Agora é camisa
mar30

Agora é camisa

Na minha frente, um desses portais de noticias me diz que, em três meses, o preço do quilo do salmão passou de 26 reais para 39 reais. Para mim, isso não tem a menor importância. Hoje, o que importa é o jogo do Santa Cruz contra o Iracema Ceará Clube. Pelo visto, o tempo vai melhorar. Mas isto também não importa. Torcedor que é torcedor não tem medo de chuva, muito menos de tempo ruim. A hora é de deixar o mimimi de lado, guardar as cornetas e partir para o Arruda. Não importa se o zagueiro é lento, se o lateral não saber correr ou se o atacante é cego. O jogo é mata-mata e não tem espaço pra resenha esportiva, nem para racionalidade. É grito, é apoio, é jogar junto. Do apito inicial ao término da partida só cabe uma ação: torcer! Lembro de um torneio que disputei.  Toda sexta, a gente jogava uma pelada num society onde hoje vão construir um prédio. Quando chegava o final do ano, a turma organizava um torneio de confraternização. Nos dividimos em quatro times e a tabela era bem simples: quatro times, dois jogos e cada vencedor fazia a final. Vencemos a primeira partida numa cagada daquelas. Perdíamos de 2 a 1 e no último minuto, depois de um bate rebate, empatamos. Fomos para os pênaltis e ganhamos. O nosso esquadrão era o mais franco. No gol, Seu Paulo. Baixinho e barrigudo, Seu Paulo dizia que já tinha treinado no Sete de Setembro. A verdade é que Seu Paulo levava cada gol safado arretado. Não lembro bem quem era a zaga. Sei que no time tinha eu, Rosinaldo, Dudu, Carlito, Morcego e Cara Pálida. Junior Fake também era um dos nossos. Pegamos na final o time de Mirandinha. Com cinco minutos do primeiro tempo, lateral para eles. A bola é lançada na nossa área e Seu Paulo inventa em sair do gol, mas perde o tempo da bola. Gol de Mirandinha. Aos trancos e barrancos, no esquema “do pescoço pra baixo é canela”, seguramos o placar. No intervalo, entre uma água e outra, a palavra mais pronunciada por mim e Rosinaldo era: pau, raça, sangue, vontade. Rosinaldo foi curto e objetivo: “quem tiver cansado pede pra cagar e sai!” Eu chamei Carlito do lado e orientei: ‘aquele boyzinho, o magrinho que tá no meio, pau nele que ele amarela. Eu sei que tu sabe bater!” Na primeira oportunidade, uma bola dividida perto da nossa área, Carlito tirou o boyzinho da partida. Nosso jogador levou apenas um amarelo e ouviu o juiz pedir calma. O jogo seguia truncado, quando numa falha...

Leia Mais
Milton Mendes, bota essa turma para jogar bola!
mar28

Milton Mendes, bota essa turma para jogar bola!

Gerrá me mandou uma matéria sobre o novo treinador do Santa, Milton Mendes. Ele apareceu numa entrevista coletiva usando um capacete, já que sua cabeleira tinha sido cortada pelos jogadores do Atlético Paranaense, após uma vitória importante. Gostei disso. O Santa precisa de um sujeito que dê uma sacudida. Não dava mais para ver o treinador cabisbaixo, dizendo que o time estava sem pegada. Mas eu também não queria o tal do Lisca Doido, que nunca me enganou. É um treinador bem meia boca. Por sinal, meus informantes em Fortaleza informaram que, após minhas críticas, ele foi sumariamente demitido. Não sei nada ainda sobre o Milton Mendes, só que teve uma sólida participação no Atlético Paranaense e parece saber motivar bem o elenco. Outro informante, desta vez na Europa, me disse que ele fez todos os cursos oferecidos pela FIFa, UEFA, Barcelona etc. E o homem, pela foto, tem uma cara de brabo que nos faltava. Martelotte estava parecendo aquele diretor de escola que nem aluno novato respeita. Se usa capacete, boné, se treina usando galochas, se é cristão, evangélico, judeu, muculmano, eu não tenho a menor idéia. Se dá esporro em jogador até quando joga bem, se gosta de comer só feijão com farinha e torresmo, se detesta Coca Cola, não tenho a menor idéia. Não quero muitos detalhes. Se algum leitor deste afamado Blog tiver alguma informação complementar, pedimos que nos envie. O importante é que este homem precisa colocar os pés no gramado do Arruda com fogo nas ventas, doido para mostrar serviço e fazer aqules escondidinhos do futebol darem as caras. Os jogadores profissionais, sub 20, 2ub 17, sub 10, sub 9, sub 5, sub-bêbê devem ficar atormentados com a chegada dele. “É bronca, o homem chegou!”, vai gritar Raniel, já dando a terceira volta no campo, correndo como um queniano. Já imagino a primeira preleção: “Um passe errado, chuveiro! Dois passes errados, uma semana em casa, para refletir sobre a vida! Três passes errados, pode pegar o beco!” Contra o Ceará, sinto o cheiro de levantada geral no astral do time e da torcida. Depois, uma lapada boa na coisa, digo, no Sport, para a gente embalar e tirar essas quizilas de lado. Esse negócio de torcedor do Santa desanimar nas dificuldades beira ao ridículo. A hora de empurrar o time é agora. Tenho...

