Cerveja nos estádios: Agora depende da gente (Parte I)
mar30

Cerveja nos estádios: Agora depende da gente (Parte I)

Amigos corais, na semana passada entrevistei o deputado estadual Antônio Moraes (PSDB). Não o conhecia pessoalmente. É um senhor de 61 anos, muito educado, gentil, conversa franca, me deixou boa impressão. Torce pelo Náutico e é uma voz quase solitária na Assembléia Legislativa, quando o assunto é o retorno da venda de bebidas nos estádios de futebol de Pernambuco. Caso vocês não saibam (embora estejam sofrendo na goela), desde abril de 2009, foi proibida a venda de qualquer bebida alcoólica em nossos estádios. O projeto de lei 13.478 , apresentado pelo deputado Alberto Feitosa (PR) foi aprovado com tranquilidade (na verdade, quase por unanimidade). Estamos há seis anos vivendo com essa bobagem monumental. Pois bem. Em 2013, Moraes resolveu ir à luta. Convocou uma audiência pública e levou para a Assembléia o Ministério Público, Federação Pernambucana de Futebol, Juizado do Torcedor (que se posicionou a favor, inclusive mostrando números favoráveis). Não havia nenhuma conexão real entre venda de cerveja x aumento da violência, porque neste período de abstinência, teve gente morta a tiros (defronte aos Aflitos) ou vítima de arremesso de uma privada (no Arruda). O deputado descobriu que o projeto tinha grande chances de ser aprovado. Naquele momento, tinha apoio da Federação Pernambucana, dos clubes, do Governo do Estado (até porque a Arena construída em São Lourenço se chama “Arena Itaipava”). Começou a tramitar com o projeto, que já fora aprovado, inclusive, por três comissões da AL. Com o passar do tempo, viu que “ninguém botava a cara nem se posicionava”. Ele defendia a volta da cerveja aos estádios, apresentava os argumentos, mas, na mídia, “era o único que mostrava a cara e levava chumbo”. Pela falta de apoio, decidiu tirar de tramitação. Se avançasse e fosse derrotado no plenário, era o fim do projeto (pois teria que começar da estaca zero, passar por três comissões novamente etc). No dia 18 de novembro de 2014, sentiu que era o momento. O Brasil sediara uma Copa do Mundo que teve cerveja em todos os estádios. Pediu o “desarquivamento do Projeto de Lei 2153/2014”. Peguei uma cópia do documento. Há um parágrafo lindo: “II – é autorizada a venda e consumo de bebidas alcoólicas em bares, lanchonetes e congêneres destinados aos torcedores, bem como nos camarotes e espaço VIP dos estádios e arenas, sendo que a venda deve iniciar 02 (duas) horas antes de começar a partida;” Desta vez, uma novidade: o presidente do Sport se posicionava contra. O projeto foi a votação. No plenário, estavam 25 deputados. Para ser aprovado e já valer, precisava de maioria simples – 13 votos. “A gente tinha 18 votos certos”, lembra Moraes. Mas há, na Assembléia, a “Bancada Evangélica”, com 10 deputados. O...

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Esse gol tinha que ser dele
mar25

