Lero-lero guedesiano: teoria e prática do Mesmismo
ago29

Lero-lero guedesiano: teoria e prática do Mesmismo

Depois do empate com Avaí, Gerrá da Zabumba passou o final de semana passado, a lendo e escutando entrevistas. Ele me contou que queria entender a razão do ataque do Santa Cruz ser uma coisa tão sem tesão, tão sem vontade. Realmente, quando vejo nossos meias, laterais e atacantes chegando perto da área adversária, fico achando que fazer gols é uma coisa enfadonha, uma obrigação chata. Algo como entrar  na fila do cartório para reconhecer firma de terceira via ou telefonar para o call center do plano de saúde. Não sei se é assim, sempre fui zagueiro e ruim de bola. Se fiz meia dúzia de gols na vida, foi muito. O problema é que Gerrá viu e leu tanto o que Sérgio Guedes que, na segunda-feira mesmo, acabou escrevendo que vai do nada ao lugar nenhum. Um lero-lero igualzinho ao do nosso treinador. A equipe Blog do Santinha resolveu então organizar uma coletânea do raciocínio vivo de Sérgio Guedes e desconfiamos que ele está criando sua própria escola filosófica, o Mesmismo, que seria segundo Samarone, que entende dessas coisas, a base conceitual da mesmice. Devem ser lindas as preleções nos vestiários. Decididamente, não é fácil ser jogador de futebol. Abaixo o melhor do Mesmismo: “A gente fez dois trabalhos táticos para dar uma característica boa para um jogador que não tenha como principal característica fazer aquilo. O adversário joga com muita virada e agressividade e temos que neutralizar isso. Só tivemos um posicionamento defensivo bem específico e queremos dar liberdade ofensiva. Muita liberdade ofensiva”.  . Temos que tirar proveito das condições do jogo e aproveitar as oportunidades. O Santa Cruz não vai em busca de um resultado igual. Vamos em busca da vitória. Dependendo das condições um empate pode ser bom.  “Eu sempre falo a eles que, por mais que tenham treinador, alguém que comande, é importante que haja o entendimento daquilo que se pede”.  “Soubemos defender quando foi preciso e aproveitar o espaço quando eles apareceram.”   “Quando não vencemos, é preciso administrar e vir aqui justificar. Mas quando as vitórias acontecem, é preciso dizer que houve entendimento, que os atletas realizaram aquilo que se pediu. É um momento de reflexão, porque a vitória nos dá confiança e moral, mas as razões que nos levaram aos três pontos não foram essas e sim a intensidade e a disposição dentro de campo”.  “As razões pelas quais não atingimos o esperado é porque estamos administrando muitas coisas. Não é fácil fazer isso. Inicialmente a equipe se mostrou desconfortável, esperando o adversário e depois teve iniciativa de sair no contra-ataque. Quando começamos a desarmar e atacar, tivemos mais ocasiões, só que...

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As indecisões definitivas do treinador, e a torcida que continua crescendo
ago28

As indecisões definitivas do treinador, e a torcida que continua crescendo

Estou de saco cheio desse converseiro maluco do treinador, Sérgio Guedes. Nem no ensino fundamental eu escutava tanta besteira. Tudo bem que eu não entendia muita coisa que o professor de Moral e Cívica falava, mas ele não era um treinador de futebol e eu não era jogador profissional. Alguém precisa dizer para ele: Deixa de falar merda e bota esse time para ganhar! Nem pensador francês fala tanta coisa que não leva a lugar nenhum. Deleuze, Guatari, Foucault, todos são mais compreensíveis do que ele. Resumindo tudo, temos um homem indeciso à frente dos atletas. A obsessão do time ideal acaba deformando o time possível. É o típico sujeito que tem dúvida até no par ou ímpar. Porra, mas logo no Arruda? Mudando de assunto. Vejo nos principais jornais a pesquisa realizada pelo Lance/Ibope sobre as maiores torcidas do Brasil. O Santa, apesar das quedas e coices para as séries C e D (toc toc toc), em nenhum momento perdeu torcida. Muito pelo contrário. O Santa aumentou o tamanho da sua massa e está na décima sétima posição nacional.  Não sei quantos times tem hoje no Brasil, mas estamos entre as maiores. Isso não é novidade. A novidade é que os jogadores parecem não ter o coração na ponta das chuteiras. Como mandante da Série B, a equipe coral só venceu três dos oito jogos. Se dependêssemos apenas dos jogos em casa, estaríamos na zona de rebaixamento. Dos 20 clubes da Série B, a nossa é a quarta pior campanha. Ahm , sim, tivemos dois jogos nos Aflitos (um sem público) e um na Arena Pernambuco (argh), mas mesmo assim, os números permanecem: cinquenta e quatro por cento dos pontos em disputa. Os jogadores têm medo de torcida? Voltando ao nosso cientista maluco. O treinador do Náutico, Dado Cavalcanti (prata da casa coral) chegou, mexeu em algumas peças, resgatou os escanteados, deve ter dado umas broncas, mandou todo mundo correr atrás da bola como se fosse um prato de arroz com feijão. Resultado: o time embalou, ganhou três seguidas e já está na nona posição. Sem firulas, sem frescuras, sem dramas existenciais. Não dá para ficar lendo Hamlet à beira do gramado. Sérgio Guedes gosta de inventar uma roda. Já testou três esquemas táticos nas últimas partidas. Mudou o time em todos os jogos. No treino de ontem, fez quatro mudanças. Não sei se tem filho. se tiver, é aquele pai que muda os meninos de colégio todo ano, porque suspeita que os professores não são bons. Cito trecho do Diário de Pernambuco de hoje: Guedes tirou Natan e colocou Pingo. Em um outro momento retirou Wescley, Keno e Sandro...