Leia Mais

Síntese coral: “Ninguém corre, ninguém marca”

Assisti a pelada de ontem contra o Baêa num boteco da Boa Vista. Não sei o que era pior – o atendimento do bar ou o time do Santa. Acordei hoje pensando em algo para escrever, quando vi as reportagens com o desabafo do nosso meia, João Paulo: “Ninguém corre, ninguém marca”. Quando um jogador vem a público dizer um negócio desse, é porque as coisas estão realmente brabas. Mas é também o desabafo de um cara que joga bola, que está puto e que não se conforma. Aliás, ele é um dos únicos que está dando o sangue em campo. A indignação dele é a mesma minha, a nossa. Deve ser também da diretoria, que só faltou pedir empréstimo ao Banco Mundial, para manter a base do time que chegou voando na fase final da Série B do ano passado. Era tanta frescura para renovar o contrato, tanta exigência, que só faltou pedirem helicóptero para se reapresentar. O que temos agora é um amontoado de jogadores ciscando em campo. Um time sem alma, sem garra, sem tesão de jogar bola. Sinceramente, se classificar para a segunda fase da Copa do Nordeste na base da sorte, é demais, para um time que daqui a pouco joga a Série A. O jogo de ontem, pra mim, foi a gota dágua. Perder para o time misto do Bahêa, já classificado? Eu não sei o que fazer, mas espero que a diretoria já esteja se mexendo. O treinador Martelotte fala uma coisa alarmante: “Estamos com essa falta de confiança quase generalizada”. Então, meu filho, se você é o comandante da tropa e ela está com medinho das batalhas, pega teu boné e vai pra outro time. Hoje estou meio invocado, desculpem aí. ** Minha única atitude cívica coral, além de escrever, será me encontrar com o amigo Esequias, no Pátio da Santa Cruz, sábado, para tomar umas e seguir para a tal Ilha, para ver Améria X Santa. Com esse futebol que estamos jogando, já dá até um nervosismo. Sem jogador correndo ou marcando, com essa tal “falta de confiança”, qualquer pelada ganha ares de clássico, de épico. Espero pelo menos que a cerva esteja...

Leia Mais
Parabéns, Portão 10! Valeu, Movimento Popular Coral!
mar21

Parabéns, Portão 10! Valeu, Movimento Popular Coral!

