O poeta cansou (de colecionar)
maio31

O poeta cansou (de colecionar)

Samarone foi um dos cinco mil e poucos que enfrentou chuva e greve de ônibus e foi ver a derrota para o ABC. “E aí Sama, ficasse muito puto?”, eu perguntei. “Tu acredita que não?! Tou mesmo é morgado”. O fato é que o poeta cansou. Ontem, marcamos para comer uma mão de vaca e resenhar sobre o jogo. Para nossa surpresa, Sama chegou com uma mochila cheia de camisas, bandeiras, faixas e outras coisas, e se desfez de praticamente todo seu acervo de lembranças corais. To  Nota do Samarone Faltou acrescentar no título que cansei de ser colecionador. Vinha juntando camisas, bandeiras, faixas, tudo autografado pelos amigos da ocasião, mas percebi que não era, de fato, um colecionador. Resolvi doar tudo ao querido Esequias Pierre, que coleciona até cueca do Santa. Balanço da doação: 12 camisas diversas; 8 faixas de campeão; 4 bandeiras autografadas; Alguns ingressos originais, como o do dia 13 de maio de 2012, quando fomos bicampeões na Ilha, em pleno Dia das Mães. Esequias chegou a marejar, ao ver todo o material. Mas que o time está dando calo nos olhos, isso está...

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Adiar o jogo vai ser bom para a torcida, para o time e para Inácio França.

Amigos corais, são 14h em ponto e teremos um jogo do Santa às 19h30. Por conta da greve dos motoristas de ônibus e dos rodoviários, fazer qualquer coisa na cidade do Recife está inviável. Outras categorias paralisaram suas atividades para protestar contra o projeto de Terceirização, que está sendo encaminhado pelo Congresso. Até os camelôs, que são a última ponta da terceirização, já foram pra casa. Pois bem: soube que até o senhor Inácio França parou tudo, em adesão ao movimento, e está deitado na sua rede, lendo o segundo volume dos “Irmãos Karamazov”. Gerrá já me ligou. Daqui a pouco sai do trabalho para uma fisioterapia no braço. Não entendo isso. O sujeito joga pelada toda quarta-feira e o problema é no braço. Freud explica. Então, me parece que o mais lógico, o mais decente, o mais sensato, é adiar o jogo de hoje à noite (que não vai dar ninguém) e remarcá-lo para amanhã (um dia muito mais propício à prática futebolística e torcidística, por sinal). Como a CBF foi pega com a mão na massa pelo FBI, e o atual presidente saiu correndo da Suiça (com medo de também ser algemado), talvez eles não tenham tempo (nem paciência) de decidir isso. Contemos, então, com a força jurídica do presidente Alírio. Se adiar, Inácio vai chegar ao final do segundo volume da obra de Dostoiévsky antes da novela das 21h. Pelos meus cálculos, vai ficar faltando apenas um livro para ele bater no peito e dizer que já leu “toda a obra de Dostoiévsky”. Com um argumento desse, não tem quem discuta com Inácio. Já começou perdendo por séculos de história da Rússia. É bem possável que ele fique chato pacas. Mas de que adianta, se ele não sabe nem o que é um “Lá e lô” no dominó? Aguardemos as decisões superiores, que geralmente não levam em questão duas palavras que, quando andam juntas, ajudam bastante nossas vidas: bom + senso. Ps. Acabamos de saber, pelo nosso incansável Arnildo Ananias, que vei mesmo ser realizado o jogo. Ele acrescenta algo importante: “Vai haver jogo. Vai existir esquema especial de onibus. Haverá promoção de de taxis através do 99taxis a partir das 17h código: torcida99pe”. Faltou dizer o que é esta promoção. O cara pega o táxi e ganha o ingresso de brinde? É isso?...

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A “outra” era do Santa Cruz
maio26

A “outra” era do Santa Cruz

Seu Ismael era um mecânico de primeira. Durante muito tempo foi nosso vizinho e tinha uma oficina em Afogados. Limpeza de carburador era o seu forte, mas também cuidava de elétrica e mecânica. Se orgulhava do ofício e de ser sócio do Santa Cruz desde antigamente. Na capanga ele carregava sua carteirinha do clube querido. Eu lembro perfeitamente de Seu Ismael. Tinha um rosto meio quadrado. Era branco, não usava barba, nem bigode e nem óculos. Era pai de dois filhos. Um que tinha um defeito no pé e uma menina que era meio retardada.  A turma dizia que a esposa de Seu Ismael era prima dele, daí os filhos tinham nascido com problemas. O coroa era desses que fala manso. A gente só ouvia sua voz alterar o volume quando o Santa ganhava. No estádio ele se transformava. Gritava, esculhambava o treinador, chamava diretor de ladrão, jogador de cachaceiro e juiz de filho da puta. Comecei a ir pro Arruda com meu pai, nos jogos do domingo.  Era comum, logo depois do almoço, a gente pegar carona na Variant branca de Seu Ismael. Fui crescendo e, além dos jogos aos domingos, passei a ir a jogos no meio da semana. A gente ía de casa e encontrava com Seu Ismael que sempre estava acompanhado de uma morena do bundão. Cabelo curto, meio feiosa de rosto, mas proprietária de um par de peitos e uma bunda que me cabiam dentro. O traje da morena era sempre o mesmo. Camisa do Santa Cruz e calça jeans apertada que realçava ainda mais sua poupança. Eu achava aquilo tudo muito esquisito e ficava pensando: Por que Seu Ismael não traz a esposa dele? Como é que essa mulher gosta tanto de futebol e de cerveja? Ela também chamava uns palavrões. Não tanto quanto Seu Ismael. Lembro dela acompanhando o coro da torcida, “freeeesco, freeeeesco”. Passei um tempo sem saber direito quem era aquela mulher. Certo dia, fomos buscar o fusca do meu pai na oficina e descobri que ela trabalhava lá. Era uma espécie de secretária. A sala dela era a mesma de Seu Ismael. Durante muito tempo, fiquei meio sem entender tudo aquilo. Seu Ismael não levava a esposa para o Arruda. Por sua vez, levava a secretária, mas só nos jogos do meio da semana. Bebiam juntos, ele pagava tudo, ficavam coladinhos no cimento das sociais, se abraçavam quando o Santa Cruz fazia gol. Uma vez ele deu uns gritos xingando o bandeirinha e a vi limpando o cuspe que ficou no canto da boca dele. Foi nesse dia que avistei os dois saindo do Arruda de mãos dadas e...