Esse gol tinha que ser dele

Aquela jogada ainda não saiu da minha cabeça. Vez por outra, ela bate na porta da minha cachola e aí, eu fico me lembrando daquela pintura lance. Ele acabara de entrar no jogo. Já estamos no segundo tempo. A partida está empatada e a torcida impaciente. O garoto pega a bola na lateral do nosso meio-campo. Ginga o corpo franzino pra lá, faz que vai driblar, engana os marcadores, surpreende a todos os presentes e toca para o companheiro que parte pela direita e puxa o contra ataque. Pelo meio, o menino abusado deu o passe e partiu na carreira. Preto, de pernas finas, com passos firmes, ele conhece como ninguém cada folha daquela grama. O rapaz voa pelo gramado e acompanha a jogada. Dono de uma personalidade de quem já nasceu craque, ele não tem medo e pede a bola. “Eu, eu, eu”. “Toca, toca, toca”. Recebe o passe e, com a coragem de quem tem intimidade com a pelota, numa fração de segundos, ele olha a barra, vê onde o  arqueiro está colocado, mira e bate de primeira. O goleiro nem se mexeu. Ficou estático. Parado. Apenas girou a cabeça e assistiu à bola entrar caprichosamente no fundo da rede. De onde eu estava, lá longe, no alto, do outro lado e em posição diagonal, não consegui acompanhar a trajetória da bola. Até achei que tinha sido um chutezinho qualquer. Uma cafofa. Só me dei conta do fato real, quando vi o barbante sendo estufado e o grito de gol ecoando pelo nosso estádio. Golaço. Gol do caralho. É gol, porra! Pulei da cadeira. De punhos fechados e coração batendo forte, vibrei com há tempo eu não fazia. Fiquei em êxtase. Ao meu lado, uma moça se abraçou com um amigo. Um pirralho, na faixa de uns treze pra catorze anos, quase leva uma queda nas escadas. A vibração da torcida foi algo diferente. Foi um ato coletivo de carinho. Não apenas pelo gol, nem somente pela grande jogada, mas pelo ator principal. “Tinha que ser dele. Tinha que ser dele”, gritava um senhor. Sim! Claro! Concordei plenamente. Aquele gol era para ser dele. Não podia ser de mais ninguém. “Esse menino não merece chibata e castigo. Ele merece é jogar, jogar e jogar”, eu falei. Ontem, antes de dormir, eu revi o lance. Cada vez que vejo, parece que o gol fica mais bonito. Hoje pela manhã, um colega chegou e perguntou se eu havia visto o gol que um tal de Soares fez no jogo Barcelona e Real Madrid. Descreveu toda a jogada e ao final falou que foi um golaço. “Vi não. Nem assisti...

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Vitória dentro e fora de campo

Amigos corais, costumo levar o radinho para o estádio, mas no jogo de ontem, fiquei surpreso. Ante de começar o jogo, o repórter entrou ao vivo, para entrevistar o presidente Alírio Moraes, que recebia nas tribunas do Arruda Jane Andrade dos Santos, coordenadora e parte da equipe técnica do escritório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para os estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Unicef? Santa Cruz? Eu não tinha bebido nada. Pensei estar delirando, já que acusam o presidente coral de ser um “Delírio”. Não estava. Era uma ação estratégica de comunicação e marketing do clube, sob a batuta de Jorge Arranja, Inácio França e Laércio Portela. “O convite foi feito em razão do novo momento pelo qual passa o clube”, explicou-me o senhor Inácio França, em entrevista exclusiva hoje de manhã, após a XII Corrida das Pontes. A lógica é simples, mas nem todo mundo consegue associar simplicidade com a marca de um clube centenário como o nosso. “Com a política de zerar o déficit do clube, o Santa Cruz está saindo da “clandestinidade” administrativa e fiscal. Por isso, precisa estar aberto para a sociedade, assumindo as responsabilidades de um clube de futebol na formação dos valores de todas as crianças e adolescentes, não apenas da sua torcida”, continuou Inácio, enquanto mastigava uma singela barrinha de cereais e lembrava do aniversário do filho Bruno. Após pegar a medalha por ter completado bem a prova (não me disse o tempo), França seguiu detalhando a iniciativa, e o que ela pode representar. “Uma das responsabilidade de todos os clubes de futebol, não apenas o Santa Cruz, é o de reconhecer que tem um papel de formação moral e social das crianças, adolescentes e jovens. Por isso, o santa se coloca à disposição do Unicef  para eventuais campanhas e projetos que envolvam o esporte educacional. Afinal, um clube de futebol pode alcançar corações e mentes de uma forma que nenhuma outra instituição consegue”. Creio que só amanhã, com as matérias dos jornais e TVs, teremos uma ideia de como isso repercutiu na mídia. A vitória dentro de campo e a classificação nos deixaram aliviados nesta caminhada de 2015. Demos um enorme passo para fortalecer o grupo de atletas, o treinador e todo um trabalho, que está apenas começando. Fora de campo, o Santa Cruz começa a pensar em outros caminhos, novos rumos, horizontes. Ou seja, nada nos impede de sermos um grande clube dentro e fora de campo. Ps. Já tive oportunidade de trabalhar como consultor do Unicef, o suficiente para dizer que Jane Santos é uma grande mulher, amiga e torcedora apaixonada da Cobra Coral, filha de outro grande torcedor. Imagino a emoção que...

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Vai pra cima deles Tricolor!
mar19

Vai pra cima deles Tricolor!