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Momento atual – um espiral ortopédico
ago25

Momento atual – um espiral ortopédico

Está mais do que complexo imaginar o que vai transcorrer com o Santa Cruz daqui para a finalização da seribê. Estamos definitivamente numa encruzilhada com caminhos para todos os quatro lados. O time apresenta defeitos que dificultam a busca por virtudes. Principalmente, se olharmos pela ótica do otimismo. O que por si só, já nos leva a crer que a realidade é dura e poderá tomar rumos de crueldade e de atropelos. Neste sentido, para muitos já se tornou de cansativo e enfadonho destinar análises e palavras sobre tal situação. Entretanto, se faz  necessário continuarmos a levar nossa mira ao alvo da questão, pois o Santa Cruz nasceu e viverá para sempre. Desta forma, nunca ficará tarde, nem distante, irmos ao fundo dos problemas do futebol que a nossa equipe está elaborando dentro do gramado. Todas as questões que atrapalham nosso desempenho se resumem a duas variáveis: – atletas com pouco potencial; – treinador sem poder de maximização desta pouca potência. Some-se a isto, a inércia da diretoria, que ao se deparar com conflitos, não tem agilidade para resolver os achados. Neste patamar, o problema se mantém e é muito comum que evoluam  em progressões que pode fugir ao controle. Ao que nos parece, ainda não chegamos neste estágio. Isto pode ser bom e também ser ruim, visto que, temos a impressão que não estamos muito longe do ponto alto da negatividade. Por sua vez, quando isto é certificado, a sensação é que a vaca poderá ir pro brejo. E aí, se ela for, fudeu a tabaca de xola. O clube precisa ser agressivo nas ações. O treinador precisar correr para formatar nossa equipe. Minha gente, o tempo é um precioso metal que aflige a busca pelos objetivos. Pelo que vejo, Sérgio Guedes parece tangenciar a curva da equação defesa-meio-ataque, não conseguindo encontrar o ponto real de equilíbrio sobre os setores. É preciso tomar as providências cabíveis o mais rápido possível. Saber gerenciar. Ponderar as variáveis boas e as que causam degradação. Só assim, o time vai encontrar a saída exata sem precisar passar pela angústia e o desespero. Nisto temos que encarar o psicológico, ver o físico, observar o tático, analisar os aspectos técnicos e verificar as estruturas. Ao final, se for encontrado que as perspectivas estão comprometidas, se torna necessário regressar ao marco zero, para percorrer todo o percurso. O caminho é tortuoso e escorregadio. Então, chego a contundente conclusão que estamos dentro de um espiral...

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Nossa sorte é a ruindade dos outros
ago20

