Crônica de uma morte anunciada.
set29

Crônica de uma morte anunciada.

Meus amigos tricolores, aquele gol aos 30 segundos contra a Figueirense no último domingo decretou o início de um fim que tentamos negar a todo custo. E agora, com essa estranha eliminação da Sul-Americana, uma nuvem de desistência, amargor e ira parece se abater sobre nossa torcida. Digo estranha porque jogamos muito bem, ganhamos… mas perdemos no primeiro jogo. Todo tricolor deve estar se perguntando: Por que danado Doriva não levou Keno, JP e Léo Moura para Medelín? Em ambos os casos – Série A e Sula-Americana – temos essa sensação de algo premeditado. Mas o que conduziu a esta crônica de uma morte anunciada? Penso que podemos elencar alguns pontos para debate. 1. A autonomia excessiva de uma diretoria que tomou decisões equivocadas ao longo de todo o segundo semestre de 2016. Mais autônoma do que a própria presidência. Acertou muito antes, mas errou muito depois. 2. Um presidente que ama o clube e que penhora parte de seus bens para manter a máquina andando parece indicar problemas mais profundos. Esse passivo crônico, histórico e imenso do Santa Cruz deve ser tratado por especialistas em finanças. Não basta a expertise de advogados apenas. E isso a partir de uma política voltada para um futuro promissor. 3. Causa e efeito. Jogadores com dois ou três meses de salário atrasado e funcionários que chegam a quatro ou cinco meses sem ver a cor do dinheiro. Por mais que o administrador conheça teóricos como Peter Drucker, Senge ou Lencioni, não tem como fazer milagres. 4. É preciso uma análise sociológica e econômica sobre o afastamento da torcida tricolor do Arruda. Da mais apaixonada do Brasil, passamos a ser a mais resmungona e ausente. Crise internacional e nacional que afeta o nosso bolso diretamente. Será que o excesso de jogos da Série A impede que um torcedor de pouca renda compareça ao estádio? Parece bem plausível. 5. Contratações tão ruins que indicam um total despreparo – quando se trata de análise futebolística – por parte daqueles que possuem o poder de decidir. E não escutar, ainda por cima, o apelo da torcida. 6. Uma zaga sofrível em todos os sentidos. Um corredor imenso na lateral esquerda que culminou com gols absurdamente ridículos. Escutei torcedores dizendo que estavam com saudade de Tiago Costa. 7. Por falar em gols ridículos, ainda continuo sem entender como Tiago Cardoso não foi parar no banco na Série A. Desde aquele frango contra o Fluminense no Arruda que seu desempenho é tão ambíguo que chega a assustar. O cara faz defesas espetaculares contra a coisa no primeiro tempo e descamba num espetáculo grotesco de erros no segundo. Os...

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Hoje, eu vou é pro Arruda.
set28

Hoje, eu vou é pro Arruda.

Ivonaldo, o cara da xerox, vem me dizendo o tempo todo: “dotô, é outra competição. É outro jogo. Vá por mim!” Eu não sei de onde Ivonaldo tirou a ideia que eu sou doutor. Nunca fiz doutorado, não sou médico e nem advogado. De segunda-feira pra cá, o negro Ivonaldo tem dado uma injeção de otimismo nos tricolores corais santacruzenses da repartição.   Mesmo depois de tanta lapada na seriá, o negro Ivonaldo tem suas razões para acreditar tanto. — Dotô, quando a gente menos espera, a cobra levanta e dá o bote. Balancei a cabeça concordando. — Série A é uma coisa. Essa Sulamericana é outra! Concordei também. — Dotô, é como se o cabra tivesse duas mulher. Se ele broxa com uma, não quer dizer que ele vai farrapar com a outra. Pelo contrário, aí é que o camarada quer mostrar serviço. Dei uma gargalhada e concordei mais uma vez. — E sabe de uma coisa? Hoje quem não tiver pensamento positivo e não quiser apoiar os noventa minutos, é melhor ficar em casa vendo pela televisão ou escutando pelo rádio. Quero lá saber de jogador, treinador, diretor, essas porras. Eu sou é Santa Cruz. Apertei a mão de Ivonaldo e dei uma ajuda para ele comprar o ingresso. Hoje, eu vou é pro...

