Quem diria, heim?

  Amigos corais, vamos e convenhamos – esse Santa Cruz está mudando ligeiro demais para ser verdade. E aqui confesso. Eu raramente olhava o velho site coral. Me dava uma preguiça enorme ver alguma velha novidade do treino, o resultado do jogo da semana passada. Se ligasse para um amigo, apaixonado pelo Santa Cruz, ele tinha mais novidades. Pois bem. Minha mulher de vez em quando me flagra: “De novo olhando o site do Santa Cruz? Não estás ficando viciado não”? “Hamm, glub”, respondo. Então vejamos o site de hoje: “Parceria Santa Cruz/Esposende vai oferecer noite de fotos com craques corais” http://www.santacruzpe.com.br/futebol-profissional/parceria-santa-cruzesposende-vai-oferecer-noite-de-fotos-com-craques-corais Arregalo os olhos. A notícia está também no twitter, facebook, instagram, essas coisas todas. Esequias Pierre já deve ter mandado para os milhares de torcedores mexicanos, asiátios, da Costa do Marfim, com quem ele se comunica, via satélite. Como hoje é quinta e já trabalhei muito esta semana, vou ter que copiar um pedaço da matéria do site, adaptando só as datas: “A Esposende encomendou um lote especial de camisas oficiais de todos os três padrões do Santa que começam a ser vendidas nesta quinta-feira (20) nas lojas dos shoppings Tacaruna, Recife e Guararapes. Os mil primeiros torcedores corais que comprarem uma camisa oficial do Santa Cruz numa das lojas da Esposende desses três shoppings, a partir de hoje (20),  ganharão, no ato da compra, convite para uma noite de autógrafos com os craques Grafite, Tiago Cardoso, Renatinho, Anderson Aquino e Raniel. A noite de autógrafos acontecerá na próxima terça-feira (25), das 18h às 22h, em uma das lojas da Esposende do Shopping Recife. A loja estará fechada para o público em geral. Só terão acesso ao espaço os torcedores de posse do convite. Os primeiros mil torcedores que comprarem camisa oficial do Santa nas lojas Esposende a partir desta quinta-feira (20) também receberão um ingresso de arquibancada superior para o jogo do dia 1 de setembro do Santa Cruz contra o América/MG, no Mundão do Arruda, pela 22º rodada da Série B.  As camisas oficiais do Santa Cruz serão vendidas por R$ 169,90 em 5 vezes no crediário Esposende e em 6 vezes nos demais cartões, sem juros”. ** Os idiotas da objetividade poderão dizer – “Sim, mas o que isso tem a ver com o jogo de amanhã, contra o escrete do Macaé?” Tudo, meu amigo Objetivo, tudo. Pela primeira vez, o óbvio ululante está nascendo, feito graminha, no Arruda. Departamento de Marketing + Comunicação+ Futebol se articulam, para ações que possam projetar a imagem do clube, garantir novos negócios e melhorar toda a estrutura que possibilite à diretoria, dinheiro em caixa, para fortalecer o...

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Um texto pra ser lido, relido, compartilhado e arquivado
ago17

Um texto pra ser lido, relido, compartilhado e arquivado

Logo cedo, Paulo Aguiar me manda um zap-zap com um texto escrito por Ugo Giorgetti e que foi publicado no Estadão. Giorgetti é cineasta. Entre tantos outros, fez os filmes Boleiros – Era uma vez o futebol e Boleiros 2 – Vencedores e vencidos. Não só pelo fato de reverenciar nossa torcida, mas pelo contexto geral, o texto é um primor. É daqueles que você ler e dar logo vontade de mandar para os bons amigos. De ontem pra hoje, já perdi as contas de quantas vezes eu li. Nem me lembro de quantas vezes comentei e compartilhei com os amigos. Sim, também são de Ugo Giorgetti, as palavras que apresentam o volume branco da Trilogia do Blog do Santinha. Para quem não viu ainda, o link é esse: http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,o–o–o–o-grafite-chegou,1744797. Vale ler, curtir, compartilhar e, principalmente, guardar bem guardado. Nele a gente encontra joias como estas: “Uma torcida como a do Santa Cruz é tão impressionante que transforma o que ocorre em campo. Você fica sem saber se assiste a um grande jogo ou não. E isso pouco importa. Importa que se aquela multidão ensandecida se deslocou para lá, arrastando seu delírio e sua alegria, o jogo já é um grande jogo antes de começar.” “O futebol visto não como conforto e comodidade, mas como loucura.” “Se o futebol brasileiro quiser se recuperar e voltar a ser o que já foi, precisa olhar para lugares como o Arruda.” “Sei lá se foi um grande jogo, mas o espetáculo, que vi integralmente, foi magnífico.” E pra finalizar, o cabra escreve: “… no meio da multidão, tenho certeza de que ouvi, temperadas a cerveja, as vozes dos amigos Inácio França e Samarone Lima, criadores do lendário Blog do Santinha, gritando “ô,ô,ô, o Grafite chegou!”. Né por nada não, mas Ugo Giorgetti deveria ser lembrado para sempre nas dependências do Arruda. Esse, sim, merece ser...

