Enfim, um novo Natan
out30

Enfim, um novo Natan

Na nossa pelada da quarta-feira, vez por outra fazemos um torneio dos casados contra os solteiros. Nós, os casados, nunca perdemos um jogo. Quando acaba o torneiro, nosso amigo Chico do PT vai pra cima dos solteiros e sai tripudiando: — vocês precisam entender que o mundo se resume a duas coisas: uma pomba e uma buceta. Vocês precisam fazer mais sexo. Os punheteiros ficam invocados. Os casados fazem a gréia. E Chico afirma sempre que se o cara fizer sexo antes de jogar futebol, ele entra em campo com mais disposição física, com a cabeça tranquila e com a musculatura fortalecida. – companheiro, uma boa trepada espalha energia pelo corpo todo. O sangue abre as veias, os músculos ficam fortes e o cérebro fica calmo. Pois bem, no meio da euforia pela goleada do último jogo, um fato passou despercebido para muitos. Natan. Fiquei surpreso. O nosso quase craque jogou a partida toda, deu passe, driblou e tudo indica que não sentiu nada. Pelo menos até agora, ninguém falou em desconforto, estiramento, incomodo, distensão, dor nas costas ou algo parecido. Aí, conversando com Inácio sobre o jogo, falei dessa coisa de Natan ter conseguido jogar o tempo todo. E aí, Inácio me disse que Natan havia se casado. Pronto, lembrei das teorias de Chico e não me restou dúvidas. Pra mim Natan está sendo curado por um gostoso remédio cujo nome é Buceta. Viviam dizendo que o rapaz não dormia direito. Que vivia rezando. Que não se alimentava bem. Que não bebia água. Eu quero ver o cabra dar uma boa trepada e não relaxar e dormir bem. Eu “dou duvida” se o cara depois que conhece o gosto de uma priquita, vai querer trocar uma foda por uma reza. Meus amigos, exemplo é o que não falta. Samarone é um deles. Demorou pra casar. Tinha gente até que desconfiava que ele era frango. O bicho era grosso e só vivia se contundindo. Conheceu sua amada, namorou um tempo e depois casou. Hoje, nosso poeta é maratonista e titular da zaga na nossa pelada. Nino Cabeção sempre manteve a regularidade no ataque. Sua média eram três gols por noite. Trombador, não era de perder gol feito. Mulherengo, deu bobeira e deixou seu e-mail aberto. Se lascou. A mulher de Nino descobriu que ele estava de caso com uma amiga. Nino Cabeção ficou sem as duas. O atacante entrou numa má fase danada. Já Claúdio Fanhoso é feio que dói. Mas desde moço é amigado com Marlene. O bicho joga uma bola arretada. É isso. Acredito que agora o futebol de Natan vai deslanchar. E vejam só, acabo de...

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Eu vou, mas se aparecer um amigo rico, vai ficar melhor
out27

Eu vou, mas se aparecer um amigo rico, vai ficar melhor

Já tinha prometido a mim mesmo que jamais voltaria à Arena, depois de uma única e desastrada ida ao citado estádio, numa van, com vários amigos do Poço da Panela. Mas, diante do exposto, da campanha coral, de tudo o que representa a vitória de amanhã, vou dar o braço a torcer. Irei ao citado estádio num horário maravilhoso para um jogo de futebol: 18h30. Vou ver se saio de casa lá pelas 13h30 com minha bandeira e meu radinho. Só mesmo o Santa Cruz para me fazer esta doidice. Se algum leitor bem de vida tiver um carrão com ar-condicionado e umas cervejas a bordo e quiser companhia para o estádio, aceito carona. Em troca, dou um livro da “Troilogia das Cores” autografado. Se quiser levar Gerrá e Inácio, o livro vai com autógrafo dos três. E antecipo: os caras são bons de papo. Moro na rua da Auroro. Dá-lhe...

