Luto no futebol brasileiro. Texto escrito por Zeca e Gerrá.
nov29

Luto no futebol brasileiro. Texto escrito por Zeca e Gerrá.

Texto escrito por Zeca e Gerrá. Não há nada mais misterioso e maravilhoso do que a vida. Mas a vida, em si mesma, só pode ser o que é por causa da morte. Esta finitude radical que nos persegue, esse abismo inelutável que todos estamos condenados a visitar é que torna a própria vida no maior de todos os abismos. Mas a morte, sorrateira e inesperada, quando se instaura entre nós, deixa um rastro de peso e tristeza, um questionamento que nunca encontra uma resposta definitiva. Ainda mais quando arrasta, atrás de si, o gosto amargo da tragédia, dessa falta de lógica que deixa a todos sobressaltados. Eu sempre tento ser racional quando me deparo com notícias de morte e tragédias. Aquela história de ficar dando uma de durão. “Ah, pra morrer basta estar vivo”. “A vida é isto mesmo”. Essas coisas. Mas, vez por outra, me vejo entrando em contradição. Hoje foi assim. Quando liguei meu celular, às 6 da manhã, vi a notícia postada por Milton Jr. no zap. Fiquei uns segundos parado, olhando para tela, tentando driblar a dor do que estava lendo. Até naveguei um pouco na ilusão de encontrar algo que desmentisse a verdade. Quase sempre, não me comovo com a morte de quem não está perto de mim. Daqueles que não são do meu convívio. Mas nessa manhã, foi diferente. Não tive como controlar a tristeza e marejei os olhos. Como bem disse meu amigo Duda, hoje a Chape é a equipe mais admirada e querida no Brasil. É o xodó do futebol brasileiro. A Chape, pra nós que somos os excluídos da fatia gorda das verbas de TV, é a referencia. A Chape é o futebol moderno que sonhamos. A Chape é o modelo que buscamos. Depois que fomos eliminados, confesso que vinha torcendo fervorosamente por eles nesta Sulamericana. Agora, diante deste hiato, deste silêncio assombroso que se derrama sobre todos nós e que deixa o futebol brasileiro de luto, creio que só nos resta ser solidários na dor e na tristeza dos familiares, amigos e torcedores que enfrentam momento tão delicado. Estamos atônitos. Poucas palavras já são excessivas diante dessa tristeza imensa. Nossa mais sincera homenagem à tripulação, jornalistas, jogadores e a todos que nos deixaram de maneira tão súbita. Que os familiares e parentes possam encontrar refrigério para dor tão imensa. Nossa homenagem à grande...

Leia Mais
Pra frente é que se anda.
nov22

Pra frente é que se anda.

Meus amigos tricolores, parece que um desânimo geral se abateu sobre a torcida do Santinha. Não apenas pelo rebaixamento e a péssima campanha do segundo semestre deste ano, mas pelo fato incontestável de que o passivo do clube e a falta de uma gestão realmente profissional – e digo isso em todos os sentidos – nos deixa temerosos de como será nosso futuro. A boa notícia da despedida de Jadson não encobre a ida de Keno para o Palmeiras – agora extremamente valorizado, o que é justo – e a necessidade absurdamente urgente de uma reestruturação administrativa no clube para lidar com tantas dívidas fiscais e trabalhistas. A nossa torcida lembra aquele filme O Náufrago com Tom Hanks (apesar de não ter naufrágio nenhum no filme): estamos desolados, perdidos, falando com um Wilson imaginário na esperança vã de que sejamos ouvidos. Já citei aqui que o sócio de um clube é exatamente isso: sócio. O torcedor que contribui mensalmente com o time deve ser ouvido. Mas me parece que os ouvidos de nossa diretoria vão permanecer surdos por algum tempo. A esperança melhora um pouco quando sabemos que Alírio se reuniu com blogueiros e ativistas do clube para discutir nosso futuro. Li no site oficial do clube que estão pensando em abrir uma linha de diálogo com a torcida. Isso tem que ser feito logo. Já está bom de tanto choro e vela. Enterra logo o defunto e vamos seguir a vida, pois pra frente é que se anda. É preciso pensar na estrutura financeira do clube, na construção do CT, no elenco para o Pernambucano do ano que vem e em todas as competições que iremos participar. Principalmente, na minha opinião, a Série B. Iremos enfrentar Goiás, Paysandu, Brasil de Pelotas, Criciúma, Vila Nova, Ceará SC, Luverdense, CRB, Londrina e a Barbie. Infelizmente, nossa incompetência e a do Inter podem ajudar a Coisa a permanecer, aos trancos e barrancos, na Série A. Essa Série B é pedreira, mas não é impossível retornarmos à elite se houver uma administração comprometida com o resultado. E não duvido que em 2017 iremos voltar a vibrar com o Mais Querido no Pernambucano. Acho que o tempo de ficar se lamentando já foi. Encheu o saco essa choradeira: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Isso não significa, de maneira alguma, fazer vista grossa para os erros e a incompetência que tomaram o Arruda. Ao contrário, é hora de ser mais participativo, exigir transparência e cobrar resultados. Só assim poderemos construir uma embarcação e sair do naufrágio real em que nosso amado Santinha se encontra. E jamais esquecendo que um...

