Medellin, aí vamos nós
set19

Medellin, aí vamos nós

Quando eu conto a algumas pessoas que certa vez, a gente saiu do Poço com 17 pessoas na Kombi Coral e fomos tocando forró dentro dela, a galera acha que é conversa mole. Na época que não havia bafômetro para atrapalhar nossas idas aos jogos do Santa Cruz, por várias vezes chegamos ao Arruda com umas vinte pessoas dentro da Kombi Coral. Comandada por Naná, a valente Kombi dava carona a todos que encontrasse no percurso. “Ei, tás indo pro Arruda? Bora, entra aí” Uísque, cerveja e Pitú era nosso principal combustível. Desde sábado que ligam pra mim ou me mandam mensagem querendo saber noticias da Kombi Coral. Tenho tentado falar com Naná, mas não está fácil. Normalmente está dando fora de área e o gordinho não usa celular moderno. Acho que o aparelho dele nem tira foto. Wi-fi, nem pensar. Ontem, ao final da tarde, consegui fazer contato com Peito de Pombo. Peito passou pra Naná. Os caras estavam num astral altíssimo. E pelo visto, está tudo tranquilo e calmo. Só sei que na próxima quarta-feira, enfrentaremos nosso primeiro jogo internacional pela Sulamericana. Infelizmente não pude ir nessa aventura. Mas estou deveras confiante. Na última quarta, vi o jogo do tal Independiente contra o Luqueño. Falto pouco para o nosso adversário ser do Paraguai. Meterem dois gols no primeiro tempo. Se fazem mais um na segunda etapa, iriam decidir na disputa por pênaltis. Até torci pelo Luqueño. Caso eles passassem pras oitavas, seria bem menos cansativo pra nós. Nosso time não precisaria viajar tantas horas de avião. Mas deu o Independiente de Medellin. Um time que não tem nada de mais. O goleiro é bem pior do que Thiago Cardoso nas saídas por cima. A defesa é lenta e o ataque trombador. No último domingo, conta o modesto Jaguares de Córdoba,  eles apenas conseguiram empatar de um a um. Tenho pra mim que se o Santa Cruz tiver consciência que está disputando uma Sulamericana, que nesses jogos é pé no bucho e mão na cara e que ninguém marca falta besta, a gente sai de lá com um resultado bom. Em jogo desse nível, vale muito mais a raça do que a técnica. É encarar o inimigo e mandar um sonoro “hijo de puta”. Eu sei que, mesmo que a gente não traga a vitória, vou ter inveja dessa turma que foi. Fico imaginando a farra, a cachaça, a tiração de onda. Nessas horas, confesso que fico com uma inveja boa danada de quem pode foi....

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Coluna dois.
set16

Coluna dois.

Meu pai costumava dizer que a sexta-feira era um dia arretado. Ele saía do trabalho ao meio dia e ia direto para Dona Mira, lá em Casa Amarela, tomar todas. Mas ele reclamava dos domingos: “Quando toca essa música do Fantástico, dá uma dor no coração”. Me lembro quando assistíamos ao resultado da Loteria. Léo Batista aparecia dizendo os placares dos jogos. De repente, aparecia uma porra de uma zebra falando: “Coluna dois. Deu zebra… deu zebra… deu zebra..”. Aprendi muito com meu pai. Não leciono na segunda pela manhã. Apenas à noite. Assim, neste domingo, poderei tomar todas sem me estressar com a segunda de manhã. Vou deixar a feijoada já preparada e a cerveja gelando. Os trabalhos começarão com os amigos e a torcida por uma vitória quase impossível. Para ajudar na esperança, a lembrança de que Doriva foi o último a ganhar do Peixe no Pacaembu. Mas o nervosismo é grande. Liguei para Gerrá: “E aí, vais escrever algo para o Blog do Santinha antes do jogo de domingo?” “Nada, ele disse, vou escrever para a Sula. Vai ser vitória fácil. Escreve tu. Desse uma sorte danada no último jogo”. Caímos na gargalhada. Como torcedor é um bicho meio maluco, fiquei viajando nesse jogo e pensando numa vitória sofrida de um a zero. O último gol do General me fez tomar consciência do que é ser, realmente, tricolor. E não é que acendeu ainda mais a esperança. Vai entender. No meio do jogo já devo estar bêbado. Mas um bêbado consciente. O Santa Cruz deixa o cara eletrizado, é impressionante. Assim, já estou visualizando o resultado final: Santos 0 x 1 Santa Cruz. Iremos tomar a saideira para celebrar a vitória. A ressaca da segunda-feira vai ser matadora. Mas tudo vai ter valido a pena. Milagres – ou seja lá o que for – acontecem. Como costumam repetir os católicos: credo quia absurdum est. Acredito porque é absurdo. Eu disse, torcedor é um bicho maluco mesmo. No final do domingo, a porra da zebra vai aparecer dizendo mais uma vez: “Coluna dois. Deu zebra… deu zebra… deu zebra..”. Que assim...

