São João na Arena.
jun25

São João na Arena.

Enquanto as fogueiras ainda crepitavam em homenagem a São João, os fogos ainda explodiam e o forró animava o rala bucho, pouco mais de 9 mil tricolores corais rumaram para a Arena para torcer pelo Santa Cruz contra o Figueirense. Na entrada do setor oeste, me encontrei com Juninho e seus amigos. Pense numa galera boa de papo e de copo – garantia de um jogo mais interessante ainda, com as análises mais criativas possíveis. O jogo se dividiu em três momentos cruciais: 1. O primeiro tempo: Figueirense mandando no jogo e nosso meio de campo e nossa defesa zonzos que nem barata chapada de Baygon; 2. No segundo tempo, o Santinha voltou diferente, buscando a bola, muito mais agressivo, com velocidade e objetividade e 3. O juiz que estava com a porra, distribuindo amarelo para tudo que era lado e querendo aparecer mais do que todo mundo. O primeiro tempo mostrou que Jaime, Roberto e Bruno Silva estavam desconectados. Não havia estratégia e posicionamento de defesa. Jaime cometeu erros crassos e Bruno Silva, tenha santa paciência, errou demais. Nossa sorte é que Robinho, do Figueirense, é ruim que dói. O Gol dos catarinenses foi resultado de uma lambança generalizada de nossa defesa. Era pressão o tempo todo. No meio, Léo Lima estava isolado, a bola não chegava. A insistência na verticalização do ataque não poderia dar em nada. Isso facilita a marcação da defesa adversária, inibe a criatividade e não encontra espaço para o toque, resultando numa avalanche de passes errados. Termos saído com o prejuízo de um gol apenas foi lucro. No intervalo, entre uma cerva e outra, Juninho disse algo que assino embaixo: “Não adianta contratar um novo técnico que vá manter esse mesmo esquema tático. O problema, entre tantos outros, é esse esquema. A Diretoria deveria conversar com o novo técnico e saber se ele pode mudar esse quadro. Nem que seja – ele disse em tom de pilhéria – para fazer um 4-4-2”. O segundo tempo, por seu turno, foi bem diferente. A deusa Fortuna decidiu dar uma mãozinha ao Santinha: das três substituições que Adriano fez, duas foram por contusões. E não é que o negócio deu certo. Primeiramente, Barbio pela direita foi a coisa mais inteligente dos últimos tempos. O futebol dele melhorou visivelmente. Esteve aguerrido, brigando pela bola, buscando o jogo: ou seja, realmente entrou na partida. João Paulo deu mais velocidade à esquerda, criou mais e ainda voltava para auxiliar na marcação. Augusto entrou e fez o gol de empate. Fomos visivelmente superiores no segundo tempo. Com os problemas recorrentes da lateral direita, os atletas que ainda estão no departamento...

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Eu tenho dois amores.
jun21

Eu tenho dois amores.

Sábado passado, no dia do jogo do Santinha contra o Inter, eu tinha combinado de ir ao Arruda com André Tricolor, Samarone e mais dois amigos. Só esqueci de avisar minha esposa. Pior: esqueci que era aniversário dela. Só me lembrei na sexta à tarde quando ela me pediu para ajeitar as coisas para a festa do sábado. “Putz, eu pensei, agora não tem Houdini que se safe dessa”. E não me safei. Farrapei geral e assisti ao jogo pela internet. Passei a semana toda pensando no jogo, no Arruda, nos amigos, na cerveja e numa possível vitória. Estava otimista e acreditando em Adriano Teixeira. Bem, o Santa meteu pressão, mas o gramado não ajudou muito. Mesmo assim, queria ter estado no estádio. Não tem comparação essa emoção. Como também não tem comparação a emoção de uma companheira de longas datas. Como cantaria o rei Reginaldo Rossi: “Eu tenho dois amores…” Nem vou prosseguir para evitar problemas. Fiquei imaginando quantos tricolores já passaram por essa situação: o jogo rolando, o pensamento na partida, mas o corpo em outro lugar, com outras obrigações. Hoje, enquanto esperava meus alunos para entregarem os trabalhos da segunda avaliação, liguei o PC da faculdade e fiquei acompanhando o jogo contra o América-MG. Estava na mente com aquela declaração do Bruno Paulo: “Nosso time é bom”. Fazia tempo que não ouvia um jogador do Santa Cruz dizer isso. Fiquei feliz com essa alegria e confiança. Fundamental para nosso sucesso. E o jogo em si? Meus amigos, que pressão foi essa que levamos no primeiro tempo? Os volantes estavam mais perdidos do que cego em tiroteio, a zaga não marcava os espaços e Pitbull e Bruno Paulo aceitaram o posicionamento da defesa adversária numa passividade preocupante. Jaime sempre me deixa preocupado. Nininho é sazonal. Mas creio que é inegável que deixamos de ser um time retranqueiro – o que, particularmente, me irritava e muito. A notícia de pagamento de um dos meses atrasados foi providencial. Porém, não podemos achar que Adriano Teixeira, apesar do apoio demonstrado pelo elenco, possa entrar e jogar pelos jogadores. Primão deu uma vacilada no segundo tempo – que foi bem morno – que quase mata a torcida do coração. Novamente, vimos o América crescer. Pará e Hugo Cabral deram volume de jogo e nossa defesa parecia não entrar no clima. Do nosso lado, os cruzamentos não davam em nada – um vazio imenso no ataque. Na metade do segundo tempo, João Paulo entrou no lugar de André Luís e Kelvy substituiu Nininho. Resultado? Matheusinho faz um golaço aos 33 minutos. Essa derrota complicou um pouco a nossa situação na tabela. Contudo,...

