Anotações mínimas

Amigos corais, sigamos festejando. Ma hoje, o que me ocorreu foi uma saudade imensa do velho e bom Caça Rato. O gol contra o Sport, num lance improvável, parando, driblando Magrão e escolhendo o canto. O gol fundamental contra o Betim, quando saímos, de vez, daquela desgraça da série C. Outros times têm na sua história as glórias. Nós temos em nossa história nossas derrotas e fracassos. Isso nos faz enormes. Um grande clube do futebol brasileiro renasceu – e está no seu devido...

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Volta por cima
nov29

Volta por cima

*Texto do cineasta Ugo Giorgetti, publicado hoje no Estadão. Não gosto muito de pesquisar nem de me preocupar com datas precisas. Mas acho que foi mais ou menos há de dez anos que um clube grande e respeitável começou sua caminhada para o inferno. Por essa época o Santa Cruz do Recife, caiu para a Série B do Brasileiro. Foi um golpe para sua enorme torcida, mas que não podia saber o que ainda a esperava nas sucessivas temporadas. O Santa foi caindo, primeiro para a Série C, o que já era uma tragédia para um time tão vitorioso, e depois, último degrau descendente, para a Série D. Pouca gente ouve falar na Série D do Campeonato Brasileiro. Lá é o último círculo do inferno. De lá ninguém volta, dizem os mais aterrorizados pela sua ameaça. De fato, descer para além da D é impossível. Alguns times grandes e tradicionais foram parar na Série B, houve até quem despencasse para a Série C, mas nunca para as profundezas da Série D, que eu saiba. A não ser o Santa Cruz. Depois de uma derrocada dessas o que sobrou do clube? Um estádio de 60 mil lugares, o Arruda, “o mundão do Arruda”, e uma torcida acostumada a lotá­lo, mas completamente desesperada. O desespero durou pouco. Compreendendo que o Santa só contava com ela, a massa passou a lotar o estádio. Nunca em jogos da Série D, houve tanto público, nunca caravanas de abnegados torcedores se deslocaram do Recife para viajar mais de 500 quilômetros para ver um jogo esquecido por imprensa, televisões e demais órgãos. Assim aos poucos, num sacrifício alegre, a torcida se impôs o dever de reerguer o Santa. Seu acesso à Série C foi comemorado discretamente. A não ser pela parte da torcida que mais sofria, pelo pessoal do Blog do Santinha, por exemplo, uma espécie de diário do sofrimento e também da alegria e da exaltação de torcer pelo Santa. Nesse blog há os relatos incríveis das peripécias para ver jogos além da imaginação. O Santa foi caminhando e chegou à Série B: daí houve comemoração. A grande torcida percebeu nessa ascensão um sinal de que as coisas poderiam ser outras. O Santa estava vivo. O Arruda já abrigava lotações incríveis durante todo o tempo em que o time perambulava pela Série C. Na Série B a coisa continuou como se a caminhada fosse única e o fim da estrada já fosse visível. Desacostumado ao convívio com times importantes a trajetória do Santa na Série B foi cheia de obstáculos. O sabor da tragédia ainda às vezes pairava sobre o Arruda. Uma derrota inesperada ou...

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Para a massa coral, não tem “Black Friday”
nov27

Para a massa coral, não tem “Black Friday”

