Três horas com Alírio – capítulo II
dez06

Três horas com Alírio – capítulo II

Antes, um aviso. Se quiserem saber de reforma no estádio, de jogos na Arena, novos jogadores, placar eletrônico e não sei mais o quê, vá escutar alguma resenha ou ler os jornais. Isso aqui não é um site de notícias. Não damos furo, nunca saímos na frente. Neste blog você vai rir, chorar ou ter raiva, jamais se informar. Não estamos nem aí pra isso. Realmente, até imaginamos que daria para fazer uma entrevista com Alírio, mas nem tirei o gravador do bolso. E não usei o caderno do tamanho de um bonde que levei e que virou uma tralha incômoda de ficar segurando. A entrevista virou conversa. E foi melhor assim. O que mais me chamou atenção é que parecia haver dois Santa Cruz em campo. Um deles era o Santa de Tininho. Esse era o Santa Cruz nosso de cada dia, o Santa Cruz real, que deixa o sujeito maluco com tantos problemas a serem resolvidos ao mesmo tempo. Tininho permaneceu o tempo todo estressado, nervoso, recebendo ligações, respondendo a mensagens, e-mails, esperando retorno de jogadores, de prováveis técnicos. Sempre aperriado, com um olho na conversa e outro nas contratações, renovações… O Santa Cruz de Alírio parecia o Santa Cruz de quem ainda não botou a mão na massa e que está muito instigado. Cheguei a escrever “Santa Cruz utópico” na linha acima, mas apaguei. Talvez muitos ridicularizem as utopias e achem que a palavra é pejorativa. Mas pelo jeito, o novo presidente está mesmo a fim de construir utopias. Alguns traços desse clube sonhado por ele soam como música aos meus ouvidos: ele realmente imagina que o Santa Cruz se torne um espaço de participação de pessoas que podem contribuir, mas não sabem como. Não sei se isso ele vai conseguir, pois a cultura das pessoas que fazem o Santa Cruz é de exclusão. Eu e muitas outras pessoas que nós conhecemos já tivemos experiências irritantes na avenida Beberibe. Mas não posso duvidar de um sujeito que conseguiu reduzir as dívidas do clube de R$ 110 milhões para pouco mais de R$ 20 milhões sem desembolsar um puto. Parece um delírio, não é? Aliás, ele deu gargalhadas quando soube que já sendo chamado assim nas redes sociais. Disse que esse apelido ele quer ter, “pois quem delira muitas vezes está vendo coisas que os outros não conseguem ver”. O homem, peso pesadíssimo do Direito Tributário, explicou que só faltam alguns prazos serem cumpridos para a liberação das certidões negativas. Além disso, deu alguns detalhes técnicos de como ajudou a reduzir as toneladas de dívidas. Usou recursos legais como prejuízo fiscal, pesquisou as prescrições, descobriu duplicidades e...

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Três horas com Alírio – Capítulo I
dez04

Três horas com Alírio – Capítulo I

Depois de um dia pra lá de cansativo, pensei em dar o famoso migué e farrapar com Samarone e Inácio. Mas a conversa que havíamos marcado era sobre o Santa Cruz. E com um motivo desse, não tem cansaço que derrube um verdadeiro tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda, principalmente quando o papo é com quem vai ser o nosso Presidente. Por volta das 20h30 peguei Inácio na Avenida Norte. De lá, fomos ao encontro de Samarone que estava no Clube dos Oficiais, ali na João de Barros, narrando uma pelada. Ao entrar no carro, o caroneiro foi logo reclamando, “puta que pariu, que demora de vocês”. Pra quem não sabe, Sama é um profissional na tarefa de arregar. É daqueles que entra no veículo, já manda ligar o ar-condicionado e pede para mudar a música. Em festas na casa dos amigos, sempre leva uma tapauér para colocar doces e salgados. Sim, voltemos ao assunto. O trânsito estava livre. Já passava das nove horas da noite. Fomos conversando. Discutindo o formato da entrevista. Pensando nas perguntas. Na troca de ideias. Quem seria o novo técnico. Quem sai e quem fica. Essas coisas. “Bora Gerrá, acelera. Alírio já deve estar esperando”, disse Samarone. “Quem já está esperando é o Coronel Peçonha. Mandou mensagem dizendo que já chegou”, avisou Inácio. O Cel.Peçonha foi nosso convidado. De futebol, o bicho entende bem mais do que a gente. Além disso, já escreveu para o Blog e é da velha guarda dos comentários. Chegamos. Um sujeito educado nos recebe e avisa que Dr. Alírio está numa reunião. Lá pras tantas, descobrimos que o nome do sujeito educado é Major. Pois bem, Major pede que a gente o siga. Descemos uma escada. O silêncio impera por um instante. Samarone solta uma graça. Eu tropeço num degrau. “Sentem aqui, que vou avisar que vocês chegaram”, disse Major. Era um ambiente pra lá de agradável. Gramado verde. Céu estrelado. “Querem beber cerveja, uma água, refrigerante…?”, perguntou Major. Como eu não fazia a menor ideia do que nos esperava, fui de carro e fiquei somente na água e na coca-cola. Samarone enfiou o pé na cerveja. Ficamos por ali. Um tempinho depois, desce a futura primeira-dama do Santa Cruz. Frequentadora do Arruda, ela tá animadíssima com empreitada e dando a maior força ao marido. Coisa rara de se ver, pois as histórias que conheço é que as mulheres querem ver o marido num cabaré, mas não o querem na presidência do Santa Cruz. Pois bem, Alírio apareceu! Logo em seguida, desce Tininho. Quando o vi com o celular na orelha, perguntei se era o novo treinador. “E...