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Conversa de feira
ago12

Conversa de feira

Fui ontem ao Arruda. Consegui chegar antes das 18h, a tempo de tomar uma cerveja, bater um papo e encontrar alguns amigos. Pra variar, Samarone perdeu o jogo. Ele achava que a partida seria às 19h30, começou a beber por volta das 16h e quando pensou em sair, já estava com a cuca cheia de cachaça e faltava somente quinze minutos para bater o centro. O jogo não foi lá essas coisas. A chuva e o vento tomaram conta da apresentação. Mas, como diria o filósofo, “o que vale é os três pontos”. Bom mesmo foi ver a animação hoje na feira. Sou daqueles que gosta do movimento e da conversa no meio da feira. Prefiro a companhia dos feirantes, à solidão de um supermercado. Além disso, o preço dos produtos é bem mais barato. Na minha agenda, o começo da manhã das quartas é destinado a fazer feira. Acordo, visto o manto sagrado, levo as meninas ao colégio e me mando pra Casa Amarela. Queijo coalho eu compro no mercado. A turma do box em que faço a compra, é quase toda do Santa Cruz. O sorriso dos caras estava de um canto a outro da boca. — É Grafite, meu véi! O negão né brochador, não! Gritou o moreno de bigode que sempre me despacha, pra um magro vestido com uma camisa amarela. Me entregou um pedaço de queijo e perguntou: — E aí, dotô, o que tá achando? — Tá meio salgado. — Não, o Santa? — Ah…., tá chegando. Grafite fora de forma tá fazendo um gol por partida, imagine quando o bicho tiver no ponto. Bigode sorriu. No outro lado, um gordinho fez uns passinhos e cantou: — acabou o caô / o Grafite chegou / o Grafite chegou. A gargalhada foi geral. Provei umas castanhas e fui para o pátio da feira. Ali a resenha é grande. Apesar do desprezo do poder público, o pessoal é sempre bem animado. Uns mais, outros menos. Mas no geral, a piada, a tiração de onda e alegria dominam o espaço. Passo no freguês da acerola. A plaquinha de papelão avisa: 1 é R$ 3,00. Uma moça faz a pechincha: 2 por 5? — É leve. Dá pra fazer! Mas num se acostume não, senão eu quebro! Um altão com voz aguda está aos berros: — Baixou. Baixou. Quem vai querer a banana! O outro grita: — Te lasca! Chego à barraca da freguesa das verduras. A alface tá bonita, danada! E o precinho do tomate está na medida, dois reais. Em se tratando de futebol, a dona é torcedora do time da Abdias e o marido...