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Rafael, 5 anos de amor e paixão pelo Santa Cruz
set26

Rafael, 5 anos de amor e paixão pelo Santa Cruz

Quando a gente perde de maneira vergonhosa, me bate um misto de raiva, tristeza, baixo astral e irritação. Ontem foi de um jeito que até me esqueci da temática do aniversário de Rafa. A fihca só caiu, quando vi a primeira dama e minhas filhotas devidamente uniformizadas. “Oxente, é pra ir com a camisa do Santa Cruz?” Nem precisou de resposta, vesti minha camisa e nos mandamos pra festa. Seguimos para um campinho society em Campo Grande. No banco de trás, as meninas riam da minha briga com o GPS. “A 200 metros, vire à direita”. “Virar à direita? Viro nada. Eu vou é em frente”. No percurso, o Estádio do Arruda embeleza a paisagem. Comentei com Alessandra sobre a mobilização que vários músicos estão fazendo para o jogo da quarta-feira pela Sulamericana. Estão montando o Orquestrão Tricolor. Já são mais de cem músicos confirmados. “No dia que esse Santa Cruz acordar, ninguém segura ele. São poucos os clubes que tem a nossa força”, ela disse. As meninas disseram que estavam com saudades do Arruda. O GPS indicou para virar a esquerda e logo em seguida virar à direita. Eu segui em frente e virei à esquerda. Chegamos à festa. Até o porteiro do campo society estava vestido do Santa Cruz. Era Daniel, que também é porteiro do colégio de Rafa e das minhas meninas. Qualquer dia, eu escrevo sobre Daniel. Sempre que a gente vence, silenciosamente ele tira a sua onda. Bota a camisa do Santa Cruz por baixo da farda e recebe todos com o mesmo sorriso de sempre e o mesmo bom dia. É impressionante a capacidade que Daniel tem de saber o nome de todos os alunos. A mesa da festinha de Rafa tava uma beleza. O Santa Cruz em todos os lugares. O painel, as camisas que Refael tem do Santa Cruz. Desde a primeira roupinha até a de hoje. O gramado estava quarado de pirralhos. Meninos e meninas jogando futebol, pula-pula, piscina de bolas e brincadeiras. Uma farra. Lá pras tantas, um telão mostrando imagens de Rafael. Nos jogos, nos treinos, com  jogadores. Néris, Grafite e outros gravaram mensagens pro aniversariante. Acho que tinha umas oitenta crianças. Um bocado do Santa Cruz, outros da turma da Abdias e dois da barbie, a prima de Rafa e um amiguinho dele. Coisa linda o aniversário de Rafael. Futebol no seu mais belo formato. Sem preconceito de cor, sexo ou...

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O velho espírito latino.
set23

O velho espírito latino.

Nós somos, antes de tudo, latinos. Nossos antepassados possuem um pé lá na Roma Antiga. Latino designa tanto o povo romano como sua cultura. Falavam o latim que seria o idioma a partir do qual surgem o português, o espanhol, o francês e o italiano. Mas os romanos possuíam algumas características essenciais: eram conquistadores, guerreiros por natureza, desbravadores, destemidos e disciplinados. O exército romano ficou famoso por sua ferocidade e poder. O povo romano seria a torcida, os espectadores que gritam, xingam e brigam por seus direitos. Dependem das decisões de seus líderes, mas vibram pela vitória do império. Roma era governada pelo Imperador. Seria como o presidente de um time de futebol. Ele decidia as grandes estratégias em linhas gerais que seriam seguidas. O senado poderia representar os diretores e a equipe técnica. Os senadores debatiam as melhores ações para Roma. Mas Roma dependia de seus guerreiros. O general seria algo como o técnico. É aquele que conhece seus comandados e é respeitado e amado por eles. Executa no campo de batalha – ou campo de futebol – as estratégias antes estabelecidas. Analisa as fraquezas e virtudes de seus inimigos antes de decidir atacar. Os legionários eram os soldados que enfrentavam a morte no campo de batalha. Seriam os jogadores numa partida de futebol. A legião romana era formada por três tipos de soldados – ou ataque, meio de campo e defesa. Eram os hastados, os príncipes e os triários. Defesa e ataque deveriam estar sincronizados para obterem sucesso nas batalhas e na guerra. O Santa Cruz é muito latino. Não apenas porque estamos na Sul-Americana, mas por sermos uma nação. Uma nação com esse sangue latino antigo: somos guerreiros, destemidos e acreditamos sempre. Perdemos a batalha de Medelín, mas não a guerra. Infelizmente, vem sendo recorrente o desentendimento entre nossa força de ataque e nossa defesa. O Santa Cruz é latino por ser essa tradução viva de batalhas e guerras contínuas. Neste domingo que se aproxima teremos mais uma batalha. O inimigo, o Figueirense, é nosso adversário direto na briga pela permanência na elite guerreira. O campo de batalha, o Orlando Scarpelli, será palco de uma batalha aguerrida e sangrenta. Torcer para que o general Doriva entenda que já está na hora de fazer um milagre estratégico e bélico para acabar com os erros infantis de nossa defesa. Basta de levar gols nos finais das partidas. É preciso exigir atenção. Torcer para que o nosso ataque continue mantendo a média de gols. É preciso atacar e destruir – no bom sentido – para se ganhar a batalha. Como diz Gerrá, somos uma nação santacruzense das bandas do...