Leia Mais
Existirmos: a que será que se destina?
nov16

Existirmos: a que será que se destina?

Meus amigos tricolores, mesmo com essas belas vitórias da Seleção de Tite – ainda mais com um 3×0 convincente contra a Argentina de Messi – ainda me sinto meio morgado para vibrar por este time. A lapada de 7×1 contra a Alemanha só vai ser apagada quando formos hexa campeões do mundo. Essa derrota-humilhação ainda vibra no fundo da alma. Até lá, fico só com meu Santinha mesmo. Trata-se de uma questão existencial: na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. O sabor do último jogo no Arruda contra o América me fez pensar que a vida continua, a bola não para e o mundo gira sempre. Foi especial encontrar todos os apaixonados lá: Gerrá, Sama, Naná e sua trupe do Poço. A vibração da torcida foi incrível. Parecia uma final de campeonato. Mas não era. O sentido da existência é moldado pela ambiguidade, pelo mistério e a esperança. No campo, neste momento crucial da vida onde a vitória é tão desejada, nos revelamos naquilo que temos de melhor e pior. Além do mais, duas coisas me chamaram a atenção naquele jogo. Duas coisas simples, diga-se de passagem, mas relevantes pelo sentido que carregam. Eu estava na arquibancada tomando uma cerva e acompanhando o jogo quando um torcedor, Vitor Salgueiro, se aproximou. “Meu velho, vocês deveriam escrever no Blog do Santinha sobre a bandeira do clube. Isso é uma vergonha”. Enquanto ele dizia isso, apontou para a bandeira tricolor que paira incólume sobre o Arruda, acima da tribuna. Realmente, era vergonhoso. A bandeira principal do estádio parecia traduzir a situação moribunda do time: está acabada, rasgada, surrada, velha… um trapo. Quem será o responsável por esta bendita bandeira? Porra, até aqui no Blog a gente faz uma cotinha para comprar uma bandeira decente e trocar aquela velharia. Outra coisa que me chamou a atenção foi a falta de um placar. Comentei isso com Sama: “Quem é o responsável por isso?” Sou da época em que o placar era trocado manualmente. Mas também fui à estreia do placar eletrônico. E fui ao jogo em que nem placar tínhamos mais. Bastava, por enquanto, colocar um manual mesmo. Bonitinho e funcional. Acho vergonhoso não ter placar nenhum no Mundão. Questões simples e que demandam soluções simples. Basta querer fazer. Por ora, vou pensando no final do ano, nas biritas homéricas que vão surgir e no próximo ano com os novos campeonatos. E, claro, no jogo de hoje contra o Coritiba. Mais uma vez, acompanharei via rádio. Torcendo, torcendo sempre. Aqui, no Santa Cruz, meu coração é pleno – absurdo, lógico ou sem sentido, mas pleno. Vai entender coração de torcedor....