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Dilma é  coral. E o Blog é Dilma
out23

Dilma é coral. E o Blog é Dilma

O Blog do Santinha nunca tirou o pé nas divididas. Aqui, sempre tomamos posição, mesmo quando a posição é não ter posição nenhuma. Mas esse não é o caso num segundo turno de eleições presidenciais. Aqui, os três editores não hesitariam se fossem consultados por algum hipotética entrevistadora do Ibope: – Em qual desses candidatos o senhor votaria para presi… – Lula. – Não tem Lula entre as opções do questionário… – Então é Dilma. E priu. – E em qual desses candidatos o senhor não votaria de jeito nenhum? – Em todos os outros. Tudinho: Serra, FHC, Alckmin, Marina, Afif, Tancredo, Covas, o da cova, Aécio… em nenhum deles, pode botar aí minha filha. É bem verdade quem se o entrevistado fosse Gerrá, ele iria contar uma piada pornográfica na esperança da pesquisadora ficar excitada e querer dar em praça pública. Samarone tentaria vender um livro de poemas com 25 páginas por R$ 40,00. E eu daria uma ou duas respostas a meio caminho entre a grosseria e o sarcasmo. Sou horrível para isso. Às vezes, fico com vergonha de mim mesmo. O que interessa é que esse blog vota fechado em Dilma. Fechados e desde sempre. Primeiro porque nossas leituras não se resumem a jornais, revistas semanais e manchetes de tevê. Modéstia a parte, temos um espírito crítico desgraçado, o que nos impede de levar o gato por lebre que tentam nos empurrar goela abaixo todos os dias. Leitura e espírito crítico são, na maior parte do tempo, de lascar o juízo, deixa o sujeito inquieto, melancólico, azedo, amargo, mas servem para alguma coisa, inclusive para discernir que mudança para valer é votar com o Governo Federal. Enxergamos as entrelinhas sem precisar de lupa. Depois, somos de esquerda. Ah, dirão os pragmáticos, isso não existe mais. Existe sim. Nós acreditamos que é preciso lutar o tempo todo por um mundo mais igualitário, menos injusto. Isso é ser de esquerda. Você acredita que a desigualdade é natural, que Deus fez a humanidade assim? Então você é de direita. E não ache ruim o fato do Sport ter feito parte do clube dos 13 e ter se entupido de dinheiro da Rede Globo por tanto tempo. Ser de esquerda é ter a convicção que o Estado precisa atuar para garantir que a educação e a saúde deixem de ser uma mercadoria para que a maioria da população tenha acesso a esses serviços sem precisar pagar. Você concorda, por exemplo, que as universidades tem de ser privatizadas para que o “mercado” dê conta de um ensino focado no mercado de trabalho e abandone a pesquisa e o ensino formador do...

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Na Arena do Defunto, no meio da torcida adversária
out21

Na Arena do Defunto, no meio da torcida adversária

Adalberto relutou. Não comprou ingresso para o jogo contra o Vasco. Quem conhece Adalberto, sabe que o sujeito tem opinião e que ele é invocado com a tal da Arena. Adalberto prefere a beira do canal do Arruda, o espetinho de carne e o latão da Skol. Na sexta-feira, ele saiu da faculdade e foi tomar uma. Beberam todas. Terminou a noite no apartamento de uma paquera das antigas, bebendo vinho, ouvindo música e matando. Acordou no sábado de manhã com uma ressaca braba, mas feliz da vida. O “adorei” da menina, não saía da lembrança. Levantou da cama, era quase 11 horas. As gargalhadas e a voz alta do seu tio se misturavam com o latido fino de Paquito e tomavam conta da casa. — Adalba, meu jovem! Tudo na santa paz?! –  disse o tio Araújo. — Tudo tio. Tudo beleza! — Pela cara, a farra foi boa. – e largou uma gargalhada. Conversaram umas coisas. Adalba bebeu um copo de vitamina de banana e recebeu a missão de levar o tio Araújo para o jogo. — Adalberto, teu tio veio almoçar e quer ir para o jogo. Já falei pra ele que você vai levá-lo. Não tinha como negar. Araújo é daqueles tios gente boa. Contador de piadas, bebedor de cerveja, raparigueiro e pau pra toda obra. Quando Seu Carlos, o pai de Adalberto, morreu, quem segurou as pontas até tudo se organizar foi tio Araújo. Naquela época, o garoto Adalba tinha somente 12 anos e o Santa Cruz havia sido campeão pernambucano com o histórico gol de Célio. Adalberto estava lá, junto com seu pai. Uns 3 meses depois, o velho bateu as botas. “Não fosse seu tio Araújo, não sei o que tinha sido de nós”, em tom de gratidão, sua mãe sempre confidenciava isto. — Adalba, tu sabe que eu nunca fui na Arena? – disse o tio. — Tá perdendo muita coisa, não. Aquilo é um fim de mundo. — Tem problema não, a gente vai cedo. – falou tio Araújo. Beberam umas cervejas, tomaram o caldinho do feijão e partiram. Era perto das 13 horas. Seguiram pela 232. Já no viaduto que cruza a 101, o engarrafamento deu sinais de vida. Naquele ponto, o trânsito começou a ficar lento. De longe já se avistava um enorme fila de carros. Um pouco mais a frente, na altura do hospital, o trânsito travou. Praticamente não se andava. O tempo foi passando. Já era mais de 15h30. Faltava chegar, estacionar e entrar no estádio. Adalberto era só reclamação. Tio Araújo, tranquilo e calmo, repetia a cada resmungo do sobrinho: “a gente chega lá, Adalba”....

