Chove chuva, chove sem parar.
ago28

Chove chuva, chove sem parar.

Uma chuva fina caía sobre o Arruda no início da partida contra o CRB no sábado passado. Havia poucos torcedores nas sociais. O clima era de desconfiança. A frase de Pessoa, “o dia deu em chuvoso”, parecia adornar aquela tarde. Logo a chuva se avolumou e virou um dilúvio. Protegi meu copo de cerveja naquelas capas de chuva que vendem por R$ 5,00 nos estádios. No gramado, o que todos presenciaram foi um Santa Cruz completamente atabalhoado, sem esquema tático algum. Mesmo depois do gol de Grafite e dos gritos de “acabou o caô”, a sensação era de que as coisas não se encaixavam. Sandro até que demonstrou vontade, mas Yuri deixou claro que nasceu para outra coisa – incrível como ele demora a pensar a jogada. Bruno Paulo não tem mais explicação. A falta de criação no meio já virou piada. No intervalo, quando fui pegar outra cerva, me encontrei com Juninho e Jorge. Conversamos sobre o caos do clube, diretoria, Tininho, Jomar, fora Giva, Alírio, o papel dos conselheiros, mudança no estatuto, as eleições que se aproximam, enfim, os velhos problemas de sempre. O segundo tempo revelou o naufrágio que não queríamos. Jorge até que tentou entoar umas loas para ver se o segundo gol chegava, mas foi o CRB quem mandou nas cartas e no jogo. Encharcados de chuva e putos com a péssima atuação, fomos ao Abílio tomar a saideira. Lá encontramos Jerry e Mark. Como estava todo mundo muito indignado com a crise e a eminência de uma séricê, mudamos de assunto. Como bons ingleses, Jerry e Mark falaram sobre futebol, mas cricket e boxe também. Como não saco nada de cricket, conversamos sobre a história do boxe e a luta entre Mayweater e Connor naquela noite. “Zeca, você tem que assistir ao documentário chamado Four Kings. Os quatro grandes do boxe: Sugar Ray Leonard, Marvin Hagler, Thomas Hearns e Roberto Duran”, indicou Jerry. The Fabulous Four. Valeu, Jerry, documentário muito foda. Nada como a velha e boa old school. No final da noite, depois de peregrinar pela Boa Vista com Juninho e Jorge, fui ver a surra que Connor McGregor levou de Mayweater. Acordei no domingo com uma ressaca triste. Pensei no barco afundando, Giva indo embora, os marinheiros à deriva, sobrevivendo num pequeno bote… por enquanto. Que Martelotte possa salvar essa galera do naufrágio. E que esse dilúvio que se prenunciou de maneira amarga sobre o Arruda possa ceder lugar a um verão, por pequeno que seja. Que 2015 se repita. E que o espírito, a garra, a inteligência e a vontade dos Fabulous Four possa nos inspirar daqui em diante. Porque...

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Um pouco de futebol.
ago25

Um pouco de futebol.

Amanhã é dia de ir para o Arruda. Como estarei dando aula numa turma de mestrado até as 16 horas, vou sair voando e chegar no pontapé inicial. Mas isso não me impede de pedir o melhor cachorro-quente do mundo e tomar umas cervas durante a partida. Depois é ir encontrar os amigos no Abílio após o jogo para escutar a resenha. Mais uma vez estamos naquela situação de uma partida que será um divisor de águas. Ainda continuo achando que o mestre Giva está mais desmotivado do que puta velha. E quando o capitão desiste do barco na tempestade, o desastre é iminente. Mas é possível pensar que esse estado de espírito tenha surgido pela impossibilidade de repetir uma escalação seguida desde que começou. Torcendo para que o velho Grafa possa servir como elemento motivador para esse grupo. Será fundamental um líder a partir de agora. A boa notícia – hoje não vou tocar nos velhos problemas de sempre – é que João Paulo e Ricardo Bueno estão de volta. O menino Alison chegou cheio de vontade e otimismo. Yuri já propagou que o time virá com nova atitude. Também continuo defendendo a titularidade de Jacsson. Se a crise é, por enquanto, incontornável, a melhor saída é atitude mental, postura, vontade e garra. Sim, aquilo que Gerrá pontuou anteriormente: garra sempre foi o nosso diferencial. E contra o CRB nesse sábado temos que ter muita garra para sairmos da zona. João Ananias deve entrar como titular. Onde será que foi parar o futebol de Anderson Sales e Léo Lima? Que os deuses do futebol tenham um pouco de misericórdia e permitam que eles voltem a jogar bola. Todo tricolor coral deve estar com saudades daquelas faltas que deixavam o Arruda com a respiração presa. Torcer, também, para que Grafite jogue com garra, imbuído do espírito ancestral que anima nossas cores. Se o time mostrar força de vontade, empenho, espírito de equipe e, o que julgo uma das coisas mais importantes, respeito por sua torcida antes de tudo, dá para termos um pouco de esperança. O quadro é favorável? Claro que não sou louco. Nossa situação é complicada em todos os sentidos. Mas só hoje – só hoje mesmo – quero pensar apenas em futebol. Estarei no Arruda torcendo para que o capitão se arrete e decida, por amor à sua tripulação, domar a tempestade. Que os marujos transpirem sangue para salvar a embarcação do naufrágio. E que nós, os velhos torcedores de sempre, possamos estar presentes diante dessa mudança de atitude. Porque, sejamos sinceros, um pouco de esperança não faz mal a ninguém. No fim das contas, espero...