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Sou mais a prata-da-casa do que os perronhas de fora
jun15

Sou mais a prata-da-casa do que os perronhas de fora

Texto enviado por Lucas Pinto “Prata-da-casa”. A expressão utilizada para classificar um jogador como formado no clube, sempre me encantou. Comecei a acompanhar futebol em 1999. Naquele ano o Santa teve uma conquista histórica, com um time recheado de jogadores da base. “Fulano é prata-da-casa”, “Esse ai é prata-da-casa”, ouvir isso me despertava um sentimento bom por aquele cidadão. Já era um ponto a mais que o cara teria comigo. E sigo até hoje, com esse pensamento consolidado. Nossos jogadores não são forjados em CT’s, em academias de ponta, em gramados de pura qualidade. Nossos pratas-da-casa são forjados em campo de barro, em alojamento eternamente em obras, em uma dificuldade reflexo do Santa Cruz. Eles são forjados como corais! Não por menos, em toda nossa história de 103 anos, nossas conquistas históricas foram realizadas com times recheados de atletas da base. O ano de 1999, as conquistas desta década atual, e até  a de 1975. Então, quando se forma um novo time, como o que estamos vendo em campo em 2017, com todo plantel recém-contratado, quem deveria ter o tal “crédito”? Não compreendo, e jamais compreenderei. Por que quem mais sofre ataques, constantemente, são os nossos pratas-da-casa, não deveriam eles ter mais crédito? Por que Elicarlos e Gino, não só ganham a vaga, como também a preferência da torcida? Por que Valles é a prioridade quando sair do DM? Temos atletas nossos, que não apenas são, no mínimo, do mesmo nível, mas que já tem títulos conquistados pelo Mais Querido, sempre com muita raça e identidade. Existe uma expressão no futebol que diz: “esse aí ganhou a vaga porque veio de avião.” Eu acho um absurdo, e quando vejo irmãos corais descendo o sarrafo desproporcionalmente em nossos pratas-da-casa, só vejo essa prática do “ganhar a vaga porque veio de avião” ser incentivada. Nininho, por exemplo, no jogo contra o Ceará, foi o melhor em campo, vibrando em cada jogada. Aliás, após o retorno, fez mais jogos bons ou regulares do que ruins. Welington César, foi campeoníssimo pelo clube em 2016 e vinha muito bem, saiu do time na Série A por contusão. Mas adivinha quem é detonado o jogo inteiro? Mas adivinha quem é o motivo de chacota por parte da torcida? Isso mesmo, quem sua nossa camisa desde a pré-adolescência. Passou da hora do pessoal despertar pra certas coisas “normais” do futebol. Mas da minha parte, respeito, admiração e credibilidade, eles, os prata-da-casa, sempre terão, mesmo que no meio de um jogo eu, sem um pingo de sanidade, mande um deles pra puta-que-pariu. Bom, independente de jogador da base, da rua, de qualquer lugar, a hora é da...

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Habemus técnico!
jun14

Habemus técnico!

