Voltamos, a Poeira subiu!
nov22

Voltamos, a Poeira subiu!

Voltamos. Subimos. Primeira. É seriá! O povão está em festa. A poeira subiu. “Ui papai, o Santinha já chegou!”. “Ei, você aí, avisa a elite que a mundiça já subiu”. O texto de hoje será escrito por nós. Aqueles que nestes dez anos, suaram paixão e transpiraram amor. Nós que, na doença, na dor, na miséria e na tristeza, não abandonamos o Clube Querido da Multidão. Esse movimento popular chamado Santa Cruz. Parabéns Santa Cruz. Parabéns Alírio, Tininho, jogadores, comissão técnica, diretores, colaboradores, todos que fazem o Mais Querido. Zés, Marias, Severinos e Anas. Parabéns a torcida mais apaixonada do Brasil. Hoje, cada comentário, cada palavra, cada sentimento, é a nossa...

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Morte e vida Santa Cruz
nov20

Morte e vida Santa Cruz

* Texto enviado por Danilo Marinho, Tricolor Coral Santacruzense das Bandas do Arruda, exilado em São Paulo.  O meu nome é Santa Cruz, não tenho outro de pia. Mas como há muitos Santa Cruz, símbolo de sofrimento, salvação, nome de cidade, igreja, templo, colégio e até viação, passo a ser o Santa Cruz que de divisão emigra. Mas de quê morreu este Santa Cruz anos atrás, irmãos das almas, que nesta rede levastes de letra em letra até esta cova rasa e sem série? Morremos de morte matada, irmão das almas. Afinal, somos muitos Santa Cruz, iguais em tudo e na sina. E morremos de morte igual, a mesma morte que se morre de falta de vontade antes dos 15′, displicência antes dos 30′, de ódio aos 90′ e de cartolagem um pouco por dia. Desespero, pancada, silêncio e queda. Ressurreição e mais lapada, e outra queda. Crise. Assombração. Queda e mais queda. Fundo do poço, pavor da Ameriquização, medo do fim. Não podia ser a parte que nos cabia deste latifúndio. União. Povo na rua e no estádio, povo no piscinão. Maior torcida do Brasil. Cabeça em pé, trabalho, redenção.  A saga passa rapidamente na cabeça, como a subida pra a B passou pela de Caça Rato. Distante do Recife, nós Cobras Corais retirantes na Paulicéia, pouco a pouco, a cada jogo, ganhamos fama de pés quentes. Fomos a Bragança Paulista arrancar a primeira vitória fora de casa no campeonato. Ocupamos a Vila Madalena. O bar era o Empanadas, onde garçons tricolores servem generosas doses de uísque e as mais geladas cervejas para a torcida Coral. A reação estava começando. Bambeamos contra o Oeste, tudo no Santa Cruz é difícil, mas ao final fomos recompensados: poder estar nas duas partidas decisivas pra a subida. RJ era logo ali, e vimos uma vitória maiúscula. Vibramos vendo o Santinha triturar o campeão. Festa da poeira no Engenhão. E, nesta semana que está durando um século, vejo a chegada de mais Cobras Corais pra se juntar à nossa torcida por estas bandas, pra a decisão contra o Mogi. Ansiedade, insônia, agonia, movimentação. Sábado que não chega. Alugamos uma Van, veio mais gente, trocamos por um micro ônibus e o tempo não passou.  Mais memórias, mais ansiedade. Como o fim desta saga ainda não foi escrito pelas linhas da história, deixo-os com os versos finais da obra prima do poeta João Cabral de Melo Neto. O criador do Severino retirante, que foi Campeão Juvenil, jogando de center-half, pelo Santinha em 1935. E, correndo, como ensinaram os caranguejos, seguiremos na esperança e na torcida pelo começo de uma nova vida. E que seja esta a...

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Poema do Santa Cruz
nov18

Poema do Santa Cruz

Que louco fui eu Ao te escolher, Santa Cruz? Porque é raro Ser arrebatado Por um amor Que vem de tão longe. Eu, que saí de outras terras Que não tinham o teu nome Encontrei um pai, uma mãe um país, milhões de irmãos. Encontrei Meus amigos negros Meus dentes Meu sangue Meus segredos. Que tonto fui eu Ao te inscrever em meu sangue, Santa Cruz… E é tão simples Gritar o teu nome Como quem pede Um pouco de pão. Que sonho foi esse, Santa Cruz Que te sonharam há tantos anos? Os que te criaram te inventaram Com os pés descalços Como se as sandálias do destino Fossem a primeira barra Do sonho dos homens. O que criaste, Santa Cruz No peito dessas legiões Que te amam tanto? Uma primavera em plena tarde? Uma nova espécie de saudade Que nos atormenta e nos acalma? Ah, Santa Cruz… Nós que te descobrimos Somos como aqueles navegadores doidos Que encontraram terras tão lindas Que não sabiam decifrar Que não tinham um batismo para dar. Um dia Esses homens de longe Avistaram a “Terra da Santa Cruz” E aqui ficaram. Mas há outra pátria Onde moram milhões. Os que vivem Os que morrem Os que nascem Têm esta estranha loucura Essa estranha saudade. E quando sussurramos “Vai, Santa” Os mortos também falam Estamos gritando teu nome Como se o coração gritasse. Recife,...

