É hoje!
fev27

É hoje!

A instigada Minha Cobra sai pelas ladeiras de Olinda. É hoje. Na frente da sede do calunga mais querido do Brasil, o Homem da Meia Noite, às 10 horas, a Troça Carnavalesca Mista Ofídica Etílica Erótica MINHA COBRA pinta de preto-branco-encarnado as ruas e ladeiras de Olinda. No Arruda tem o Cobra Fumando. É folia tricolor coral santacruzense pra todos os lados. Então, meus amigos, é vestir a camisa, colocar um adereço e sair para brincar o carnaval!...

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Evoé, Baco!
fev24

Evoé, Baco!

Meus amigos tricolores, chegou o Carnaval. Evoé, Baco. A festa da alegria, embriaguez, fantasia e loucura. E a maior loucura de todas: teremos jogo no sábado do Galo. Pense numa tabela feita por um cara muito doido. Possivelmente estarei tão bêbado que terei que ver o jogo na manhã de domingo novamente para entender o que aconteceu. Mas não tenho dúvidas: iremos arrancar uma bela vitória. Estava ontem em Seu Sebastião conversando sobre esse jogo contra o Uniclinic (Quem foi o maluco que colocou esse nome?) quando a troça Siri na Lata passou desenbestada na porta do ilustre bar tricolor. O frevo, meus amigos, ferve. Fiquei instigado e sai em direção ao Levino. Essa troça é muito foda. Além de tocar as músicas do mestre Levino Ferreira – um dos maiores compositores de frevo de rua – possui um repertório que foge do lugar comum. Eu estava me aproximando da 7 de setembro procurando uma passarinha para tomar uma cana quando ouvi alguém me chamando: “Zeca, porra, vem aqui!”. Era Juninho, um antigo amigo de colégio. Estudamos dez anos juntos no saudoso Nóbrega. Amigo de colégio é uma coisa interessante. Você pode passar vinte anos sem ver o sujeito e, quando o rever, parece que o último encontro foi ontem. Ficamos tomando umas cervas e falando sobre o Santinha e sobre frevo. Juninho é um apaixonado pelo Santa Cruz e pelo frevo. Conhece tudo sobre nossa música maior – mas não é músico, uma frustração que foi resolvida com as filhas que estudam, agora, no conservatório. E, como todo tricolor santacruzense, é o maior torcedor do Santinha. De repente, ele me saiu com essa: “Zeca, já falei com Gerrá que tu é um alter ego que escreve no Blog. Tu nunca falava de futebol no Nóbrega”. “Vai tomar no cu, Juninho. Tinhas quantos anos quando fosse ao Arruda pela primeira vez?”. “Sete”. “Se fudeu. Eu tinha cinco”. E aí começou aquele lengalenga sobre quem foi mais a campo:quem viu Fu Manchu ou Ramón jogar; quem estava na inauguração da arquibancada superior; quem viu a inauguração do placar eletrônico; quem estava no jogo contra o Palmeiras que teve um público monstruoso; quem presenciou o cabaço da leoa voar e por aí afora. “Juninho, eu não tinha saco de discutir futebol com vocês. Tu e Rostand (outro amigo do Nóbrega e torcedor coisado) viviam brigando na hora do recreio. O cara tinha que ter muito saco para entrar naquela frescura”. O bloco saiu e seguimos a orquestra. Frevos maravilhosos. Juninho ia solfejando as notas que eram cuspidas pelos metais. Sou metaleiro de corpo e alma, mas o frevo está no sangue...

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O Clássico das Tensões.
fev19

O Clássico das Tensões.