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Mirem-se no exemplo de 1999
ago20

Mirem-se no exemplo de 1999

Pronto, entramos na zona. Estamos mais perto do que nunca da Sericê. Os mais otimistas, na sua mais pura fé e paixão, ou apenas por puro engano,  achavam que esta possibilidade era apenas delírio dos pessimistas. Com essa bola que estamos jogando, muitos já falavam e previam: rumo a terceira. E estão certos. Há quem diga que o motivo é falta de salário. Pode ser. Ninguém gosta de trabalhar sem saber se vai receber o salário. Concordo que todo e qualquer empregado deve receber em dia. Entretanto, falta de dinheiro, salários atrasados e dividas sempre fizeram parte do cotidiano do Santa Cruz Futebol Clube. Alguém me mostre algum ano que não falaram de falta de dinheiro no nosso clube. O que falta mesmo é alma, é raça, é esses caras jogarem bola com o coração no bico da chuteira. E isso é o que vai nos levando para mais um rebaixamento. Esse grupo de jogadores não nos representa. Nós, tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda, não nos encantamos com craques e espetáculos, nós vibramos é com quem transpira garra. Nós, o povão que frequenta a arquibancada do Arruda, nos orgulhamos quando vemos o jogador suar sangue, comer grama, transpirar vontade. Nós, a massa coral, trazemos na memória as grandes conquistas na base da raça. Não lembro de um jogo nessa Séribê, onde a gente comentasse que o time mostrou vontade. A maioria dos atletas que hoje estão no Santa, joga apenas por obrigação. Nessa hora, me recordo de 1999. O presidente era Jonas Alvarenga e o presidente do Conselho Deliberativo era Antônio Luiz Neto. Tínhamos um time de estrelas. Mancuso e cia. Um bando de descompromissado, isso sim. Fazíamos uma campanha vergonhosa na Seribê. Em pleno Arruda, levamos uma goleada do América Mineiro. 5 a 1 pra eles. Fui para aquele jogo de muletas. Tinha feito uma artroscopia no joelho. Saímos do estádio revoltados e certos que cairíamos para terceira divisão. Naquela ocasião, falei para o meu pai: se continuar jogando desse jeito, vamos cair. Hoje fui almoçar na casa do meu velho. Seu Geraldo tem 81 anos. Guarda na gaveta sua primeira carteirinha de sócio do Santa Cruz. Hoje foi ele quem me disse: com esse futebol aí, o Santa vai ser rebaixado. O time é morto e não tem alma. Em 99, primeiro se dispensou o treinador Artuzinho. Nereu assumiu e foi o encarregado de fazer uma limpeza no elenco. Só ficou quem incorporou o verdadeiro espírito de guerreiro. O time saiu do quase rebaixamento, para o acesso à primeira divisão. Hoje só vejo uma saída: Alírio e sua diretoria criar coragem para fazer o mesmo...

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Um returno para lá de tenso.
ago15

Um returno para lá de tenso.