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Levanta Tricolor, estamos voltando
nov17

Levanta Tricolor, estamos voltando

* O texto abaixo é de autoria do nosso amigo Eduardo Tiburtius, cuja bermuda branca aparece na foto. Nesta longa caminhada no caminho de volta a elite do campeonato brasileiro, inúmeras foram as viagens que a torcida coral fez para acompanhar o seu time. Por muitas vezes, eu tinha a sensação que não éramos apenas torcedores, mas responsáveis para a continuação da existência do clube. Vez por outra escutávamos sobre a teoria de que em Pernambuco não havia espaço para três times ou sobre a diminuição de clubes que outrora já foram respeitados em seus estados. Difícil dizer nestes dez anos qual a viagem mais marcante. Alguns se lembrarão de nossa estreia na série C em 2008 contra o Campinense e aquele mar de carros em uma romaria tricolor. Outros vão comentar sobre o jogo em João Pessoa, em que as fortes chuvas interditaram a BR 101 de volta ao Recife. Para mim, esta viagem ao Rio de Janeiro, está no mesmo nível das citadas acima. Desde o aeroporto percebíamos que seria uma viagem diferente. Logo após imprimirmos nossos cartões de embarque, fomos abordados por um jovem. Mochila nas costas, bermuda e chinelo, ele nos perguntou: estou doido para ir para este jogo, como eu faço? Indicamos a loja da companhia aérea e até achamos graça da inocência do rapaz. Tamanha foi nossa surpresa, quando identificamos ele como o último passageiro a embarcar no avião. Alguém perguntou: velho, quanto você pagou na passagem? — Mil e duzentos Reais só a ida, ele respondeu. Ao desembarcar no Rio, todo contente com o manto coral, ele seguiu direto para o Engenhão. Nós, seguimos para Copacabana, onde ficaríamos hospedados. O taxista, vascaíno, nos confessou que estava doido para jogar novamente com o Santa, só que desta vez na série A. Chegamos, deixamos as malas e fomos nos encontrar com nosso amigo Fred Arruda. Fred já tinha organizado o local onde iríamos almoçar e as vans que nos levariam ao Engenhão. Entre tantas conversas, Fred nos disse como eram difíceis as vezes que ele vinha para Recife e tinha de voltar para o Rio. A saudade da família e do Santa Cruz pesam muito, confessou. Três da tarde, hora de seguir para o Engenhão. Na viagem aquela greia que muitas vezes você vai se lembrar mais que o jogo. Nosso amigo Beto gritava: pra que ter jogo, só isto aqui já bastava. Mal sabia que o melhor estava por vir. Chegamos ao Engenhão. Quatro coisas chamaram a atenção. Primeiro, a quantidade de tricolores presentes. Não que isso seja novidade, mas sempre impressiona. Segundo, como fomos bem tratados pela torcida do Botafogo. Do início...

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Falta apenas uma vitória
nov15

Falta apenas uma vitória

Quando acabou o jogo de ontem, a casa de Boy já estava em festa. A turma já havia gritado olé, “chupa barbie”. Já havíamos cantado “ui papai, o Santinha tá chegando” e o “tri-tricolor”. O terceiro gol do nosso “General” Bruno Moraes, botou todo mundo pra festejar antes da partida terminar. Após abraços, brindes, apertos de mão e gritos de guerra, estanquei por alguns segundos uma lágrima que tentava escorrer pelo meu rosto e fui lembrando esses últimos dez anos. A felicidade em 2005. As decepções. A esperança. Nosso anel superior interditado. O gol de Caça-Rato contra o Betim. O inferno da Série D. Nossos três títulos estaduais. Sem ordem cronológica, um roteiro de recordações foi sendo montado na minha caixola. Quem não lembra da nossa épica viagem para João Pessoa? Ontem, por várias vezes, me lembrei daquele momento. Chuva, inundação e a gente lá pra resgatar nosso Santa Cruz do fundo do poço. Em todas as cenas que me vieram, nosso maior patrimônio e nossa maior riqueza, se fez presente: a torcida do Santa Cruz, seu amor e sua paixão. De 1914 até hoje, é ela o ator principal da nossa história. Uma torcida que não nega fogo, nem mede distância. Que caminha por cima de pau e pedras e nunca abandona seu maior amor. Quando ganhamos, é dela que lembro. É por ela que me orgulho. É sobre ela que quero falar e escrever. Meus amigos, não me canso de ver os gols, os lances e a entrevistas de ontem. Estamos há três pontos da Série A. Falta bem pouquinho. Apenas uma vitória. Ganhando o próximo jogo, concluímos essa longa e dolorosa jornada e estaremos de volta. Um horizonte preto, branco e encarnado embeleza nossa paisagem. O povão está em festa. E a cidade está feliz. Que seja assim e que continue assim. Difícil vai ser viver esta semana, sem pensar no Santa...

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