Quando a torcida do Corinthians levantou faixas contra a Rede Globo, a CBF e a Federação Paulista de Futebol, confesso que me entusiasmei. Mesmo sabendo que por trás daquela atitude da torcida paulista, poderia haver outras finalidades além da critica, me animei e comentei com alguns amigos, que independente das intenções corintianas, o bom era que aquela atitude ecoasse nas outras torcidas. Ontem, para minha surpresa, a turma da Portão 10 e do Movimento Popular Coral mostraram atitude e foram à luta. Por alguns minutos, conseguiram estender três faixas na arquibancada inferior. “Globo vigarista”. “E o torcedor é o bandido?” “CBF + FPF = Crime Organizado”. Pode ser que alguém até ache exagerado o que está escrito. Quem pensa assim, precisa saber mais sobre sentido figurado. E mais, do ponto de vista simbólico as faixa tem um valor imensurável. Há tempos sabemos que estas entidades são as principais responsáveis por todo esse abismo que existe no futebol brasileiro, onde alguns clubes nadam no dinheiro e outros fazem verdadeiros milagres para conseguir sobreviver. A Rede Globo insiste em reduzir nosso a futebol a poucos protagonistas. Por sua vez, CBF e as Federações não se mexem contra isso. Até parece que comunga da mesma ideia. Não canso de parabenizar a rapaziada pela atitude de ontem. Até já avisei a alguns deles que se precisar de ajuda para confeccionar outras faixas, panfletos, etc, pode contar comigo. Mas duas coisas me chamaram a atenção com relação a essa história. A primeira foi a pouca repercussão que a mídia deu. Dei uma navegada nos principais portais locais e não vi nada. Não sei se os programas esportivos da rádio deram alguma ênfase. Acredito que não. Outro fato interessante foi ver alguns torcedores perto de onde eu estava, acharem que o protesto tinha a ver com esse momento que o país está passando. Santa ignorância. Mas enfim, o bom mesmo foi ouvir a torcida ecoar pelo estádio: “oh Rede Globo, vá se fuder, o Santa Cruz não precisa de você!”. Foi lindo! Parabéns Portão 10. Parabéns Movimento Popular Coral. Ontem, nós que fazemos o Blog do Santinha nos sentimos representados por vocês. Sobre o jogo, faço minhas as palavras do meu pai. “O Santa Cruz melhorou um pouco, mas ainda precisa melhorar muito”. ps: a foto é do nosso amigo Rodrigo...

Leia Mais
O que fazer?
mar14

O que fazer?

Por um momento, no inicio desta noite de domingo, achei que Alírio tinha me nomeado para o cargo de ouvidor do Santa Cruz. Foi o juiz acabar a partida e começou a chover mensagens no meu zap-zap. De tudo um pouco: diretoria incompetente. Treinador limitado. Jogador fraco. Essas coisas. Depois, assim que cheguei em casa, o meu celular toca. Era Jathyles. Cabra de primeira qualidade. Quando ele não está pelo mundo iluminando algum palco, Jathyles está sempre nos jogos do Santa. Desabafou, fez comentários, botou pra fora a angústia, falou que teria feito o mesmo que a diretoria fez, ou seja, teria renovado com a maioria e com o treinador. Fez umas sugestões e ao final me perguntou o que eu acho que deveríamos(assim mesmo, na terceira pessoa do plural) fazer. Logo em seguida, Samarone telefona para o convencional. Diretamente de Fortaleza, o poeta me pergunta o que aconteceu. Faço um rápido relato da partida. Ele faz uns comentários e repete a pergunta que o outro amigo havia feito. “Tu acha que a gente devia fazer o que?” Meus nobres, só sei que começamos o ano com a diretoria fazendo o que qualquer cidadão tricolor santacruzense das bandas do Arruda, com raríssimas exceções, teria feito. Renovar com a maioria do time que terminou o ano passado como vice-campeão brasileiro da série B e manter o técnico. Alguns podem até discordar e argumentar que o certo era logo trazer jogadores para Série A. Mas sem ainda ter a certeza de quanto teria para gastar em 2016 e com alguns débitos de 2015, seria uma tremenda irresponsabilidade terem metido os pés pelas mãos e saírem contratando sem saber se poderiam pagar. Por falar em pagar, estamos pagando em dia. Ou seja, tudo o que qualquer cronista esportivo ou qualquer torcedor de futebol defende foi feito. Base e treinador mantidos e os salários em dia. O fato é que o time mais parece um “pega na rua”. Parece um time de pelada que nunca jogou junto. E nem falo somente do jogo de hoje. Pois, fomos um time de pelada contra o Juazeirense, contra o Central, contra a Barbie, etc. Só para ressaltar, no estadual estamos brigando pela quarta vaga no quadrangular final e na Copa do Nordeste, estamos lutando para ser um dos 03 melhores segundo lugar, para só assim, podermos passar para próxima fase. Quem imaginaria que nosso inicio de temporada seria assim? Pois bem, deixei Samarone e Jathyles sem resposta. Confesso que não sei o que deve ser feito. Amanhã, quando eu encontrar algum amigo que torce pelo Santa Cruz, vou repassar a pergunta e ver se dão uma...

Leia Mais