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Três horas com Alírio

Ontem, a redação do Blog do Santinha foi à casa do novo presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes, para uma longa conversa sobre o Santa Cruz. Durou três horas. O advogado, ao lado de sua esposa, recebeu os cronistas Inácio França, Gerrá Lima e Samarone Lima (não são parentes) com a camisa coral de 1975 e se demonstrou muito à vontade com a turma do Blog. Já leu inclusiva a “Trilogia das Cores”, volumes 1 e 2, e ganhou de presente o volume 3. Os autores esqueceram de fazer uma dedicatória. Cada redator vai escrever um texto sobre o encontro, relatando suas impressões, o que chamou a atenção etc. Aguardemos o primeiro texto, do senhor Gerrá Lima, que será publicado daqui a poucos minutos. Os demais textos, na base do par ou ímpar, serão publicados amanhã e sábado, respectivamente. Os assinantes do Blog do Santinha receberão todo o material filmado e editado em casa, no dia da troça “Minha Cobra”, no Carnaval de 2015, além de uma camisa com a assinatura de Inácio. Por sinal, em 2015 o Blog do Santinha completa 10...

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“É se contentar com o Estadual”

Vi a manchete do caderno de esportes do Diário de Pernambuco de hoje (página 3) e quase tive uma dor de pedra no rim, que Inácio teve outro dia. Vamos ao péssimo detalhe: “Santa Cruz só terá o Pernambucano para disputar no primeiro semestre de 2015. Clube deve ficar de fora da Copa do Brasil pelo ranking da CBF”. Bem, não vou explicar o levantamento que o jornal fez, explicando o funcionamento do tal ranking, mas é muito provável que, depois da queda (não acesso à Série A, que estava na mão), tenhamos o coice (não disputar a Copa do Nordeste nem Copa do Brasil), no início de 2015. Até hoje não entendi aquela doidice de colocar Ataíde como treinador do Santa no jogo decisivo contra o Salgueiro, onde teríamos a obrigação de garantir a terceira vaga. Parece que era um jogo de várzea, ninguém deu bola. Resultado – terminamos o Estadual em quarto lugar. Como a esperança é a última que morre, a CBF só deve divulgar seu ranking após o final da Série A. Estamos na posição de número 36, atrás dos rubronegros (número 20) e barbies, digo, alvirrubros (número 26). Vocês já viram que a maré, quando vira ao contrário para o nosso lado, é sempre um...

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Everton, o sobrevivente do Bolão
dez01

Everton, o sobrevivente do Bolão

Everton de Melo Santana. Este é o nome e sobrenome do vencedor do Bolão que o Blog do Santinha organizou sob o otimista (e bote otimismo nisso) título de “Bolão do Acesso Coral”. Ele acertou o maior número de palpites ao longo de toda a Série B e vai ganhar um CD da Minha Cobra e já garantiu a camisa dele pro desfile da Minha Cobra no Carnaval 2015. A bem da verdade, sejamos sinceros: na reta final Everton competiu com ele mesmo. A maior parte dos apostadores desistiu depois que o Santa começou a levar lapadas contra América de Natal e Bragantino. Para piorar, muita gente largou o bolão depois de perceber que não tinha como alcançar o primeiro colocado. Como já era mesmo o primeirão, Everton persistiu. E ganhou o  bolão. Em breve, ele vai começar a ganhar uns trocados fazendo apostas na Loteca, cobrando R$1,00 por...

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