Derrota amarga
jun27

Derrota amarga

Por Zeca* A derrota tem um sabor amargo. Ainda mais quando seu time joga bem, perde uma porrada de chances de fazer um gol e sai perdendo. Pior: amarga a segunda-feira na zona de rebaixamento. Creio que esse jogo contra o Corinthians se pareceu e muito com o jogo contra o Flamengo. Isso é sintomático e preocupante. Samarone me ligou no sábado à tarde: “E aí, Zeca. Vais assistir ao jogo onde?”. “Aqui em casa, respondi, vem pra cá”. Para surpresa geral, eram quase 7 da noite e ainda estávamos sóbrios. Preparei o tira-gosto e deixei umas cervejas gelando. Sama chegou com mais umas para ajudar a assistir a partida. Zapeando os canais, descobrimos que o Premiere FC estava cobrando 90 reais para transmitir o jogo do Santinha. Sama ficou desesperado: “E agora? Como vamos fazer?”. Eis a grande vantagem do mundo digital: conectei o notebook à TV e descobrimos um site que estava transmitindo o jogo ao vivo. Maravilha! O time do Santa jogou de igual para igual contra o Corinthians. Mais uma vez Grafite mostrou porque é artilheiro. Mas uma andorinha só não faz verão e parece que a frase mais dita atualmente está se voltando contra o mais querido: O inverno está chegando. Nossa zaga precisa de uma reforma urgentíssima. E o meio-campo e o ataque precisam de reforços. De outro modo, estaremos fadados a amargar o rebaixamento. Tomamos umas serotoninas (cana) para espantar o amargo de mais uma derrota. Essa estranha sensação de impotência é algo que está começando a se tornar grave. Se esses resultados começarem a se repetir, é bem possível que meu fígado velho comece a reclamar de tanta pressão. Seguimos a noite bebendo e discutindo os destinos futebolísticos de nosso Santinha. Será que aquela tristeza que pairava no Arruda mesmo antes do jogo começar  contra o Flamengo será a tônica daqui para a frente? Esperamos que não. Mas é preciso administrar a situação de forma inteligente e estratégica. Assim, já bêbados e putos da vida, xingamos quem foi possível e pensamos nas pedreiras que estão por vir. A questão me parece simples: é preciso reunir todo mundo e começar a traçar metas claras. Caso contrário, o fim dessa jornada vai ser muito mais amargo do que uma simples derrota. *Filósofo da Boa Vista e...

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Bora Santa Cruz!
jun23

Bora Santa Cruz!

Sejamos justos. Alírio Moraes já tem seu nome escrito na lista dos maiores presidentes do Santa Cruz. A gestão de Alírio é uma grata surpresa e já nos proporcionou alegrias que nunca serão esquecidas. Ver o Santa Cruz levantar a taça em Campina Grande, na decisão do Nordestão, para sempre ficará na nossa memória. Poucos, talvez quase ninguém, acreditava que seríamos vice-campeões da Série B, que ganharíamos o estadual  e que levantaríamos a taça de campeão do Nordeste, carimbando assim, uma vaga na Copa Sulamericana. Sejamos realistas. Com esse elenco que está aí, dificilmente vamos nos segurar na Primeirona. Se levarmos em consideração a seguinte equipe: Thiago Cardoso, Vitor, Néris, Danis Moraes e Thiago Costa; Uilian Correa, João Paulo e Lelê; Artur, Grafite e Keno, veremos que é o time que disputou o campeonato pernambucano e a copa do NE. Não nos reforçamos. Apenas contratamos jogadores que chegaram para complementar o elenco. É notório a limitação do Santa Cruz. Basta algum dos melhores sair ou não jogar bem, que fica claro a falta de substitutos a altura. Mudar taticamente é quase uma missão impossível para Milton Mendes. Não faço a mínima ideia do poder de fogo que temos para contratar. Não sei nem quanto custa para se trazer bons jogadores. Mas, vendo o Santa jogar, fica a impressão que atingimos o nosso limite e não sairemos disto que estamos vendo. Ficaremos sempre na dependência do nosso artilheiro. Se ele não fizer, se estiver em um dia infeliz, não há mais ninguém quem faça gol. Não temos um bom meia-armador, por mais vontade que tenha, o esforçado Lelê não tem o futebol que precisamos. Esperar que Leandrinho, Walyson e outros sejam a solução dos nossos problemas, é somente alimentar a esperança que sempre está tatuada no coração do torcedor. Hoje tenho a opinião que, com esse elenco aí, não tem treinador que consiga algo melhor do que Milton Mendes. Mas ainda há tempo. Faltam, se não me engano, vinte e oito rodadas. Já vi time fazer uma pífia campanha o primeiro turno e no returno e chegar nas cabeças. Torço, rezo e faço macumba para que Alírio e cia. tenham bala na agulha e contratem alguns reforços. Mas que sejam realmente bons jogadores, porque de apostas e contratações o time já está bem lotado. Como bem disse um torcedor, hoje de manhã na feira de Casa Amarela, “a cobra está murcha, mas ainda dá tempo para ela crescer”....

