Do jeito que tá, tem que ser com a gente
abr30

Do jeito que tá, tem que ser com a gente

Ainda era por volta do quinze minutos do segundo tempo, quando eu comecei a balançar as pernas e implorar para que os ponteiros do relógio corressem ligeiro e o juiz acabasse o jogo. Meus amigos, se não fosse a sorte e a ruindade de alguns jogadores do adversário, tínhamos levado uma boa lapada ontem no Sertão e a vaca poderia ter ido pro brejo. Fazendo um resumo do que vi, eu diria: — Um time lerdo, que só jogou alguma bola nos primeiros vinte minutos. — Uma lateral direita que mais parecia a Avenida Agamenon Magalhães de madrugada. — Um meio-campo sem o mínimo de criatividade. —Um ataque que consegue ser pior do que aquela época de Fábio Saci e Creedence. — E dois jogadores que nem deveriam voltar com a delegação: Emerson Santos e Bileu. Eu até daria mais uma chance a Nininho e até ao destrambelhado do Betinho, desses dois eu tenho pena. Mas as duas murrinhas que citei, Emerson Santos e Bileu, deviam ser mandados embora quando o ônibus estivesse passando por Arcoverde. Era dar uma parada na frente do Arcoverde Palace e educadamente pedir para os dois descerem. Quem sabe eles não arranjavam um emprego por lá e se davam bem na vida. Se Tininho e Alírio quisessem, eu poderia dar uma força. Falaria com Seu Damião ou com Assis Calixto e consiguiria uma vaguinha para Emerson Santos participar do Samba de Coco Raízes de Arcoverde. Uma boa função pra ele seria dançar o trupé. Eu poderia indicar Bileu para ser o roadie. Mas acho que não iria dar certo. Ele é meio atabacado e rodie que se preze tem que está ligado na função. Como gosto muito daquela turma do Raízes de Arcoverde e tenho o maior respeito pelo que eles fazem, não pedirei por Bileu. Ele que se dane e vá procurar emprego. Nobres Tricolores Corais Santacruzenses das bandas do Arruda, a verdade seja dita, nosso time é muito ruim. Depois do que vi ontem, só nos resta entrar em campo. Somente a torcida poderá ganhar esse título de 2015. Vai ter que ser no grito e na pressão. Vai ter que ser como foi de tantas outras vezes. Domingo que vem, todas as ladeiras, ruas e avenidas nos levarão para o Arruda. Por hora, esqueçamos um pouco do que vimos ontem. Deixemos um pouco pra lá os Bileus, os Emersons e outras desgraças que insistem em nos chatear. É colocar a racionalidade de lado, vestir a camisa que dá sorte, se enrolar na bandeira, repetir os rituais e se mandar para o jogo. Até porque, há quem diga que estamos com a...