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Canja de galinha e um pouco de razão não faz mal a ninguém.
set13

Canja de galinha e um pouco de razão não faz mal a ninguém.

O Renascimento foi um movimento intelectual europeu do século XIV que defendia a ciência e a razão como modelos de ação humana. Daí é que surgiram Da Vinci e Descartes. Estas ideias influenciaram o Iluminismo e as Revoluções Americanas e Francesas. O Iluminismo era ainda mais radical. Só a razão poderia libertar o homem de sua ignorância, da superstição sufocadora, das crenças infundadas. Voltaire defendia a racionalidade com unhas e dentes. Mas o futebol insiste em manter o espírito medieval da superstição, mística e ignorância. Entretanto, não adianta patuá, mandinga, reza braba, usar a camisa da sorte no dia do jogo, fazer promessa ou rezar o terço. Diante da incompetência, ruindade e falta de garra, só a razão para dar conta. Bem que eu queria acreditar que Gerrá dá uma sorte arretada ao Santa Cruz quando escreve neste venerável blog antes de cada partida. Se assim o fosse, seríamos campeões do Brasileirão, da Libertadores e do Mundo. Mas este blog não possui linhas mágicas. A magia medieval não funciona. Mas quem tem culpa de tanta ruindade? O jogo deste domingo me deu uma vontade danada de mandar para aquele lugar a presidência, a diretoria, comissão técnica, jogadores e a porra toda. Sigo aquela ideia do velho Ariano Suassuna: o bom mesmo é ser um realista esperançoso. Mas a esperança também cansa. Não joguei a toalha ainda – cara insistente da porra – mas estou puto da vida e de saco cheio com tanta grossura. Ainda bem que raiva passa. Entendo que apenas a razão pode explicar a realidade. Em futebol, meus amigos, mística não dá competência, qualidade e resultados. Trata-se de uma questão de administração racional, baseada em análise e escolhas acertadas – e não decididas pelos astros ou por rituais misteriosos. (Só lembrei agora daquela besteira do boi da coisa). O domingo conseguiu ficar ainda mais medieval com as barbáries das organizadas. Quando será que o MP e os governantes vão adotar a postura da Inglaterra em relação aos seus Hooligans? Dá até medo ir para um estádio que você sabe que vai se transformar num campo de batalha. Quarta-feira teremos mais um capítulo desta via crucis. Esperar que a ressurreição ocorra, porque neste domingo, como disse meu amigo Samarone, “foi coice e queda”. A esperança cansa, mas também é a última a morrer. Por enquanto, vou parafraseando Jorge Ben e receitando um pouco de canja de galinha e racionalidade para essas mentes medievais. Não faz mal a...

