Campina Grande, aí vamos nós!
abr28

Campina Grande, aí vamos nós!

Foram doze dias fora. Batendo pernas, comendo, bebendo, conhecendo gente e visitando lugares. Só eu sei a agonia de estar distante do Arruda numa fase tão boa como esta. De longe, sem conseguir ficar conectado em todos os momentos, passei por picos de ansiedade e angustia. No dia do jogo contra o Bahia, eu e minha mulher vestimos nossos mantos sagrados e saímos para passear. O tempo foi passando e o Santa Cruz martelando nas nossas cabeças. Olho para o relógio que ainda marcava a hora daqui e vejo que o jogo havia começado. Do nada, senti a palma da mão molhada. Como quem estava cronometrando a partida, fiquei olhando de instante em instante o meu “cronometro”. Dei os devidos descontos e as seis em ponto falei para Alessandra: “o jogo acabou”! Daí para frente, ficamos feito aqueles protagonistas da propaganda em que os caras entram numa pizzaria e um deles tenta entrar na rede wi-fi do estabelecimento e o outro fica enrolando o garçom com uma conversa sem pé, nem cabeça. Era assim a gente. Depois de umas quatro ou cinco tentativas sem sucesso, pegamos um táxi e voltamos para o hotel. Naquele momento, passeio nenhum era mais importante do que saber do resultado do jogo. Quando vi 1 a 0, gol de Grafite, me bateu uma saudade daquelas. Lembrei de um monte de gente, mandei uns zaps e fomos comemorar. Da noite do domingo para a noite da quarta-feira, não tinha restaurante, não tinha museu, nem novidades que tirasse nosso pensamento da partida contra a barbie. Os amigos, o Arruda, a movimentação era o que nos vinha à mente. O tempo, esse insistia em não passar. Na quarta-feira, no dia do primeiro embate da semifinal do pernambucano, pra não ficarmos feito dois doidos atrás de wi-fi, voltamos para o hotel a tempo de ver logo o resultado. “Carajo, ganhamos de 3 a 1. Puta que los pariu!” – eu gritei. Pulamos feito loucos no saguão do hotel. O cara da recepção sem entender nada, nos aplaudiu. Usando um portunhol, expliquei a ele que “nuestra equipo estava quasi em las finales de campeonato estaduale”. Nessa hora, me lembrei de El Cabrón, que em outras épocas era figura assídua nos comentários do blog. No último domingo, apesar de estarmos mais tranquilos, o roteiro foi praticamente o mesmo. Saímos para as últimas turistadas e no roteiro estava voltar para o hotel no máximo até às 19h de Brasília. Para nossa sorte, onde a gente tava havia internet grátis e praticamente acompanhei todo o segundo tempo. Ali mesmo, pedimos uma cerveja e brindamos. Interagi com o sorridente garçom. Mostrei a ele...

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A loucura voltou

Por Amil Enoramas, novo cronista coral. Amigos corais, como assumi recentemente a coordenação de conteúdo do Mais Querido, estou impedido, eticamente, de ficar escrevendo no Blog do Santinha, que sempre foi independente. Então tive uma idéia muito interessante: criei um pseudônimo (Emil Enoramas). Ninguém da diretoria vai associar este pseudônimo ao meu nome. De formas que posso escrever sobre nossa loucura coral. Ela voltou! Sempre rezei com mil velas acesas, para que parassem aquela doidice de ingressos a R$ 40,00 e R$ 20, separando a arquibancada inferior da superior. Quem paga R$ 40,00 para ver um jogo do Santa às 21h45 está, no mínimo, empregado e tem como voltar pra casa. Quem paga R$ 20,00 no andar de cima, está corroendo seus R$ 880,00 do salário mínimo e vai voltar pra casa nos poucos ônibus lotados ou, não se enganem, a pé mesmo. Colocar o andar de cima (que, no Brasil, é o andar de baixo) a R$ 5,00 foi coisa de gênio. Não vou citar coisas dos bastidores, porque posso ser demitido antes de ser aprovado nos três meses probatórios. Mas o Santa Cruz F.C. acaba de assinar um tratado de sociologia, de história do Brasil, de leitura da realidade. É isso! Temos um estádio gigante, uma torcida gigante, sedenta por futebol, e ficávamos dando bobeira. Resultado: Mais de 40 mil apaixonados cantando e gritando. Uma coisa linda, contagiante, que estava fazendo falta. A torcida da barbie, digo, Nautico, ensaiou uns miados, uns gritinhos, mas foi engolida pela massa coral, enlouquecida. Vi pela primeira vez, em dezenas, centenas e milhares de anos no Arruda, o treinador fazer o “T” para a massa coral. O “T” que fazemos instintivamente, em qualquer lugar do mundo, unindo o punho da mão direita no osso do braço esquerdo, para nos identificarmos. Milton Mendes fez isso. Melhor. Ao final do jogo, a massa coral gritou “Ah, é Milton Mendes!” Eu sei que o cara é durão, mas até os durões amolecem, numa hora dessa. O cara deve ter pensado: Como é que não vim pra cá antes? Como estou substuindo o senhor Samarone Lima, me dou ao direito de escrever sem rumo. Vocês viram o que eu vi? Que zagueiro é aquele, o Néris? Por que só agora o homem pode mostrar sua técnica, seu posicionamento sempre na medida? E as triangulações de João Paulo com aquele galego que agora esqueci o nome, que já nasceu com a bola nos pés? O time é outro. Tem foco, raça, toca a bola, está cheio de confiança e jogando muito. Nem parece aqueles desalmados da era Martelote, no início do ano. Sei que vocês devem...