O Clássico das Multidões – que, no caso desse sábado, pode muito bem ser chamado de Clássico das Tensões – revelou uma nova faceta desse time do Santa Cruz e que segue aquilo que os amigos tricolores Genivaldo, Marcos e Arnildo disseram aqui no Blog: time macho do caralho! A pilha que o menino Everton Felipe deu antes da partida foi salutar para nós. O Santinha entrou em campo como se estivesse entrando no octógono do UFC: sangue nos olhos, vontade de ganhar e dar porrada em todo mundo. O nome da partida: Vítor. Puta que pariu, o cara estava endiabrado. Jogou com muita garra, uma disposição absurda e se revelando um talento para lá de qualquer expectativa. Claro que a qualidade de Diego Souza foi fundamental para o gol do Do Recife (a coisa). Mas não tem quem me tire da cabeça a ideia de que Jaime deu uma puta vacilada no lance. A expulsão de André Luís – com o placar desfavorável – parecia ter decretado, em definitivo, nossa primeira derrota. Uma porra. O time se superou. Ao contrário do que poderia se esperar, até jogou mais. E isso mesmo diante das lambanças da arbitragem. E Pitbull, meus amigos, é Pitbull. Deu um mata leão nos coisados com um toque magistral. Três tricolores contra cinco leoas, mas um toque de bola refinado que acabou com o nosso gol. Que coisa mais bonita. Ele tem tudo para ser o nosso grande ídolo nessa temporada. E Júlio César está cada vez melhor. Jogou muito. Fez defesas dificílimas que ajudaram a manter o empate. Estava envolvido com a partida, totalmente dentro do espírito do clássico. Mas isso não quer dizer que está tudo bem. Muito pelo contrário. A garra do time foi muito maior – maior mesmo – do que a qualidade do nosso futebol. Claro que a qualidade do passe no meio de campo vem melhorando, mas há muito trabalho para ser feito. É preciso equacionar os espaços entre defesa e meio de campo e entre meio de campo e ataque. E melhorar o domínio e saída de bola. Barbio me pareceu mais perdido do que gringo no meio do Galo da Madrugada. Estabanado, afobado e sem noção de posicionamento. Em campo, o jogo foi muito pegado. Aquele chute de Leandro Pereira em Jaime era para ter sido cartão vermelho. E ainda estou na dúvida se Pitbull estava realmente impedido. Magrão ia se fuder. Esse Rufino não me engana. Por fim, vou dar meu palpite para essa temporada: Pitbull será o artilheiro e o Santa Cruz será o campeão do PE 2017. Eita porra, me...

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Os Hooligans no Clássico das Multidões.
fev16

Os Hooligans no Clássico das Multidões.

Confesso que estou começando a ficar nervoso com esse jogo de sábado. O cara escuta a resenha no rádio, lê os jornais, assiste à TV e ouve, nas ruas, a torcida dizendo: “Pitbull vai estraçaiá a coisa. Au, au, au, au”. Sábado será o teste de fogo para Eutrópio e para a torcida tricolor. O treino fechado mostra que é preciso ter a cabeça no lugar e acertar alguns pontos: espaços na defesa, conexão do meio de campo com o ataque e ir além da bola parada na hora de atacar. Apostaram no argentino Parra e em Júlio César (que é meu aluno no curso de Direito). Espero que os dois mostrem serviço quando entrarem em campo nos próximos jogos. Mas esse sábado é o dia do Clássico das Multidões. O dia em que o sujeito acorda eletrizado, só pensando na hora de entrar em campo e celebrar com a torcida. O zap explode de mensagens dos dois lados – a gozação sadia é fundamental para manter o espírito do futebol brasileiro. Sábado é dia de marchar para o Arruda confiante em nossos guerreiros. Dia de lotar o Mundão e celebrar essa paixão no mês de nosso aniversário. Dia de ser feliz, comungar com a essência desse esporte maravilhoso e dessa torcida alucinada. Dia de tomar uma em Abílio, comer o cachorro-quente da arquibancada e acompanhar, com os nervos à flor da pele, o jogo também pelo rádio. Uma pena que muitos torcedores ainda insistam em transformar essa festa tão linda num campo de batalha. Já escrevi aqui – na crônica “Meu dia de Mancuso” – que levei uma baita carreira da torcida dos coisados. Um amigo que torce pela leoa já foi espancado por torcedores do Santa Cruz só porque estava com a camisa do time adversário e entrou numa rua tomada por tricolores. Uma tristeza a permanência desse clima medieval. Sempre fui a favor das torcidas organizadas. Essas surgiram para enaltecer a paixão do torcedor por seu clube. Elas embelezam a festa nos estádios, dão identidade ao time e calor na comemoração de um gol. Mas os baderneiros confundem tudo. Os Holligans PE querem transformar essa festa em um inferno. Creio que seria muito salutar adotar a postura que o governo da Inglaterra tomou em relação a esse problema: tipificar essas ações como crime e punir de maneira severa, monitorar os arruaceiros e banir dos estádios aqueles que não querem amar, mas sim, lutar. Futebol é lugar do amor, da paixão e da alegria. Por isso, acredito que seria também importante iniciar um trabalho de ação social para reeducar esses torcedores. No fundo, a paixão pelo time...