Amigos corais, parece que o novo Santa Cruz ainda vai conviver com o velho Santa Cruz por algum tempo. Falo isso por causa do preço dos ingressos para o jogo de amanhã. Na verdade, não falei antes porque não estava muito preocupado com isso. Depois da classificação, eu só fiz mesmo foi comemorar e me exibir com as camisas do Santa pelas ruas do Recife. Mas ontem à noite, um amigo tocou no assunto. “Visse o preço dos ingressos?” “Ah, para a festa, acho que vai ser na faixa de R$ 30,00 e R$ 15,00. O Arruda vai pipocar. Casa cheia”, respondi. “Que nada, Sama. Arquibancada inferior a R$ 60,00 e anel superior a R$ 30,00!”. Ele estava bem puto da vida. Reclamou umas duas horas e meia. Também fiquei. Porra, passamos o ano penando, indo para tudo que era jogo, dia de sábado, terça e quinta à noite, fazendo tudo o era possível para chegar junto com o clube, apoiar, e no dia da festa, vem este “presente”? Pois vou dizer, meus amigos. Só mesmo um milagre para o Arruda encher amanhã. Não é mau agouro, mas a simples, reles e nada fácil realidade. Estamos numa crise econômica interminável e, para quem não lembra, estamos no famoso “fim de mês”. Cito o caso de um amigo, o senhor “WN”. Todo jogo ele está lá, com uma turma de amigos. Se organizam, compram seus uísques, ficam no mesmo lugar, onde tem gelo, água de côco etc. São uns dez, doze camaradas. Quando já estão bem bonitinhos, vão para o anel superior. Tem de tudo. Gente que trabalha em produtora, pintor, eletricista, comerciário. Todos apaixonados Se dez deles forem ao Arruda amanhã, a fatura na bilheteria vai ser de R$ 300,00 (anel superior). Os idiotas da objetividade vão dizer que “a turma quer gastar com uísque mas não que gastar com o Santa, é?” O idiota da objetividade acha que o jogo é só o que acontece durante 90 minutos, dentro do estádio. O jogo começa na hora que ele acorda e termina na hora que ele vai dormir. Encontros, biritas, lembranças, tirações de onda, tira-gosto, fazem parte do jogo. Eu mesmo, que só assisto jogo na arquibancada, acho que paguei, ao longo do ano, uma média de R$ 40,00 por jogo. Por que amanhã tenho que pagar R$ 60,00? Ahmmmm… porque é o último jogo do ano, porque é preciso pagar os prêmios, porque isso, aquilo. Acho que o motivo é outro. O velho Santa Cruz ainda está bem vivo, dentro do novo. Os valores de amanhã são do velho Santa, que penaliza sua torcida na hora da festa....

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Acabou o caô! A cerva nos estádios foi liberada ontem!
nov25

Acabou o caô! A cerva nos estádios foi liberada ontem!

Amigos corais, estava meditando agora de manhã para escrever o texto sobre o ano glorioso de título estadual + acesso + mudanças importantes na gestão do clube + outras emoções aleatórias, quando recebi uma mensagem do meu cunhado Pedoca: “Cervejinha liberada nos estádios. Iurrruuuu!!! Encerrei a meditação, liguei o computador e fui buscar as notícias. É verdade. Ontem (24), um pequeno milagre aconteceu. O deputado estadual Antônio Moraes reapresentou a PL 107-2015, projeto que libera a comercialização de bebidas alcoólicas em jogos de futebol nos estádios de futebol de Pernambuco e pasmem! – foi aprovada por 18 x 13. A bancada evangélica tentou se articular para derrubar o Projeto, mas não conseguiu. Então me lembrei da palavra “Caô”, que a massa coral vem cantando a plenos pulmões, em homenagem ao nosso Grafite: “Acabou o caô, o Grafite voltou, o Grafite voltou” Ou seja: Acabou a mentira, enganação, conversa fiada, enrolação. Já entrevistei este deputado, que sempre lamentou não ter tido o apoio declarado dos clubes nem da Federação Pernambucana de Futebol para ser aprovado. Depois de um tempo, ele retirou o projeto da pauta. Também escrevi sobre isso, aqui no Blog. Nunca aceitei (nem entendi) essa idiotice de banir a reles, essencial e fundamental cerva no estádio. “Ela aumenta a violência”, é o que alardeiam os defensores, cheios de caô, sem nenhum dado, nada que confirme a tese do suposto aumento. Me pergunto se mudou alguma coisa, desde que a loira gelada foi proibida, desde 2009. Na verdade, só piorou. Todo mundo que conheço (inclusive eu), passou a beber de forma voraz e exagerada, fora do estádio, porque sabe que serão duas horas de secura. Fora a venda clandestina de bebidas diversas, que tem em todo estádio. Os amigos da Sanfona Coral avisaram que só voltariam quando liberassem a cerveja. “Rapaz, não dá para ficar numa lua daquela, tocando durante duas horas na arquibancada, sem poder tomar uma cervejinha gelada”, já me confessou o zabumbeiro e cronista deste Blog, senhor Gerrá Lima. Xiló, o sanfoneiro, é cheio de pantim, mas nesse ponto, ele está certo. Outros estados já liberaram: Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro. Quer dizer que há brasileiros que podem beber em alguns estádios, mas em outros, são tratados como meninos que não sabem se comportar. Isso é bem ridículo. Mas não se animem muito para sábado. Os trâmites legais duram uns 15 dias, e só mesmo no Pernambucano de 2016. Breve, escutaremos aquela frase linda, repetida entre um lance e outro: “Cerveja, Coca e água!” E a Sanfona Coral puxando o famoso “la, laralaia loraraia… Santa!” Ah, o governador Paulo...