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Mudanças no Blog do Santinha

Amigos corais, Desde que fundamos este glorioso Blog do Santinha (eu e meu amigo Inácio França), em 2005, escrevemos sobre tudo e todos. Criticamos, reclamamos, louvamos, celebramos, descobrimos figuras inesquecíveis. A crônica, a conversa de boteco, os casos mais inacreditáveis, fazem parte desta jornada. Para melhorar, pescamos da Categoria de Base Coral (CBC) o senhor Gerrá Lima, que nasceu um cronista de primeira, com sua coleção de personagens dos subúrbios. Agora vivemos um momento especial. Depois das agruras no subsolo do futebol brasileiro, ressurgimos das cinzas e voltamos à Série A. Avançamos na Copa do Brasil. Estamos nas semifinais do Estadual (rumo ao bicampeonato) e nas finais da Copa do Nordeste. Como diz o povão: Dá pra tu? É justo neste contexto, que preciso me licenciar do Blog do Santinha, a exemplo do senhor Inácio França, há alguns meses. O motivo é profissional. Hoje assumo a “coordenação de conteúdo” do Santa Cruz Futebol Clube. Significa que deixarei de ser apenas o reles torcedor coral, que escreve crônicas, desabafa suas dores e delícias, que reclama do acesso ao estádio, dos cambistaas, e passa a acompanhar tudo o que é produzido para o site coral e as redes sociais. Vai ser um trabalho no minimo instigante, porque de rede entendia mesmo era a da sala de casa, aquela que faz nheeec nheeec no armador. Hoje mesmo, terei que providenciar o afamado zap zap, para me comunicar melhor com a equipe de profissionais que trabalham na comunicação do Santa. Conversei com o também blogueiro do Santinha, senhor Gerrá Lima e avaliamos que é melhor que eu me afaste do cargo de colunista coral. Ele poderia perder algo que é fundamental – e que o mantém vivo até hoje – sua independência. Não posso, também, servir a dois senhores. Enquanto estiver neste novo trabalho, voltarei aqui como visitante. Gerrá Lima, que está fazendo uma viagem à Colômbia, já começou a sondar possíveis novos cronistas. Quanto ao meu novo trabalho, estarei novamente em dupla com o grande amigo Inácio França, que há alguns meses vem contribuindo com sua nteligência privilegiada na busca de soluções criativas para os entraves e encaminhamentos do clube. A minha esperança é que esta dobradinha com o senhor Inácio França proporcione, ao Santa Cruz, as alegrias e descobertas que o Blog do Santinha proporcionou aos seus leitores e torcedores. Um abraço e obrigado por...

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O Santa Cruz voltou!
abr14

O Santa Cruz voltou!