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Recife-São Paulo-Bogotá-Medellin
set21

Recife-São Paulo-Bogotá-Medellin

Mal acabou o jogo, aquele no qual eliminamos a turma da Abdias da Sulamericana, Gustavo e Leo compraram suas passagens para Medellin. Nem sabiam se o nosso adversário nas oitavas de final seria o time de Pablo Escobar. Beto e Osmar preferiram esperar pelo jogo da volta entre o Luqueño e o Independiente. Depois do apito final, correram para o computador e marcaram suas viagens. Ano passado, esses quatro cabras também estiveram presentes naquele inesquecível  jogo contra o Botafogo no Rio de Janeiro e trouxeram a vitória, 3 a 0 pra nós. Ontem, eles arrumaram as malas e se mandaram pra Colômbia. A aventura começou logo cedo. Recife-São Paulo-Bogotá-Medellin. Às 14h30 da tarde estavam em São Paulo. Por volta das 18h30, pegaram o voo para Bogotá. E às 22h30, embarcaram para Medellin. Entre despachar, pegar bagagens, subir e descer, umas quinze horas para chegar onde o Santa Cruz estar. Para passar o tempo, cerveja, petiscos, cerveja, petiscos e mais cerveja. Em Bogotá devem ter enchido a cara de Club Colombia. Perto de uma hora da madrugada, o quarteto tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, chegou ao hotel. “Gerrá, pense numa aventura!” – falou Beto pelo zap. “A viagem?” – eu perguntei. “A viagem foi boa. A ida do aeroporto para o hotel é que foi doideira” – ele respondeu. Capital da Antioquia, Medellín é uma cidade que fica localizada dentro de um vale, o “Valle de Aburrá” – ele respondeu. O aeroporto de lá fica numa cidade vizinha, Rionegro. Rionegro está a 2.143 metros de altitude. Já Medellin está 1.616 metros acima do nível do mar. Pois bem, o sujeito precisa descer uns 500 metros para chegar à capital da província de Antioquia. Ao invés de Uber, o quarteto decidiu pegar um táxi. Logo que saíram do aeroporto repararam que o taxista estava bocejando e enfiando o pé no acelerador. E aí, começaram as superdosagens de adrenalina. “Meu velho, pense numa torada! A parte aérea foi tranquila. Só que o Aeroporto daqui fica longe pra caralho. E parece que fica no céu. Você tem que descer por uma estrada cheia de curvas perigosa. Puta-que-pariu, só na base do calmante. O taxista era um maluco. Foi foda!” – mandou, Leo. “Lembramos daquelas tomadas aéreas que está na abertura de Narcos, com a vista da cidade dentro do Vale. Em vários momentos do trajeto, vimos aquilo.” – escreveu, Osmar. “Rapaz, eu algo equivalente a quatro descidas do Cristo Redentor. A porra do motorista tava com sono. O doido fazia as curvas quase batendo na mureta de segurança. Já no fim, ele deu uma cochilada e Osmar deu um grito: TRIIIII!...

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