Amigos corais, estou contando nos dedos os pontos para a classificação. Depois, começa outro campeonato. Este ano, temos algo no horizonte esportivo, dentro e fora das quatro linhas. Vejo, sinto e percebo, na torcida rubro-negra, uma preocupação que beira ao pânico. “A cobra coral não está morta!. Eles podem passar para o quadrangular final!” Pior: O Santa cruz pode chegar à final do Estadual de 2015. Sim, estou botando o carro em cima dos bois, mas quem deve ser razoável e racional é um economista, advogado, engenheiro, médico. Cronista coral não pode ter nada disso em seu cérebro. Deve ser totalmente irracional. Deve prever sempre o melhor, o imponderável, o impossível. Os comentaristas de plantão vão dizer que temos problemas em várias posições do time, que o treinador é isso, que falta aquilo, há uma seleção de resmungões profissionais aqui no Blog do Santinha, mas o fato é que o Santa Cruz mudou, nos últimos anos, o equilíbrio emocional com o rival preto e vermelho. Foram três lapadas seguidas, que deixou o time leonino na lona. Só perdemos aquela semifinal do ano passado porque aquele triste do Vica resolveu se acovardar. Nem gosto de lembrar daquele jogo fatídico, que nos levaria à beira do tetra. Cada vez que encontro um rubro-negro e começamos a conversar sobre os muitos problemas nacionais, sinto no ar aquela nuvem escura em cima deles. É aquele incômodo existencial: “Será que essa praga do Santa Cruz vai para a final com a gente, de novo?’, é o que sinto o rubro-negro pensando. E uma suor frio de tensão vai escorrendo pela testa. Então, camaradas, vamos logo comprar os ingressos para sábado. É jogar bem, ganhar e avançar na classificação e pensar nas finais. Da arquibancada, já sinto o grito ecoar: “Ôôôôôôô… Vai pra cima deles...

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100 anos de amor e paixão pelo Santa Cruz
mar13

100 anos de amor e paixão pelo Santa Cruz

Eu nunca imaginei que um dia, alguém iria telefonar para mim, me convidando para um aniversário de cem anos. Meu celular toca. “Oi Gerrá. Sou Catarina, tudo bom? Você não me conhece. Peguei teu número com fulano de tal (desculpem mas não prestei atenção ao nome de quem deu meu número a Catarina). Sabe o que é? É que meu avô vai completar 100 anos. E vamos fazer uma festa para ele, lá em Bezerros. Ele é torcedor do Santa Cruz. Será que vocês poderiam levar a Minha Cobra para festa do meu avô?” Daí pra frente foram trocas de e-mails, telefonemas, mensagens, etc. Aos poucos a história foi se organizando. A turma de Catarina mandou buscar a Minha Cobra e fez questão de contratar a orquestra oficial da Troça. Domingo passado, fomos participar dos cem anos de Seu José de Félix. Uma festa linda. Daquelas que contagia o mais morgado dos seres humanos. Festa que fica registrada no caderno da memória. A princípio, tentamos organizar uma VAN para nos levar. Samarone foi o primeiro a botar o nome na lista. Inácio se animou, mas logo deu pra trás. Boy, Ninha e Naná confirmaram presença. Na lista já tinha dez nomes. Mas faltando uns três dias para o evento, o povo foi farrapando. Dos dez que deram o nome, oito já haviam desistido. Pra não correr risco, resolvi ir de carro. Chamei um conhecido que não bebe, para dirigir e nos mandamos para Bezerros. Eu, Alessandra, Esequias e Maria. Chegamos antes da missa que foi celebrada em ação de graças. A capela da casa de recepção tava lotada e ficamos embaixo de um toldo colocado ao lado da capela. Nossa curiosidade era ver o aniversariante de perto, afinal de contas não é nada comum se encontrar por aí, alguém com um século de vida. Seu Zé de Félix chegou. Esbanjando alegria e com um sorriso no rosto, foi recepcionado pela banda marcial Cônego Alexandre. Um senhor que estava ao meu lado disse baixinho, “ele foi trombonista dessa banda”. Ao meu lado, Esequias comentou, “Gerrá, o véi tá inteiro todo”. “Meu irmão, tem nego que não chega nem nos oitenta nessa forma aí”, eu disse. A paixão e o amor pelo Santa Cruz forma herdados do pai. Seu Félix, pai de Seu José, chegou a jogar no Santa Cruz. Era do tipo que torcia pelo Santa até assistindo videotaipe de jogo. “Mesmo sabendo que o Santa tinha perdido, meu bisavô assistia os videotaipes e ficava torcendo para o Santa Cruz empatar”, me disse Catarina. Seu Zé de Félix mora em Vitória de Santo Antão. Escuta tudo que é resenha e...

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