Leia Mais
Só acaba quando termina
abr29

Só acaba quando termina

Vez por outra, Stanislau ainda sente saudades daquela morena. Nem tanto da sua conversa, mas das farras, da forma como trepava e principalmente do jeito carinhoso que aquela moça tratava ele quando estavam na cama. Era um churrasco na Ilha de Itamaracá. Um aniversário. Convidado por sua prima, Stanislau nem quis saber da sua condição de penetra e foi pra festa. Acordou, era quase nove horas. Comeu um resto de inhame, fez um pão com ovo e bebeu um todynho.Vestiu nosso manto sagrado, daqueles antigo com o nome de Mancuso estampado nas costas, tirou o carro da garagem, passou na casa da prima e, se mandaram para Itamaracá. O sol torrava aquele sábado. Já no primeiro posto de gasolina, abasteceram o tanque e o isopor com latas de cervejas. Stanislau entregou o comando da direção à Gisela e abriu sua primeira latinha. — Ai, não acredito! Tu já vai beber? — Calor da porra desse. – ele respondeu e deu uma golada. Abreu e Lima. Igarassu. Itapissuma. Engarrafamento nas três. Chegaram em Jaguaribe, era quase uma hora da tarde. A casa era bem perto da praia e o som tava nas alturas. Um gordinho de bermudão colorido dançava perto da churrasqueira. A música, pra quem não estava com a cuca cheia de cachaça, era um pagode de péssima qualidade. Stanislau foi apresentado a dona da festa e Gisela cuidou de enturmá-lo. Ele nem percebeu o detalhe da ornamentação da mesa do bolo de aniversário. O que ele percebeu mesmo, foi aquela morena de shortinho branco, biquíni estampado e diadema combinando com o short, que requebrava esbanjando um charme de fazer inveja a qualquer mulata de Sargentelli, Gretchen, Fátima Boa Viagem ou essas malhadinhas do Faustão. Stanislau ficou hipnotizado. Não tirou o olhos de cima da menina. Ela fez que não notou. Foi quando uma mente de bom gosto resolveu botar um forrozinho. Rolou uma seqüência de Assisão. A morena remexia gostoso numa rodinha de amigas. Stanislau balançava o esqueleto com a prima. O ritmo desacelera e Flávio José domina o som. O  tricolor não titubeou, largou a prima, tomou um pouco de cerveja e partiu pra cima. Ela já estava esperando e querendo. E os dois passaram a xotear agarradinhos. Já emendavam na quarta ou quinta música e conversavam numa boa. Stanislau já tinha ficado duas vezes de pau duro e ela nem ligou. Corpinho suado, cada vez mais se colava nele. — tu é corajoso. Vem pra festa de rubro-negro, com camisa do Santa…. – ela disse. — festa de rubro-negro?! — visse não, as bolas vermelhas e pretas lá na mesa? Ele desviou o rumo da conversa....

Leia Mais
Tô aqui, mózôvo!
abr28

Tô aqui, mózôvo!

Querem saber onde estou? Antes de responder, juro que não consigo entender tanta curiosidade por um macho véio como eu. Viadagem das grossas. Sim, é verdade que estou começando o segundo volume dos Irmãos Karamazov. Devagarzinho porque o Santa Cruz consome muito a gente. Sim, é verdade que estou desovando a escrita de um livro durante muito tempo represado em meu juízo. O ritmo já foi melhor, desacelerou por causa do Santa Cruz. Mesmo assim continuo indo escrever pelo menos duas vezes por semana num escritório secreto no centro da cidade, sem internet e com sinal de celular fraquinho que é para ninguém encher meu saco. Também é verdade que dar conta de três filhos toma muito meu tempo, mas até isso está indo aos trancos e barrancos por causa do Santa Cruz. A essa altura do texto, vocês devem estar se perguntando como torcer por um time pode dar tanto trabalho. Torcer é duro mesmo. Pior é ajudar a montar uma estrutura e uma cultura de comunicação no Santa Cruz, desde sempre um clube sem nada disso (ou quase nada, pois felizmente pôde contar com o esforço solitário do assessor de imprensa Jamil Gomes). Entenderam? Há pouco mais de um mês, estou dando uma contribuição profissional ao meu clube de coração. Vou receber por isso. Pouco, mas vai entrar uns trocados pelo trabalho de consultoria. Não faria nada voluntariamente por não acreditar na qualidade desse tipo de trabalho e, principalmente, porque o voluntarismo no futebol é uma prática que enfraqueceu institucionalmente o Santa Cruz. Sou sincero: eu praticamente me convidei para esse serviço. Mesmo cheio de coisa para fazer (livro, programa de rádio, projeto de uma nova plataforma de jornalismo em andamento…) achei que tinha de contribuir com essa gestão que se propõe a ser nova, mas que corria o risco de ser mais do mesmo se não se abrisse a novas práticas. Primeiro fiquei enchendo o saco do presidente Alírio depois daquela conversa com a turma do Blog do Santinha, em dezembro, sobre os erros que ele não podia repetir no clube. Devo ter deixado o sujeito em pânico. O próximo passo foi abrir minha rede de contatos (a famosa network), afinal eu não sei fazer nada que preste, mas conheço todo mundo que sabe trabalhar bem. Quando Alírio topou escutar as pessoas que eu indiquei, pudemos avançar um pouquinho. Apresentei o presidente a Nivaldo Brayner, professor de marketing na UPE que tentou fazer um trabalho mais profissional de marketing no início da gestão de Fernando Bezerra Coelho. É dele a adoção da frase A torcida mais apaixonada do Brasil.  Brayner, por sua vez, trouxe para o...