Eu não lembro se já havia visto aquele rapaz em algum jogo. Acho que não, pois nunca fico naquele lugar. Vestido com o manto sagrado, ele estava bem na minha frente, em pé, encostado na mureta. Mal bateram o centro, o nobre tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, balançou a cabeça de forma negativa e se virou pra trás com cara abusada, olhando para um rapaz que estava sentado praticamente na minha frente. O jogo seguiu. Na primeira bola que Grafite perdeu, Cara Abusada se virou de novo, olhou para o amigo, abriu os braços e falou: — Num tou dizendo! Essa frase foi a senha que fez com que eu percebesse que Cara Abusada faz parte da turma que elegeu nosso atacante para crucificar. Allan Vieira fazendo suas lambanças, mas Cara não dizia nada. Artur jogando um futebol insosso, mas Cara não reclamava. A função de Cara Abusada era de vigiar Grafite. O objetivo era de meter o pau no negão. Teve um lance que foi cômico. Bola no meio campo, algum dos nossos mete um tijolo para Grafite, ele não consegue dominar e Cara Abusada dá uma dedada em direção ao nosso campo de ataque. Ao meu lado, um gordinho gente boa, que se tornou meu amigo, comenta: — Grafite hoje faz gol! Eu respondo: — E Keno, também! Não sei por que, mas desde aquele jogo contra o Ceará, o primeiro embate aqui no Arruda, eu virei torcedor de Keno. Talvez seja a influência de Milton Jr. Milton sempre fala bem do futebol de Keno. Com a sua voz mansa, não cansa de repetir, “rapaz.., eu gosto do futebol de Keno”. Pois bem, o jogo seguia. Levamos um gol. Cara Abusada ficou mais mal humorado ainda. Pelo visto, a culpa do gol que levamos foi de Grafite. Lembro de dois lances do nosso camisa 23. Na entrada da área, ele deu um drible no zagueiro e foi derrubado. Falta e o adversário levou amarelo. Cara não esboçou nenhuma reação. Parado estava na mureta, parado ficou. Grafite mete uma bola de calcanhar para Keno. Um lance lindo, merecedor de aplausos. O abusado torcedor ficou estático. Mas Grafite perdeu uma bola. Cara xingou. Grafite estava impedido. Cara reclamou.. Grafite cabeceou errado. Cara Abusada repetiu seu gesto: se virou, olhou para o amigo, balançou a cabeça negativamente, abriu os braços e repetiu: — Num tou dizendo. Foi quando Keno escreveu seu nome. Saiu driblando tudo que via pela frente e fez um golaço. Fomos ao delírio. Meu cunhado Flávio, sem óculos e sofrendo por causa da miopia, gritava: — que gol do caralho! O meu amigo gordinho, quase...

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Palpites felizes
abr13

Palpites felizes

Sou invocado com o Allan, sujeito que tem uma lan house + empresa de xérox, aqui no centro. Sou um sujeito que ainda usa lan house e tira xerox. Dia de jogo importante, ele vem com um papo de “sei não, professor, acho que amanhã vai ser apertado…” É um tal de 1 x 1, 1 x 0, que dói nos ouvidos. Fora as previsões: “Tás sabendo que João Paulo vai para a Inglaterra”? Notícia ruim ele sabe antes do presidente. Sobre isso, nem quero comentar. João Paulo é o craque do time, disparado. E tem raça. Não para um minuto em campo. Cheguei hoje par tirar a xérox de um documento, ele foi fazendo a previsão para o jogo contra o Bahia: “Professor, hoje contra o Bahia é 3 x 0, pode anotar o que eu digo”. Tomei foi um susto. Puxei minha cadernetinha e anotei. Gol de quem? Ele fez um silêncio compenetrado e me ditou a súmula: “Keno, Grafite e Dênis Morais”. Todo mundo na lan house ficou sem acreditar. O pessimista animado assim? “É que Denis Moraes gosta de fazer gol no Bahia”. ** Liguei para Gerrá, nosso cronista do povão coral. “E aí, Gerrá, tens texto pra hoje?” “Tou sem tempo nenhum. Tinha até um mote: o otimismo do supervisor de segurança aqui do Trabalho, Gilvan. Pra Gilvan não tem tempo ruim. O Santa Cruz sempre ganhará”. “E pra hoje, o que foi que ele arriscou?” “Ôxe. Logo cedo ele gritou – E hoje?” “Ele emendou a resposta – é 3 a 0 – três gol de Grafite” Eu disse: “Dois dele e um de Keno”. Gilvan fez um legal pra mim. Então, meus amigos, é separar a camisa, a bermuda, cueca, radinho de pilha, fone de ouvido, fazer as mandingas de sempre e seguir para o Arrudão. Pelos palpites felizes coletados por este afamado Blog, vai ser 3 x 0 para o Santa. E Grafite vai se dar...

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