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O Santa Cruz e seus perronhas
set09

O Santa Cruz e seus perronhas

Desde domingo á noite que abro a página do word para escrever algo para esse Blog. Comecei digitando sobre a solidariedade dos meus amigos tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. Primeiro foi Marconi. Mandou um zap. Logo em seguida Inácio telefonou. Depois Flávio Lins ligou. Todos perguntando se eu iria. Uns oferecendo carona. Até ingresso queriam me dar. Mas eu já havia me desprogramado e não fui. Ir para aquele fim de mundo precisa de toda uma logística. Tentei fazer uma crônica sobre isto, mas travei e não saiu mais de dois parágrafos. Pensei em falar sobre a partida. Mas, aí era impossível. Não assisti, nem ouvi. Acompanhei a peleja por mensagens de amigos do zap-zap. Até procurei Ivonaldo, o cara da xerox. Ele havia me dito que iria para Arena. Estava bem confiante. Mas o negão tinha saído pra fazer uns trabalhos de rua e fiquei sem a resenha dele. Me veio outro assunto. Batucar umas linhas que falassem da nossa limitação técnica, das contratações erradas, dos buracos do gramado do Arruda, essas coisas. Mas iria ficar repetitivo. Iria chover no molhado. Não sei vocês, mas quando o Santa Cruz se dá mal, bate uma morgação daquelas. Parece que até o otimismo de Zeca, o filósofo da Boa Vista, morgou também. E mais, minha esperança já está ficando cansada. Por mais que eu tente reanimá-la, ela insiste em ficar de baixo astral. Corri para ver os melhores momentos da partida. Aí veio uma mistura de tristeza e raiva. Tínhamos tudo para vencer. Mas o que estraga o futebol é a burrice e ruindade de uns miseráveis que por alguma sorte na vida conseguiram se transformar em atleta profissional. Meus nobres, quando vi o lance do penalti,  só me veio a vontade de escrever sobre esses perronhas que insistem em jogar bola e nos encharcar de ódio. Seria capaz de fazer um livro. O título podia ser “A ruindade nos gramados” ou “Jogadores que eu mandaria para puta que pariu”.  Em cada capítulo, eu contaria a história dos vários pernas de pau que já passaram no Santa Cruz. Destinaria um capítulo para falar sobre Danilo Pires.  ...

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Soy loco por ti Sul-Americana.
set03

Soy loco por ti Sul-Americana.

Na minha última postagem, escrevi que o jogo do Santa Cruz contra a coisa pela Sul-Americana poderia mudar o lado de nosso disco. E não é que isso realmente aconteceu?! A Banda de Chico Buarque começou a tocar a plenos pulmões. E melhor: a banda veio passando o rodo, dando rasteira, tapa na cara e metendo o dedo no fiofó da leoa. O presidente da cachorrita de peluquera – como chamou Gerrá- deu a louca e desandou a falar besteira. O choro é livre, garota. Meus discos, interessantemente, começaram a tocar versões diferentes: “Soy loco por ti Sul-Americana… soy loco por ti Santa Cruz”. “Vai minha alegria e diz pra ela.. que eu vou pra Medelín”. “Alegria não tem fim… o Santinha me deixou assim”. É muita felicidade. O ânimo da torcida agora é outro. Mas acredito que estamos no ponto zero, no ponto de mutação. Temos três jogos pela frente para reverter completamente nossa situação. Porém, duas coisas serão necessárias: a garra dos jogadores e a presença da torcida. Como sou torcedor, tenho que torcer para que o espírito de guerreiro de nossos jogadores retorne com força total. Mas também acredito que deveríamos fazer uma campanha: leve um amigo tricolor com você ao Mundão do Arruda. Chamar aquele velho amigo tricolor que há muito tempo não vai ao estádio. Já tenho confirmada a presença de três amigos que irão comigo ao jogo da Chapecoense no feriado. Um se transformou em quatro. É preciso que a torcida mais apaixonada do Brasil volte a ser a torcida mais apaixonada do Brasil. Basta querermos… e convidar nossos amigos tricolores para lotarmos o Arruda, gritar e incentivar nosso Santinha. Nosso combustível será a doce lembrança de que despachamos a leoa no Campeonato Pernambucano, na Copa do Nordeste e na Sul-Americana. Não pode ter incentivo melhor do que esse. Por aqui, comprei um estoque da cerveja Sul Americana. Deu uma sorte danada no último jogo. E repetirei sempre: eu acredito no Santinha e não desisto nunca porque sou tricolor de corpo e alma e serei sempre de...

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