Leia Mais
Conversa
nov11

Conversa

Despretensiosa, a conversa rolava solta. Adalberto nos contou uma história que na família dele, um primo namorou quase dez anos com uma moça. Faltando menos de um mês pro casório, a noiva desistiu do enlace. Sem apresentar nenhum motivo, ela não quis mais casar. — o desmantelo foi grande, – disse Adalberto – minha tira foi até socorrida. Lasca é que com menos de seis meses ela tava casada com outro. Um cara que apareceu do nada. — oxi, só pode ter sido gaia! – setenciou, Luizão. — foi não. – Adalba retrucou. O assunto rendeu um bocado. Uns a defender o noivo, outros a defender a noiva. Levantamos várias teses sobre gaia e não chegamos à conclusão nenhuma. — Gaia é um negócio meio cultural – falou, Farol de Milha. — Como assim, cultural? – perguntou Tadeu. Alicate tomou a frente de Farol de Milha e explicou. — Doido, tem lugar por aí que o cara tem não sei quantas mulheres. Outro dia eu ouvi dizer que nos índios, num tinha essa de casar não. As índias fodia com quem quisesse. É cultural, esse negócio de gaia. — E as cachorras, ali é que é onda. A danada fica no cio, vem um e cheira, vem outro e lambe, vem um bocado de cachorro atrás dela, sarra, se esfrega, mas a miseravi só trepa com um. Eu acho isso, arretado! Imagina se a gente fosse assim – Luizão falou e deu uma gaitada. A prosa tomou outro rumo. O reino animal. Não sei quem da turma veio com uma história que o carrapato da capivara transmite uma doença que pode matar seres humanos. Contei que já havia comido carne de capivara. — Ainda bem que o carrapato é no couro, não é na carne – disse, Adalba. — É proibido comer carne de capivara! Tadeu falou. — Tu agora é do IBAMA, é? – Luizão perguntou. E a turma começou a debater sobre a proibição de se comer carne de capivara. Uma bancada argumentou que é proibido caçar, mas comer a carne pode. A outra defendeu que se não pode caçar, não pode comer. O impasse rendeu um bocado. Outra rodada de cerveja. A sabedoria de Luizão falou mais alto. — Vocês tão tudo errado! E o IBAMA vai entrar na casa dos outros pra ver quem tá comendo carne de capivara?! Pronto. A pauta mudou pra discussão sobres os motivos que fazem o IBAMA não conseguir atuar de forma eficaz. “Os caras só querem comer bola” “O IBAMA é pequeno para o tamanho do Brasil” “O governo quer lá saber de porra de IBAMA, de bicho, nem de...

Leia Mais
A alegria que vem da arquibancada
nov07

A alegria que vem da arquibancada

Desci a Serra nas carreiras. Não queria chegar ao Arruda atrasado. Nas pressas, terminei sem combinar nada com ninguém. Fui sozinho, pensando em ir para as cadeiras e dizendo pra mim que seria minha despedida de 2016. O último jogo. O derradeiro encontro com meu time, com minha casa, com meus milhares de amigos. Na solidão do percurso até o Mundão , a tristeza insistiu em dominar. Mas venceu a alegria de tantos momentos bons, destes vários anos de Santa Cruz. O rolete de cana, minha bandeira, a flâmula com o timaço de 1976 que ficava pendurada na cabeceira da cama, eu e meu pai nas sociais, o gol de Célio, o ano mágico de 2005, a Sanfona Coral, as viagens e aventuras pela Série D, a cabeçada de Caça-Rato contra o Betim,  a Copa do Nordeste em Campina Grande, as infinitas amizades, as vitórias. Dobro a esquina da rua do Canal e o mundo se torna colorido. Preto-branco-encarnado. Avisto o pessoal do Poço calibrando o fígado numa barraca da beira do canal. A turma da Kombi Coral. Naná, Peito de Pombo, Ninha, Dái e Boy. Perguntei por Oswaldo Titio e Diazepan. Um estava no interior, o outro no aniversário da filha. Encontrar com esse povo do Poço é tomar uma injeção de otimismo e felicidade. Pra eles não tem tempo ruim. “Gerrá, hoje só vem quem gosta mesmo!” – disse, Naná. Conversamos um pouco e me mandei pra comprar minha entrada. Corri como se não houvesse mais ingressos. Na calçada, perto da bilheteria, encontro Samarone e Zeca. “Cadê tu, porra?” – Sama perguntou. “Gerrá, caralho! A gente existe, porra!” – gritou Zeca, o filósofo! O sorriso estampado no rosto dos doidos, me levou para arquibancada. Encontramos com Naná e cia. Ficamos juntos. Bem acima do escudo, na linha do meio campo. No gol de Léo Moura, uma explosão de felicidade. Parecia que o campeonato estava começando. Foi como se a gente estivesse gritando para o mundo que estamos vivinhos da silva. No apito final, abraços, sorrisos e esperança. Fazia tempo que eu não sentia a vibração e o calor do cimento da arquibancada. Os bons ventos daquele lugar me fizeram esquecer que somos quase lanterna, que a seribê de 2017 nos espera e que nossa campanha foi uma vergonha. A alegria de hoje me avisou que ainda temos duas partidas no Arruda e que a Terra gira. No próximo jogo, quero estar...

Leia Mais