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1914, um ano especial.
fev13

1914, um ano especial.

Meus amigos tricolores, 1914 foi um ano louco e especial a um só tempo. Para a maioria das pessoas, é o ano em que se inicia o absurdo da Primeira Guerra Mundial que culminaria, décadas depois, com as atrocidades do Nazismo. Mas teve coisa boa também. Foi o ano em que se fundou a Seleção Brasileira de Futebol, o Ceará e o Paysandu. Esse ano especial e louco viu o nascimento de Caymmi e, pela primeira vez, o aparecimento de Carlitos nas telas dos cinemas. Não houve Prêmio Nobel de Literatura nesse ano. Porém, Aleister Crowley escreveu o célebre Livro da Lei e James Joyce, um dos maiores gênios da literatura, principiou sua obra-prima, Ulisses. Mas, para nós tricolores, foi um ano fundamental: é o ano do nascimento do Santa Cruz Futebol Clube, o Terror do Nordeste, o Mais Querido, o Time do Povo, o Tricolor do Arruda. No último dia 3 desse mês, estava em meu apartamento quando ouvi, no Largo da Santa Cruz, exatamente à meia-noite, fogos explodindo e gritos alucinados de “É tricolor!”. Coloquei minha camisa do Santinha e fui pra lá. Esequias e outros amigos estavam saudando o 103º aniversário de nossa paixão maior. Conversamos sobre o clube e os festejos. No mesmo dia, às 18 horas, estava novamente no Largo, agora devidamente acomodado em Seu Sebastião, com Gerrá e Sama. As ruas estavam tomadas de vermelho, preto e branco. Que coisa mais linda de se ver. Enquanto estávamos brahmeando e conversando sobre futebol, vi uma enorme inscrição numa janela no prédio que fica na esquina da Rua Velha: 1914. Que ano especial, pensei. Podem dizer que o aniversário do Santa foi dia 3 e já passou. Eu comemoro durante todo fevereiro até cair de exaustão, embriaguez e alegria nas ladeiras de Olinda seguindo a troça Minha Cobra. Cada doido com sua mania. E não é que os presentes de aniversário desse ano estão sendo bons? Demos uma lapada nas barbies e contra o Central demonstramos muita garra – espero que o velho espírito de guerreiros de nossa tradição tenha retornado definitivamente. Ontem, Pitbull (au, au, au, au) se arretou e ficamos na liderança do grupo. Acho que André Luís dançou. O time tem muito o que melhorar, isso é inegável. A parte de conexão e criatividade tem que entrar nos eixos. O fato positivo é que estamos bem de bola parada. E creio que, com todos os prós e contras, a torcida está começando a se empolgar. Dia 19 será o teste de fogo contra os coisados. Uma vitória no próximo domingo e o mês de aniversário será perfeito. Que assim seja! E imaginar...

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