Talento, motivação e estratégia são elementos fundamentais no futebol. Mas a atual realidade do futebol brasileiro quase sempre está atrelada a dividas exorbitantes. O mestre Nelson Rodrigues costumava dizer que futebol não é só racionalização, mas muita emoção. Entretanto, um clube é gerido, possui departamentos, diretoria e presidência. Daí ser necessário pensar o universo de cada time se valendo da razão. As estratégias de gestão envolvem um projeto de planejamento financeiro, econômico, político, cultural e esportivo. O Santa Cruz vem continuamente demonstrando sua incompetência nesse quesito. Já cansamos de falar disso aqui. A culpa é sempre do passado. O problema é que, no presente, não encontramos soluções que sejam postas em prática. Já sugeri, aqui, e isso umas dez mil vezes, que transparência, CT e valores de base e um departamento de futebol competente são passos iniciais tão necessários quanto respirar. Além do mais, quando recebemos notícias de Doriva, Eutrópio ou Carlos Alberto, por exemplo, e os bloqueios constantes de nossas contas, chega a ser uma ofensa à inteligência a lerdeza de nosso departamento jurídico. Evidente que, em campo, a motivação dos jogadores está atrelada a diversos fatores. Um dos mais relevantes é salário em dia. Não tem como não pensar na desmotivação desse grupo treinando. E se você não treina adequadamente, meus amigos, é muito possível que os resultados sejam negativos. A contratação de Grafite, creio eu, vai possuir muito mais um efeito motivador na equipe do que resultados em gol. A presença de um líder, em momentos de crise, é muito importante. A falta de identidade desse elenco é assustadora. Creio que o velho Grafa dará um gás novo nesse returno que se inicia no próximo sábado, mas um gás psicológico, não tanto futebolístico. Talento, por seu turno, é uma questão complicada. Ainda bem que alguma mente minimamente inteligente mandou Travassos (pelo amor de Deus) e Jaime (vixe Maria) para bem longe do Arruda. As coisas por aqui são lentas…. bem lentas. Esse returno parece que vai ser mais tenso do que estávamos esperando. Sempre defendi o velho Givanildo – por sua história e competência. Defendi sua chegada atual no Santinha. Mas fiquei surpreso com sua entrevista de chegada. Ele já foi largando que qualquer coisa iria embora. Ele está adorando repetir isso em suas entrevistas. Creio que está na hora de acharmos outro treinador. O velho Giva parece desmotivado – e disso, tenho certeza, já estamos fartos. A crise nos clubes do Brasil, entretanto, não inviabiliza a vida da maioria dos times. Devido a uma incompetência invisível, isso nos afeta e muito. Não é de se estranhar que, aqui e ali, surja a lebre da terceirização....

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Descendo a ladeira
ago09

Descendo a ladeira

Aos poucos, uma onda de pessimismo tomou conta do Santa Cruz. Também pudera,  já são cinco rodadas sem vencer, sendo quatro derrotas seguidas. Em três jogos como mandante, fizemos apenas 1 ponto. Pior do que isto, é ver que o time não esboça reação. Até parece que os atletas estão sem querer jogar. Estamos descendo a ladeira. A única certeza que temos é que os jogadores não estão com os salários em dia e a diretoria não consegue administrar esta situação. Cabe lembrar que  salários atrasados não é um fato que acontece somente no Santa Cruz. E jogar a culpa do que está acontecendo na falta de dinheiro, é esquecer que já nascemos lisos e até hoje vivemos na pobreza. Não lembro quando foi que conseguimos pagar os salários em dia. Temos a sensação que os bastidores do  futebol do nosso Santa está sem comando. Depois que Tininho se afastou do clube, a impressão que dá é que a diretoria de futebol está acéfala. Mas isto era algo previsível que acontecesse, pois durante todos estes anos, não se procurou oxigenar o departamento de futebol.  Um clube do tamanho do Santa Cruz não pode ter apenas um ou dois diretores de futebol. Bastou Tininho adoecer e ficou um vazio. Outro dia, até Givanildo falou sobre isto. O presidente tenta dialogar e acender a esperança da massa coral. Mas os torcedores já não acreditam mais na palavra dele. Por vezes fazem até piada. No seu primeiro ano de mandato, Alírio nos deu o céu. Mas este ano, o fantasma de voltarmos para o inferno do campeonato brasileiro, faz a torcida esquecer as alegrias. Estamos na porta do cabaré e, dependendo do desenrolar da rodada, entraremos na zona já no próximo final de semana. A torcida está atordoada. Alguns só reclamam. Outros apontam falhas. Uns culpam a torcida. Quase ninguém defende a diretoria. E poucos apresentam soluções. Nem a notícia da volta de Grafite conseguiu animar os tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. Diante deste cenário, já tem torcedor pedindo a cabeça do treinador e uma limpeza no elenco. Tem até gente sugerindo a renúncia do presidente e convocação de eleições. Eu fico por aqui! Escrevendo essas coisas, sem ter uma opinião formada sobre o que fazer e pensando besteiras. Cheguei até a lembrar de Nereu Pinheiro para treinador e Jonas Alvarenga para...

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