonia Raiva, rubéola Tuberculose e anemia Rancor, cisticercose Caxumba, difteria Encefalite, faringite Gripe e leucemia… E o pulso ainda pulsa E o pulso ainda pulsa Hepatite, escarlatina Estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo Esquizofrenia Úlcera, trombose Coqueluche, hipocondria Sífilis, ciúmes Asma, cleptomania… E o corpo ainda é pouco E o corpo ainda é pouco Assim… Reumatismo, raquitismo Cistite, disritmia Hérnia, pediculose Tétano, hipocrisia Brucelose, febre tifóide Arteriosclerose, miopia Catapora, culpa, cárie Cãibra, lepra, afasia… O pulso ainda pulsa E o corpo ainda é pouco Ainda pulsa Ainda é pouco Pulso Pulso Pulso Pulso (O Pulso) – Arnaldo...

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Com os pés no chão.
out20

Com os pés no chão.

Meus amigos tricolores corais, a situação parece que só se complica. Ter fé e esperança pode até ser importante e útil, mas a velha e boa razão nos obriga a olhar o mundo de maneira nua e crua, sem firulas e frescuras. Voltamos para os velhos cálculos de matemática básica. Estamos com 83% de chance de cairmos para a séricê. Temos oito rodadas para fazermos 47 pontos. Temos 30, ou seja, temos que fazer 17 pontos em oito jogos que faltam. Pensem bem: 17 em 24 possíveis. Amanhã pegaremos o Brasil de Pelotas que, em casa, venceu oito das quinze partidas disputadas. Para complicar a situação, Guarani e Figueirense – cada um com 35 pontos – possuem 36 e 25 % de chance de queda, respectivamente. Além do velho desânimo que é treinar e jogar com salário atrasado, ainda temos que lidar com os problemas de escalação. Mas a situação está tão ruim que surge uma questão inevitável: será isso realmente um problema? Sim, é. No meio, Bruno Paulo, Natan (o homem de vidro), João Paulo e Primão estão de fora do jogo de amanhã contra o Pelotas. A solução possível para Martelotte é Jeremias (que organizou a roconha e colocou todo mundo para dançar). Confirmados estão Nininho (e aí o cara fica pensando em que momento do jogo ele vai fazer aquela lambança e estragar tudo),Yuri ( nem sei o que pensar) e Júlio César (aí o cara fica novamente pensativo, esperando aquele momento de braço de cotoco). Nosso ataque conseguiu, enfim, fazer dois gols contra o Oeste. Numa boa, até que o time – apesar de tantos problemas e limitações – não foi tão horrível assim. Sempre repito: essa séribê está nivelada por baixo, por isso a culpa dessa situação é apenas nossa. Muitos torcedores acenderam aquela chama irracional da esperança. A razão explica. Guilherme Mattis, em entrevista recente, falou em compromisso com o clube e a torcida para tirar o Santinha dessa situação crítica. Mas é impossível não pensar que há um problema gerencial crônico no clube. E isso em todas as esferas: da diretoria de futebol ao financeiro e jurídico. Martelotte disse que só saberemos a escalação definitiva um pouco antes da partida. Racionalmente, só nos resta pensar que a motivação possa surgir nesse grupo nessa reta final a partir daquilo que Mattis disse: “Os treinadores do Brasil têm um olho clínico muito grande, sabem que o jogador não está compromissado com o elenco, o clube e acaba tirando. Vemos um grupo (o elenco do Santa Cruz) totalmente focado, independente das dificuldades”. Traduzindo: ou a gente começa a jogar pensando no futuro de nossas carreiras...

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Por um milagre
out18

Por um milagre

Não era nem quatro horas da tarde e Anízio manda um zap avisando que já estava liberado para ir ao Arruda. Desde a segunda-feira havíamos convocado todos para irmos juntos ver o jogo da arquibancada. “Pra ver se dar sorte”. Na hora do desespero, até o mais ateu reza pra alguma coisa. Da turma, Marconi, Micrurus, eu, Anízio e Odilon fechamos a corrente. Nos encontramos antes, aceleramos o passo, tomamos uma cerveja com caldinho de feijão no bar de Simone. Até Rafa veio também. Fazia tempo que não botava os pés no Arruda. Vi Samarone e sua juba. Encontrei o incansável Jathyles. Batemos um papo rápido. As organizadas, de forma inédita, se juntaram atrás da barra e empurram o time pra frente. Inferno Coral, P-10, Império e outras, cada uma puxava um grito de guerra. Uma energia linda. Era como se nossa casa estivesse lotada. E nosso esquadrão começou a todo vapor. Pressão no adversário. O gol era uma questão de tempo. Mas aí, eis que perdemos uma bola no meio e nosso jogador ao invés de matar a jogada, resolve derrubar o adversário dentro da nossa área. “Fudeu”. “Puta que pariu”. “Vai tomar no cu”. “Filho da puta”. “Que bicho burro do caralho”. “Vai ser por fora”. “Na trave”. “Esse porra vai perder”. “Defende Julio Cesar, te consagra”. Que nada, a maldição do ex-jogador resolve dar as caras. Mazinho, aquele mesmo que perdeu um gol feito naquele jogo contra o DIM que nos tirou da Sulamericana, apenas tocou rasteiro para o fundo do barbante. Nosso goleiro, o ex-capibaribe, pula no outro lado e nem vê a bola se arrastar na grama  e entrar suavemente. Mas vamos lá. Para o Santa Cruz nada é fácil, assim diz a lenda, assim é nossa história. Continuamos na luta, no grito e jogando com o nosso time. Para nossa sorte, Primão havia se machucado e Bruno Paulo tinha entrado ainda no primeiro tempo. Eis que surge um penalti no velho Grafa. Ainda bem que ele continua batendo bem. Empatamos. E toda a força ressurge. A esperança volta correndo para nos abraçar. Estamos com um jogador a mais. Continuamos na pressão. Ao meu lado tem gente querendo jogar uma pedra na cabeça do treinador para ver se ele bota alguém na ponta direita. E aí, de novo, a maldição do ex-jogador. De novo ele, o Messi Black. Pega uma bola na nossa direita, ninguém chega junto, ele chuta cruzado, a bola vai rasteira, polindo a grama. Ali de onde estávamos, vimos a imagem em HD. Vimos o ex-goleiro da Barbie levar um gol bisonho. Aquela posição, meus amigos, a de goleiro, não é...

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