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Contando com a velha garra tricolor
jun20

Contando com a velha garra tricolor

Texto enviado por Zeca, o filósofo da Boa Vista O futebol é um esporte competitivo. Mas no capitalismo selvagem globalizado contemporâneo, tornou-se uma questão de investimento, administração, fluxo de capital, parcerias e visão de futuro. No último jogo do Santinha contra o Palmeiras, vislumbramos uma disparidade não apenas dentro de campo, mas fora: enquanto a folha do mais querido gira em torno de 950 mil, a do Palmeira gravita em torno de 11,5 milhões. Esse abismo financeiro se soma a questões como escolha correta do elenco e do técnico, diretoria afinada com a equipe técnica, entrosamento do time, apoio da torcida e motivação. Não que o retorno de Grafite, Keno e Néris não tenham sido bem vindos. Mas essa distância no montante salarial também reflete quando a questão é montar um elenco competitivo e que possa fazer substituições em situações emergenciais. O gol de Grafite contra o Verdão demonstrou que temos o homem certo no ataque, mas nossa defesa deixou muito a desejar – inclusive acredito que o primeiro gol foi não só falha da zaga, mas de nosso paredão. Com a derrota, ficamos na 13ª posição, a 3 pontos do Z4. E o futuro? Com as ausências de Néris e Uilian contra o Flamengo no Arruda, não é de se estranhar que Milton Mendes peça urgência para  novas contratações. Esta corda bamba em que o elenco do Santinha vive irá se repetir por toda a Série A – muitos torcedores já escreveram aqui que não é uma competição fácil. E não é mesmo: é dificílima, na verdade. Diante de uma realidade financeira que nos impõe limites, cabe ao torcedor confiar na administração do clube, na inteligência estratégica de nosso comandante, no compromisso dos jogadores e, acima de tudo, na velha e boa raça tricolor. Foi essa velha raça, essa antiga e histórica garra tricolor que nos colocou aqui. E creio que é uma das armas essenciais pra nos manter nesta tão sonhada Série A. Na próxima quarta irei chamar meu amigo Samarone para irmos ao Arruda e tomarmos uma antes, durante e depois do jogo. Mais uma pedreira pela frente: a folha do Flamengo é de 2 milhões. Temos que descontar essa diferença na raça. Haja coração....

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Santa Cruz ganha mais um título
jun14