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Começou a doidice
out17

Começou a doidice

Naná telefonou para dizer que vai ter Van saindo do Poço da Panela. Samarone mandou mensagem avisando que “Naná está organizando uma Van”. Pelo zap-zap, o amigo Alexandre pergunta: “Tu vai?” Numa troca de e-mails sobre a chapa de oposição nas eleições do Santa Cruz, Edgar é simples e objetivo:Sábado, todos na Arena do Defunto! Aqui no trabalho, o estagiário me diz que vai. Ele não gosta daquela Arena, mas vai para o embate contra o Vasco. “Eu nem gosto daquele estádio. Prefiro o Arruda. Mas eu vou. Vou de metrô. Se ganhar a gente embala”. Já soube que Anizio vai. Quem me disse foi Claudemir. Flávio vai com a família toda. Pois é, bastou o time dar sinais de melhora, que a doidice voltou. Daqui até sábado, serão várias ligações, emails, zap-zaps, mensagens diversas. Parece que, aos poucos, vamos retomando a confiança. E aí, a esperança vai aparecendo e a torcida do nosso Santa Cruz está correndo para abraçá-la. Pra mim, o grande responsável pela mudança de atitude do time é um sujeito baixinho, de sotaque nordestino, com raça de matuto e fome por vitórias. A diferença de atitude entre Oliveira Canindé e o cara de tabaca do Sérgio Guedes é gigantesca. Tenho dito a alguns mais próximos, se tivessem trazido Canindé mais cedo, a gente estaria brigando com a turma que está nas primeiras colocações. Sim…, mas como eu ia falando, o povão começa a se animar de novo. Eu até já tinha prometido pra mim que não iria mais para aquele fim de mundo. Só que o coração tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda é quem domina e nessas horas, sou um cabra sem opinião. Só sei que sobra vontade de ir ver o meu Santa jogar, seja lá onde for. Daí, que estou no maior impasse: ir ao jogo ou disputar um torneio de society, que marcaram para o mesmo horário da peleja lá em São Lourenço da Mata. Faz uns quatro meses que inscrevemos nosso time. E pra azar meu, marcaram o torneio justamente no mesmo dia e horário da partida Santa Cruz x Vasco da Gama. Já tentei convencer para mudarem a hora do torneio. Não me atenderam. Pedi para que transferissem para o domingo. Negaram. Danado é que no meu time, dos oito inscritos, dois estão machucados. Se eu faltar, sem um motivo justo, a turma vai ficar invocada. Pensei até em simular uma contusão. Distensão na virilha, dor na região lombar, contratura na parte posterior da coxa, algo desse tipo e me mandar para, como diz Edgar, Arena do Defunto. Simbora. Vamos pra São Lourenço tomar conta daquele campo e...

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