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Santa Cruz, versão Seleção Brasileira

Amigos corais, antes do jogo tomei umas na casa do amigo Zeca. Feijoada, umas lapadinhas, cerveja gelada, enfim. Iria assistir ao jogo com os amigos num bar da Avenida Norte, mas acabei me instalando num boteco defronte ao Parque 13 de Maio. Sentei, pedi uma cerva e fui ao banheiro. Quando voltei, o Santa tinha levado já o primeiro gol. Pedi o protetorzinho da cerveja. O garçom chegou: 2 x 0. Tomei uns goles, olhei a paisagem, tinha uns corais vendo o jogo. Vou pedir uma lapadinha para esquentar o juízo, pensei. Goooolllll do América: 3 x0. Que porra é essa,? – foi o que pensei. Um coral que bebia no balcão, com o radinho de pinha ao ouvido, não resistiu: “Isso é o Santa Cruz ou é a Seleção Brasileira contra Alemanha?’ Ainda veio o quarto gol. Fizemos um. Nunca tive tanto medo de um segudo tempo. Quem deve estar feliz é Givanildo. Seria demitido ontem, se perdesse o jogo. Não entendi nada. Se alguém puder me explicar, fique à...

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Quem pariu a Arena que balance
maio19

Quem pariu a Arena que balance

Vou dando minha espiada na internet e me deparo com a seguinte notícia: Em entrevista à Rádio CBN, o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, voltou a comentar sobre o processo de viabilização econômica da Arena Pernambuco. A ideia citada pelo político é que haja uma revisão no contrato entre Arena, Náutico – clube parceiro do Consórcio – e Governo, explorando a possibilidade dos rivais Santa Cruz e Sport utilizarem mais o palco pernambucano que recebeu cinco jogos da Copa do Mundo do ano passado. “A nossa obrigação é buscar a viabilização da Arena. Eu não posso fazer isso apenas ouvindo a opinião de um conjunto de pessoas. Estamos conversando com os clubes e com a federação (FPF) para que eles (Santa e Sport) façam mais jogos lá. Mas para isso a gente precisa criar facilidades e desobstruir os acessos à Arena. Proporcionar condições para que o torcedor chegue e saia com segurança”, disse o vice-governador. O deputado estadual Romário Dias (PTB) foi mais incisivo. “O Sport e o Santa Cruz têm que abrir mão de jogos no José do Rego Maciel e na Ilha do Retiro para jogar na Arena e ajudar na viabilização do estádio”, cravou. No começo da temporada, a Arena Pernambuco fechou uma parceria com o Santa e o Sport. O Tricolor mandaria seis jogos no estádio. Um deles já aconteceu, no clássico contra o Náutico, pelo Pernambucano. Os outros cinco serão pela Série B, ainda sem data ou adversários definidos. Já o Leão faria dez partidas na Arena. Duas delas já aconteceram: contra o Nacional/URU, em um amistoso internacional, e contra o Náutico, pelo Estadual. Pra quem quiser checar é só entrar no Blog de Primeira da Folha de PE.  http://www.folhape.com.br/blogdeprimeira/?p=125854 O vice-governador fala em criar facilidades e desobstruir os acessos à Arena. Não meu caro, a questão não é apenas esta. No Arruda, além de acesso mais fácil, tem o carinho que temos pela nossa casa. Tem os caminhos floridos de bandeiras, buzinas, espetinhos, cervejas e calor humano. E mais, lá no Arrudão, a gente coloca 50 mil fácil. Basta ter uma decisão de seja lá o que for. O deputado, o senhor Romário Dias, vem com essa que temos que ajudar na viabilização do estádio. Ora, quem pariu Mateus que balance. Eu queria saber o que é que o Santa Cruz tem a ver com essa história da Arena de Eduardo estar dando prejuízo. Antes de nós, tem os responsáveis por este acordo com a Odebrecht, tem os parlamentares que ficaram calados e outras tantas instituições que não fizeram nada. O fato é que o tempo passa, e toda vez que o poder...

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