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Diário de um delírio

Amigos corais, abri os olhos hoje de manhã e pensei em pedir minha mulher para me beliscar. Terei sonhado muito? Foi delírio de minha parte? Pois bem, vamos ao diário de um dia inesquecível, para mim e para a massa coral. Primeiro o “esquente” no Sukito, boteco modesto cá no centro, defronte ao Parque 13 de maio. Uma cerva, uma dose de “serotonina”, como diz o amigo e filósofo Zeca (uma lapadinha de Pitucilina com limão) e um rango. Às 14h em ponto, ônibus para o Arruda, já coalhado de torcedores. O portão 9 como estará hoje, meu Deus. Meu sofrimento é o portão 9, por onde entram os arquibancadinos. Primeiro bom sinal – a avenida Beberibe estava bloqueada bem antes do Arruda, facilitando o fluxo da multidão. Dou alguns passos, e passa o Ônibus Coral. A torcida entrou em festa. Acenei com minha bandeira. Meu sonho é chegar a algum jogo dentro dele, vendo a massa acenar. Nessa hora, o jogador mais frio se sente um herói, se enche de brios. Após passar por uma multidão apaixonada, não precisava nem de preleção. Eu, se fosse o treinador, ficaria apontando os torcedores de todas as classes sociais e diria: “Joguem por eles”. Tentei ir ao bar de Abílio, onde estariam vários amigo, mas estava impraticável. Fiquei do lado de fora, tomando umas nas barracas de isopor. O portão 9, eu só pensava no portão 9, aquela fila esculhambada pra cacete. Encontrei Júlio Vilanova, que outro dia chegou de viagem da China. Passou três semanas entre Xangai e outras cidades menores. Cidade menor na China é aquela que tem vinte milhões de habitantes. Ele chega com uma cadernetinha com a imagem de Mao Tsé-Tung. Só mesmo um torcedor do Santa mesmo, ser capaz de comprar um caderno na China e levar para um amigo que gosta de tomar notas de tudo. E ainda ter a esperança de encontrá-lo, no meio de milhares de pessoas. Guardei o caderno, tomamos umas e depois peguei o beco, rumo ao Portão 9. Eram 15h e calculei chegar ao ferrinho, junto ao escudo, lá pelas 17h. Eis o choque existencial e psicológico. Barreiras policiais logo no início da rua. Nem me revistaram, o que achei uma covardia. Poderia ter levado uma ampolazinha de Teachers. A fila andava rápido. Mais adiante, aquelas grades de ferro, que impedem o empurra-empurra. Não entendi nada. Em dez minutos, creio, estava dentro do estádio. Meu lugar no ferrinho só cabia mesmo a mão. Botei ela e, aos poucos, fui me esgueirando. A massa coral em festa. Dia lindo. Dia de Grafite. Dia de arrancarmos rumo à ponta da tabela, de...

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Enlouquecemos. E sábado está longe. E viva as tricoletes!

  Amigos corais, a cidade está louca. A torcida do Santa tem este poder mágico, metafórico, de perturbar o juízo de uma das maiores capitais do Brasil. Caminha-se duas esquinas, e o verdureiro comenta: “Grafite tá chegando, visse?’ Joga-se no bicho: “Vai dar cobra”. Vou, bucolicamente, tirar xerox para minhas aulas de literatura da quinta-feira, passo em frente ao Kaldácio. “E aí, poeta, já comprasse o ingresso?’, me pergunta o dono da venda. Mostro o ingresso na carteira. Sem pedir, ele já me bota um Ele/Ela. Eu, por questão moral, bebo. Deixo as xerox para amanhã. Carlinhos Monteverde beberica algo. Se aproxima, liga o celular. “Já escutasse?’ É uma música para Grafite, que ele fez no dia da chegada do negão: A volta. Escuto, maravilhado. “Está bombando na Internet, no meu Facebook”. Ele me dá uma cópia e diz: “Mandei fazer dez mil, para vender sábado, a R$ 5,00. De cada disco, R$ 1,00 vai para o Santa”. Volto e vejo se o sapato que deixei para consertar está pronto. “A cobra está invocada”, me diz o Rufião Melancólico da rua da Saudade. Dou uma parada para jogar no bicho. “Se der cobra, a banca vai quebrar”, diz a mulher que passa o jogo. Dou uma parada no Princesa Isabel, para saber das novidades. Alguém tem notícias do Sport, Náutico? “Eu só quero chegar perto do G-4 faltando dez rodadas. Deixa a coisa e a barbie na ilusão. Só quero na reta final”, me diz o vendedor de amendoim. “Faltando dez rodadas, ninguém segura o Santinha”. Já perto de casa, encontro Júnior Black. “Sábado não vou beber. Meu pai quer ir ao Arruda”. Nunca ouvi isso na minha vida. Júnior Black sóbrio no Arruda, levando o pai. A custo, chego em casa. Acho que, por ser escritor sobre o Santa, a população coral se acha no direito de desabafar comigo suas dores e esperanças. Na portaria, está Joab, o rei do Morro da Conceição. Ele acende um cigarro metafísico e me diz, com um sorriso: “A massa coral endoidou de novo, Samarone”. Eu sei. E como ninguém aguenta mais ver a foto de Grafite, botei a imagem das tricoletes dos anos 1980. Faz parte da...

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