Leia Mais
Sanfona Coral rumo a Salgueiro!
abr27

Sanfona Coral rumo a Salgueiro!

Srs e Sras, a Sanfona voltou.  Pois é, ontem foi aniversário de Chiló, e hoje, nesse domingo dia 26 de abril de 2015, a gente comemorou. – Gerrá, rola um forrozinho! Sanfona Coral, chopp, jogo, caldinho e uns amigos bons! – Chió, meu velho! Tu sabe que eu não abro nem pra um trem, né?! Vamo simbora! Aí, a festa começou a rolar. Chiló e Taia organizaram a parada. Datashow, cabo hdmi, caixinha de som, essas coisas. Chopp, caldinho, feijoada, aguardente e u forrozinho de primeira. Uma tricolozada de primeira qualidadade. Sebba, Geó, Pedoca e família, Taia e seu pequeno Rafa, Renato Coloral, etc e tal. Aí, a gente soube que a porra da TV Globo não iria transmitir o jogo. – Relaxa, Chiló. Eu quero que a Globo, tome no cu. – eu disse, já cheio de Mata Verde na cabeça. Ao final, a gente cantou: “Ô Salgueiro, Ô Salgueiro, me arresponda por favor, tu tirasse a leoa, mas quem manda é o TRICOLOR!” Simbora pra Salgueiro! Quem vai?!...

Leia Mais

Alguém tem notícias do cronista coral Inácio França?

Amigos leitores, estamos realmente preocupados com a ausência longa do senhor Inácio França, fundador e escriba do Blog do Santinha. Escrevemos um texto levantando suposições e dúvidas sobre o paradeiro do nosso amigo. Aguardemos algum retorno. Especulações de Gerrá Lima Andam me perguntando por Inácio França. A última vez que o encontrei foi nas ladeiras de Olinda, no dia da saída da Minha Cobra. De lá pra cá, nunca mais vi aquele bicho. Nem através de textos nesse Blog, tenho visto Inácio. Não lembro qual foi a última crônica que ele postou aqui. O cabra não responde e-mails, mensagens e não retorna ligação. Por zap-zap é impossível encontrá-lo, pois o celular dele é do tempo que existia a Telemar. O aparelho que ele usa não tira nem fotos. Na última segunda, encontrei com Samarone e conversamos sobre o assunto. “Sama, que fim levou Inácio?” “Rapaz, faz tempo que não vejo. Tá difícil falar com França! Parece que ele tá escrevendo um livro. E aí fica trancado num escritório na Boa Vista, sem contato com o mundo. Tu num sabe que aquele frangolino é meio doido!” Pelo que conheço, Inácio deve estar cheio de nó pelas costas. Também pudera, o sujeito tem três filhos para administrar, precisa garantir a bolacha dos meninos e ainda vive arrumando coisas para fazer. Sempre tem uma reunião para tratar de algum futuro quase projeto. E tem mais, se o Santa Cruz estiver a perigo, ele fica azedo, ácido e impaciente. É de um mau humor, triste! Por qualquer besteira, é capaz de mandar um “vá se fuder” sem medir distância. Mas sábado passado, depois da goleada que demos no time de Caruaru, avistei Inácio de longe. Vestia o manto coral e uma calça jeans. Parecia bem animado. Fiquei até na expectativa que ele fosse publicar um daqueles textos irados sobre nossa vitória. Liguei pra ele na segunda-feira e, de novo, o telefone só dava fora da área. Então, meus senhores, se algum de vocês esbarrar com Inácio França, um cara magro, sem barba e bigode, que tem um bucho grande e usa óculos, por favor avisem que o Blog do Santinha tá procurando ele. ** Especulações de Samarone Lima Não tenho informações precisas, porque está difícil de encontrar com o velho amigo França. Temos um programa toda sexta-feira, na Rádio JC, a partir das 21h30 (“Para gostar de ler”), nos encontramos meia hora antes, para discutir a pauta, ver os convidados, mas ele só fala de literatura. Suspeito que ele esteja com um projeto paralelo, envolvendo mídias sociais, sites, mas é um mistério danado. Puxo assunto, mas ele começa a falar de Dostoievski (está...

Leia Mais