Santa Cruz ganha mais um título

Texto enviado por Alexandre Amorim, o nosso embaixador em Vitória da Conquista Daniel, André, Ítalo, Kiko, Galeguinho, Amaral, Anderson, Lucas e Hernanes, Beto é o treinador. Esta é a escalação do “Mais Querido”, do “Terror do Nordeste”, do campeão de tudo o que disputou este ano. Lucas é craque do time. O goleador, o matador, aquele que deixa qualquer zagueiro com dor na coluna. É o cara que resolve. Na decisão, o Santa perdia de 2×0 para o Conveima, Lucas foi lá e fez os dois gol que levaram o jogo aos pênaltis e, consequentemente,  ao título do Campeonato do Boa Vista 2016. Como se não bastasse ainda tem Kiko, zagueirão estilo Amarildo. Este o Santa Cruz de Conquista. Time que surgiu há mais de 20 anos no humilde bairro que leva o mesmo nome nesta cidade baiana. Assim como aquele grupo de amigos o fizeram nos arredores da Igreja no bairro da Boa Vista em Recife, há mais de 100 anos atrás. Por um bom tempo, era apenas conhecido como o time do bairro de Santa Cruz. Mas em 2009, naquele nosso pior momento, resolveram homenagear o Santa Cruz de Recife. Com lágrimas nos olhos, Yuri, um dos diretores do time, me explicou que eles se identificam muito com a humildade e a garra do Tricolor pernambucano. Me tornei torcedor, amigo e colaborador do Santa Cruz de Conquista. Como vivo desfilando com o Manto Sagrado Coral pelas ruas da cidade, e onde passo todos sabem da paixão que tenho pelo Santinha, fui procurado ano passado por Tiago (atleta e também coordenador do grupo) para ajudar na confecção dos novos uniformes, que segue fielmente os usados pelo original pernambucano. Estampei a marca da funerária nas costas das camisas cinza, igual a do nosso paredão e também nas que foram confeccionadas para a torcida. Aqui onde moro os campeonatos e torneios locais são muito disputados. Alguns times são bancados por microempresários e muitos dos jogadores são pagos. Com isso, o que vemos é um verdadeiro vai e vem no mercado de atletas. Quem joga hoje em um time, amanhã poderá jogar em outro. Caso que não acontece com o Santa Cruz de Conquista, pois eles fazem questão de permanecerem juntos, com todas as dificuldades e limitações, mas valorizam cada atleta (a maioria do próprio bairro) e nenhum deles é remunerado. Como eles dizem: nós somos a “Família Santa Cruz”. Até fanpage eles tem. Basta procurar no facebook por Família Santa Cruz, que vai encontrar rapidinho. Um fato que me emociona é que não se trata apenas de uma homenagem ao Santa Cruz de Recife, pela coincidência do nome do bairro....

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Amor Tricolor
jun11

Amor Tricolor

Texto enviado por Zeca*, o Filósofo da Boa Vista O amor é uma coisa complicada. Um amigo me contou a estória de um compadre que saiu para tomar umas com os amigos numa sexta à noite. Deixou a esposa e as duas filhas em casa. Sábado seria o dia dos namorados e ele não poderia vacilar. Mas a noite foi se prolongando e ele terminou bebendo todas. Pior:  arranjou uma namorada avulsa e a levou para seu carro. No sábado – já dia dos namorados – ele acordou com sua esposa enfurecida batendo no vidro do seu carro que estava estacionado no prédio. Para sorte dele, sua namorada tinha ido embora, mas ele estava de cueca e com uma ressaca dos infernos. “O que você está fazendo de cueca no carro?”, berrou sua esposa. Ele se lembrou da noite insana e na hora veio a solução: “Quem é você? O que estou fazendo aqui?”. Fingir uma crise de amnésia exige a maior cara de pau de todas. E sangue frio. O cara mentiu tão bem que foram ao médico. Ele conversou em particular com o doutor que, sendo solidário com o paciente, diagnosticou uma perda temporária de memória. Sua esposa, de irada e pronta a matá-lo, se transformou na pessoa mais carinhosa do mundo. O amor é complicado e exige exclusividade. Não sei vocês, meus amigos, mas neste dia dos namorados que se aproxima, creio que terei que inventar alguma saída diante do fato inegável: o amor ao Santa Cruz. Minha esposa vai exigir jantar e uma noite romântica – mesmo sendo dia dos namorados – e meu desejo será estar no Arruda. Vou convocar todos os santos, filósofos, sábios,  malandros e experts na arte de argumentar.  O Santa Cruz também exige exclusividade e seu amor é anterior a quase tudo. Não poder ir ao Arruda é um sacrilégio, mesmo sabendo que algum gênio da CBF colocou o jogo às 19:00 horas – esse cara deve ter a mãe na zona, só pode. Santa e Santos. Não vi o jogo – tinha apenas 2 anos na época – mas não tem como não fazer referência aos 3×2 que o Santinha meteu no time de Pelé. Gols de Ramon e Luciano. Os tempos são outros agora. O Santinha precisa vencer para que o time e a torcida mais apaixonada do Brasil possa voltar a sorrir. Além da preocupação de não contarmos com Milton Mendes que está em Portugal – ele vai ficar? – e com a triste e preocupante possibilidade de Grafite e Keno não jogarem (apesar da ausência de Ricardo Oliveira, Gabriel e Lucas Lima no lado do Peixe),...

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