Bora!
out14

Bora!

Amigos corais, a valorosa equipe do Blog do Santinha está espalhada pelo mundo. Inácio França na terceira ou quarta lua de mel com sua amada Geórgia, em Buenos Aires, depois Montevidéu. Dizem que ele agendou a viagem após consultar as tabelas dos campeonatos nacionais. Vai assistir 12 jogos em 17 dias. Gerrá está cheio de trabalho e justamente hoje, sua amada mãe faz aniversário. Toda a família vai se reunir no afamado bairro do Ipsep, para os festejos, que devem terminar somente domingo. Este que vos fala não foi, novamente, convidado. Só restou este velho cronista coral, que vai representando o Blog do Santinha, no setor das arquibancadas. O miserável do jogo é às 19h30, mas não tem jeito. Só nos resta dar um jeito de sair de casa já com o kit-jogo: camisa coral, bermuda e o velho tênis. O time melhorou muito com o novo treindor, o Oliveira de Canindé. É hora de nós, torcedores, sairmos dessa morgação e botarmo moral no Arruda. Como diz Gerrá: “Bora!” ** Nota de pesar Só um lunático mesmo é capaz de colocar a arquibancada inferior a R$ 60,00 (a superior é R$ 20,00). O que custava botar tudo a R$ 20,00 e lotar o anel...

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Eita, Santa Cruz véio e enfadado…
out08

Eita, Santa Cruz véio e enfadado…

Às 21h30, Breno ligou avisando que já havia chegado e que já tinha colocado umas latinhas no freezer. No mesmo instante, Robson Senna, diretor de fotografia da Minha Cobra, manda um zap-zap: “Pierre e eu vamos assistir aqui no Bier Grill, próximo do DNOCS”. Preferi ficar por perto de casa e fui assistir ao jogo de ontem na residência do meu vizinho Breno. Gente da melhor qualidade. Quem chega a casa dele dá logo de cara com uma linda bandeira do Santa Cruz pregada na parede como se fosse um quadro. Cerveja no copo, uns brebotes na mesa e um primeiro tempo de dar calo na vista. Nosso meio-campo não criava, os laterais não conseguiam nem apoiar e nem marcar e toda bola cruzada na nossa área era meio gol. Por pouco não descemos para o intervalo com uma derrota nas costas. E aí, o treinador tentou ajeitar o time. Fez o óbvio. Botou Natan e mexeu nos laterais. O time deu uma melhorada, encurralou o adversário. Aos sete minutos abrimos o placar. E o melhor, pra felicidade geral do povão, Natan voltou a jogar um bom futebol, reacendendo a esperança daqueles que torcem pelo garoto. De repente, Natan é chamado pelo árbitro da partida. O meio-campista, sem entender o que se passava, olha para o juiz e pergunta: “eu?” “É você, rapaz. Vamos, sai. Vai trocar a camisa, porra.”  –  acho que o juiz falou. Pois é, Natan estava usando uma camisa com a numeração diferente do que constava nas anotações dos auxiliares da arbitragem. Isto mesmo, meus senhores. O jogador do time profissional do Santa Cruz Futebol Clube, uma instituição centenária, que participa da Série B do campeonato brasileiro, entrou em campo ontem com a camisa errada. Por causa desta pixotada, o rapaz foi punido com cartão amarelo e não vai poder ser relacionado para o jogo contra a Ponte Preta. Hoje somos notícia. Viramos piada. “Bizarro! Atleta entra em campo com camisa errada em partida da serie-b”, é a manchete que acabo de ler em um portal na internet. Continuo lendo e me deparo com a seguinte pérola do diretor Sandro Barbosa: “O Natan entrou com camisa errada. Vai fazer falta, mas não vou apontar o culpado. Que sirva de exemplo para todos conferirem, supervisor, diretor, presidente. A repercussão ficou maior porque foi o terceiro cartão amarelo”. Prefiro não comentar o que foi dito pelo diretor. Me falta paciência. Espero que esse ano acabe o mais rápido possível. Se não formos rebaixados para sericê, já me dou por satisfeito. E com diria um amigo meu: “eita, Santa Cruz velho e...

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O Santa, na “Bodega do Abel”
out06

O Santa, na “Bodega do Abel”