Meus amigos tricolores, realmente não dá para ter certeza absoluta se Adriano Teixeira será nosso treinador em definitivo nessa séribê. Mas, diante da crise e de nossas reais possibilidades, acredito que seja prudente dar mais oportunidades à prata da casa. Como o próprio frisou: “Sou um funcionário do Santa Cruz!”. Em psicologia organizacional isso se chama pertencimento. O jogo de ontem contra o Ceará teve dois tempos bem diferentes. Ao final do primeiro tempo, não duvido que todo tricolor coral estava desejando estrangular de Alírio ao roupeiro do clube. Foi terrível. Um show de horrores. Contudo, a água virou vinho no segundo tempo. Ninguém esperava mudanças tão salutares para nosso futebol. Enquanto Roberto levava bolas nas costas (desculpem esse trocadilho infame, mas verdadeiro) e a ala esquerda se constituía num verdadeiro corredor para o ataque adversário (Adriano tem que consertar isso logo), nosso meio de campo começou a se organizar e nosso ataque, finalmente, foi o destaque. O velho Giba não esperava tanta determinação e empenho. Nininho mostrou muita garra. Jaime ficou na mediania. Elicarlos continua na sua montanha russa particular. Primão – e isso é realmente inacreditável – decidiu jogar bola. Léo Lima superou as expectativas e coroou sua atuação com um golaço. André Luís, como sempre, tem se saído muito bem: tribla, cria, se movimenta e faz a diferença. Novamente um gol a partir de uma pintura sua. Mas não podemos esquecer as lições do passado. No início da Série A, escrevi aqui que os salários estavam começando a atrasar e que isso iria afetar nosso desempenho. Alguns me chamaram de doido e sem assunto. Infelizmente, deu no que deu. Estamos, agora, com dois meses de atraso. A responsabilidade da Diretoria é imensa. Essa séribê não mete medo, já disse isso. Mas se começarmos a boicotarmos a nós mesmos, o negócio ficará difícil. Nem vou discutir, aqui e agora, transparência, escolhas, gestão centrada etc. Já discutimos isso demais e sabemos no que dá: dirigentes surdos e preocupados com suas visões pessoais, muitas vezes se esquecendo de ouvir sua torcida e dos interesses maiores do clube. Mas tenhamos esperança: vamos torcer por Adriano Teixeira – uma prática comum em diversos clubes com transição de treinador – e apostar que os salários não irão desfigurar o trabalho do Santinha. Jogador é profissional e não torcedor. Com essa vitória, não é possível que o Arruda não tenha, ao menos, um número maior de torcedores contra o Internacional. Tem promoção de ingresso. Claro que não estamos em nenhum mar de rosas – ninguém aqui é idiota – mas creio que está na hora de pensarmos positivo, cobrar com lucidez, manter o...

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Eu, Ivonaldo e Trombone
jun13

Eu, Ivonaldo e Trombone

Encontrei com Ivonaldo, o cara da xerox. Eu estava entrando na lanchonete. De longe, Ivonaldo me chamou. – Dotô! Acenei para ele. Segui para o balcão. Pedi um suco de limão e um misto quente. Fui até onde Ivonaldo estava. — Senta aí, Dotô! – ele disse. — e aí, rapaz! E o nosso Santa Cruz? E agora, tás confiante? Botaram o treinador pra fora.. — olhe dotô, confiante ainda não, mas tou acreditando. Tiraram o treinador, bora ver né? Mas é cedo ainda. Só lá pro final dessa primeira fase é que a gente tem um raio-x dos problemas. Foi quando chegou Maurício. Outro tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda. Pegou uma coca-cola e foi sentando. A turma costuma dizer que Maurício é um dos maiores corneteiros do Santa . Mauricio Trombone. Quando a turma chama ele de Maurício Trombone, o cara se arreta. “Pega aqui na vara”. A moça trouxe meu misto e o suco de limão. Maurício pediu um pastel de carne. Ivonaldo, sem cerimônia nenhuma, olhou o decote da blusa dela. — Maurício, meu velho, pra variar a conversa aqui é o Santa Cruz. Ivonaldo tá acreditando. E tu? – provoquei pra puxar conversa. — É difícil. É difícil. Não temos lateral direito e nem volante. Falta um meia. E Adriano…, sei não viu. É fraco. Mas sabe qual é a bronca grande? Ele mesmo cuidou de responder. — A falta de dinheiro. Balançamos a cabeça concordando. E Maurício Trombone continuou. — o Santa Cruz é igual ao Brasil, ou se faz uma mudança geral nas estruturas ou vamos continuar do mesmo jeito. Olhamos um para o outro e ele começou a sua tese. — Veja só o nosso estádio. Velho, ultrapassado e decadente. Olhe, no futebol atual, não faz mais sentido você ter um estádio para mais de 50.000 pessoas. Sabe quantos cabem no Allienz Parque? 43.713. Arena Fonte Nova? Cabem 47.907. Na Arena do Corinthians dá 45.000 pessoas. O Santa Cruz gasta quanto pra manter aquele elefante branco? Enche umas 3 ou 4 vezes no ano e depois fica com uma média de público baixa. Se muito for é 12.000 pessoas. E tome prejuízo. A turma da patrimonial tem que diminuir o Arruda. E tem que fazer negócio com aquele estádio. Fazer parceria com empresas de entretenimento e produtores culturais. Alugar para festas. Arrendar para eventos religiosos. Trombone mordeu o pastel, deu uma golada na coca e seguiu. — Outra coisa que não faz sentido: divisão de base. Se não tem estrutura para ter divisão de base, pra que ter divisão de base? Eu deixava no máximo o juvenil e os juniores....

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