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A paixão em seu devido lugar
nov23

A paixão em seu devido lugar

Em dez anos de atividade, o Blog do Santinha arranjou dezenas de atritos com ex-presidentes do Santa. Jamais desistimos de tentar ajudar, com nossa visão crítica. O texto abaixo,publicado no Diário de Pernambuco de hoje, está em sintonia com o que acreditamos para o futuro do clube. Por isso compartilhamos. ** Por Alírio Moraes Filho Corria o mês de março deste ano. O Santa Cruz amargava a última posição do campeonato estadual. O futebol do nosso time ainda não deslanchara e não permitia ilusões. Sem resultados e com crise financeira: nada justificava otimismo. Mesmo assim, apresentamos as metas do nosso planejamento. Naquele momento, passei a escutar todos os dias a palavra delírio em um criativo trocadilho com meu nome de batismo. Desde então, acertamos e erramos bastante. Tentamos não repetir esses erros. E insistimos em nosso principal acerto: priorizar a torcida em todas as decisões. Considerar e respeitar cada torcedor como único proprietário do clube e da sua imagem. A certeza de que todos os passos da caminhada que começava seriam dados lado a lado com “a torcida mais apaixonada do Brasil” era o que justificava a ousadia de nossas metas, todas realizáveis quando se procura fazer juntos com tantos homens e mulheres que amam o Santa Cruz. Homens e mulheres que encontram um novo significado para sua paixão a cada vitória, a cada derrota, a cada vez que entram no Arruda ou seguem o time pelos estádios brasileiros. Homens e mulheres que jamais esperaram uma virada de mesa, um drible no regulamento, pelo contrário, nos piores momentos chamaram para si a responsabilidade e a tarefa de reerguer o time. Por saber que estaria ao lado desses homens e mulheres, entendemos que a única forma de respeitar seus sonhos e seus imensos esforços seria tecer sonhos à altura de tanta paixão. Somente imaginando o melhor no mais curto espaço de tempo, poderíamos colocar o Santa Cruz à altura de sua torcida. Mesmo naquelas partidas em que o cimento do Arruda ficou esvaziado, estava presente a esperança daqueles milhares que, por qualquer razão, não podiam ir. Muitas vezes, honrar a esperança dos ausentes é tão importante quanto a confiança de quem sempre esteve por perto, cobrando, incentivando, exigindo e comemorando. Seria hipocrisia repetir o clichê e dizer que “nem em nossos sonhos mais otimistas imaginávamos o que vivemos nesse final de semana” – e ainda vamos viver até o próximo sábado. Mas foi exatamente isso que sonhamos. E não apenas isso. Continuaremos a disputar títulos, escalaremos os íngremes degraus do futebol porque jamais estaremos sozinhos na perseguição a metas audaciosas, porém possíveis de serem alcançadas, afinal os desafios do futebol...

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