Na sexta-feira passada, minhas obrigações clubísticas diziam que eu deveria estar na Arena, para ver Santa x Boa Esporte, às 19h40. Mas no meio do caminho tinha: engarrafamento, horário de pico, a Abdias de Carvalho e outros milhares de carros. Como não tenho carro, não queria levar minha impaciência aos limites. Resolvi assistir na Bodega do Abel, aconchegante reduto coral, na rua das Creoulas, defronte àquela farmácia da rua das Pernambucanas. Desde a primeira vez que entrei lá, meio ao acaso, me tornei assíduo. Até paguei um “Clube do Whisky” para meu cunhado coral, o senhor Pedoca, que mora ao lado, mas ele anda mal do juízo: Não foi bebericar seu presente. O resultado foi que, a cada visita, eu beliscava umas doses. Na sexta, eu avisei que iria acabar o presente. Ele ficou preocupado. Marquei com Gerrá e Inácio, mas, como sempre, a fuleiragem foi grande. Gerrá enrolou tanto que perdeu o primeiro tempo em casa. O Abel, dono da bodega, é um português invocado, Santa Cruz desde que os portugueses cá chegaram e decretaram: “Pois, pois, esta é a Terra do Santa Cruz”. O Caminha errou e digitou “Terra de Santa Cruz”. Mudaram para “Brasil” por pirraça. A clientela é majoritariamente coral. Até perguntaram pelos livros da “Trilogia das Cores”. Breve, abriremos uma filial do Blog do Santinha lá, para vender os livros. Bem, mas o fato é que bastou o jogo começar, o uísque a deslizar manso, que o Santa desarnou e começou a jogar outro futebol. Alguns rubronegros secavam ardorosamente, mas Abel deu logo seu recado-esporro: “Eu adoro quando esses rubronegros fiquem secando, porque essa energia passa para os jogadores, e ele jogam é mais bola”. Pedoca chegou quando eu bebia a última dose. Quase chora. O jeito foi dar outro presente, desta vez um “Cavalo Branco”. Esse Santa Cruz me deixa um cara bem mais legal, todo mundo diz isso, até minha mulher. Ao lado, vários corais com os olhos brilhando. Três a zero no primeiro tempo, com o time totalmente mudado, mordendo a bola, marcando, tocando, fazendo a festa da massa. O lirismo logo começou a se espalhar. “Ah, o Santa Cruz, quando ganha e joga bem, deixa a humanidade feliz. A humanidade inteira fica muito mais feliz quando o Santa ganha”, repetia um senhor, na mesa ao lado. Todos concordavam. Pedimos espetinho de picanha, com cebola e vinagrete. Na medida. Outra dose. Hummm… Que falta de saudade eu sentia da Arena… O segundo tempo foi só para manter o resultado, não forçar a barra. Eu e Pedoca botamos todos os papos em dia, bebemos nossas doses, rimos, confirmamos que é um ótimo...

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O diabo é quem vai
out02

O diabo é quem vai

Sexta-feira, início de noite. Não há dúvidas de que esse é o horário ideal para jogos de futebol. Não entendo como torcedores, dirigentes, radialistas, autoridades constituídas, colunistas, técnicos de nosso Brasil varonil desperdiçaram todo o século XX e alguns anos do XXI sem perceber que, esse sim, era o horário mais propício para dois times profissionais que disputam o Futebol association entrarem em campo com garbo e afinco. Não há condição melhor: o sujeito sai do trabalho direto para o estádio, deixa para comer depois e ainda dá tempo de fazer uma frente com a família no restinho da noite. Dá, por exemplo, para ir na esquina comer uns espetinhos com a esposa amada, enquanto os pirralhos ficam em casa jogando videogame. Se os pirralhos forem pirralhos demais, o torcedor pode comprar uns pastéis de vento no caminho e levar para casa para comê-los com guaraná enquanto assiste o finalzinho de Globo Repórter em companhia de sua senhora no recesso do lar. Graças aos executivos da programação da Sportv (abençoada sejam as Organizações Globo), agora há jogos nesse horário tão conveniente para a torcida brasileira. Agora, perfeito mesmo é se a partida da sexta, às 19h30min, estiver marcada para a casa de caralho. Para quem não conhece, trata-se do endereço físico da Arena Pernambuco. Nesse caso, o torcedor poderá, antes de vibrar pelo seu time, experimentar o frenético trânsito da Abdias de Carvalho, onde atualmente está o melhor engarrafamento de Pernambuco, com direito a uma sensacional vista panorâmica da interminável fila de carros e caminhões na BR-101. Imperdível. E tudo isso pelo preço de apenas um ingresso de arquibancada!!! Quem preferir fazer outro caminho, também terá acesso a mais entretenimento, afinal quem botou o “estádio da Copa” na encruzilhada entre o fim dos tempos e o fim do mundo pensou em tudo, afinal o que podíamos esperar de quem tem ideias assim tão brilhantes. A turma que optar pelo metrô, por exemplo, terá a oportunidade de viver a experiência de pegar o trem na hora do rush mesmo sem ter necessidade para tal. É uma forma de compartilhar a visão de mundo – ou, pelo menos, de transporte público – das massas trabalhadoras. Quem sabe quantos mestres em sociologia, PhDs em urbanismo e doutores em antropologia serão gerados dessa aventura sobre trilhos? Algumas das promoções concebidas conjuntamente pelo consórcio Arena Pernambuco+Organizações Globo/SporTV+CBF  são obviamente inspiradas pelo movimento slow food e similares, aqueles que pregam menos pressa, menos agitação e menos ansiedade para se obter mais qualidade de vida. Sei de dois amigos rubro-negros que, numa dessas partidas do time deles na Arena, entraram no ônibus cedido pela diretoria do...

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