Nossa sorte é a ruindade dos outros

Eu não sei o que danado ainda me faz sair, para assistir a um jogo do Santa Cruz. Só pode ser algum tipo de esperança maluca, sem juízo nenhum, que me leva a telefonar para amigos, mandar mensagens, apressar a janta das filhas e enfrentar os engarrafamentos das ruas do Recife, para ver o já esperado futebol bizarro que o nosso time joga. Ontem o que salvou a noite foi o caldinho, a cerveja gelada, o bode assado com macaxeira e o bom papo sobre política que tive com o diretor de fantasias da Troça Minha Cobra, Esequias Pierre. O Santa Cruz atual é formado por um amontoado de péssimos peladeiros, comandados por um atordoado entregador de camisas que escala mal, substitui pior ainda e não fala nada com nada. Um sujeito pra lá de esquisito. Não sei se por burrice, mas não consigo compreender praticamente nada do que essa figura de cabelo estilo dupla sertaneja dos anos oitenta tenta falar. Leio, releio, leio de novo, olho outra vez,  e não entendo bulhufas do que é dito por ele. É provável que nem mesmo ele saiba o que está falando. Pode ser que seja intencional. Ou então, é pura maluquice. Vai ver que ele só da entrevista doidão. Enfim, seja lá o que for, tenho pra mim que este treinador é o maior gerador de lero-lero que já passou pelas Repúblicas Independentes do Arruda. Se alguém lembrar de outro, favor compartilhar nos comentários. Puxando aqui nos meus arquivos, encontro uma entrevista dele depois de mais uma vergonhosa eliminação na Copa do Brasil. Sobre o nosso time, Sérgio Lero disse assim: “Nossa equipe é capaz e precisamos de uma transposição de categoria. Vamos nos reorganizar e reconstruir o time. Espero que eles assimilem bem e que a gente continue persistindo, pois o caminho é esse. A nossa função é de respaldo para os jogadores e queremos proteção”. Transposição!(?). Em toda entrevista, ele fala nessa tal de transposição. Não sei vocês, mas eu gostaria mesmo era de ver, esse enrolão sendo transportado daqui para outro lugar. De preferência para algum adversário nosso. Fosse mais perto, a gente levava ele e jogava dentro do Rio São Francisco. Ontem, após a horrível apresentação, Sérgio Enrolão Gudes saiu com essa: “Colocamos o futebol para fazer a transição e a equipe deles se ajustou. Colocamos o time de uma maneira ofensiva demais e começamos a jogar de costas. Tivemos que mudar para alterar o panorama.” Se alguém entendeu isto aí, por favor me ajude. Pois, não fica claro pra mim o que é que Ségio Guedes quer dizer. Anotei em um papel e aproveitei a...

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Inventário de mazelas
ago15

Inventário de mazelas

Sabe o que é mais difícil na hora de escrever sobre mais uma humilhação como essa que a torcida do Santa passou na Copa do Brasil? É que a vontade é de descer a lenha em tudo, em todos, dar o maior pau em qualquer um que tenha que a gente acha que tenha um pouquinho só de culpa. O risco é de fazer uma lista, um texto sem pé nem cabeça, um inventário de mazelas cheio de choramingos, incapaz de proporcionar um mínimo de prazer a quem o lê. Um texto caga-raiva, na linguagem chula. O problema é que somos mesmo bastante chulos, reconhecidamente chulos, vulgares até a válvula mitral, que fica entocada no coração. Por isso, daqui em diante vai ser só lapada. A começar pelo pseudozagueiro que encontraram jogado na lata de lixo nos fundos da sede do Flamengo. Jogador profissional que tira a bola da área dando um passezinho cafofo pro meio só pode estar de sacanagem. Fiquei com uma vontade danada de fazer uma postagem dedicada exclusivamente para ele. Mas, convenhamos, seria perder tempo demais com um sujeito destinado ao esquecimento. E, além do mais, seria injusto. Afinal de contas, como não falar mal do entregador de camisas? O cabeludinho anacrônico passou a semana toda pensando nas piores opções e em como não surpreender o adversário, em como não constranger o visitante. Infelizmente, ele alcançou seus objetivos quando abriu mão da regularidade de Danilo Pires e se agarrou com a inconstância de Pingo, um atacante cujas boas jogadas não passam de surtos, episódios raros, ilhas num oceano de ruindade. Quando vejo Sérgio Guedes reclamando que o time está sonolento, eu, não sei porquê, só lembro da decisão do campeonato pernambucano de 2013. Lembram que ele era o técnico do Sport? Lembram como o time dele, que precisava ganhar de todo jeito, começou o segundo jogo na maior lerdeza e só acordou para Jesus quando Caça-Rato deixou o goleiro com a bunda no chão? Pois é. Talvez Sérgio Guedes dê sono. Já que o assunto é o técnico, gostaria de entender um negócio. Para que insistir em Renatinho improvisado se importaram dois laterais-esquerdos, o tal Julinho e Zeca, que só ontem foram me contar que permanece no clube? Se os caras não prestam, mandem embora e pronto, ora essa. Renatinho não entende nada de marcação, nem tem ideia do que se trata. Se fosse no dominó, era capaz de marcar o parceiro. Renatinho, pobre coitado, é só parte do problema. A defesa toda é que é tá de lascar há um tempão e ninguém ajeita. Por sinal, esse seria outro assunto que rendia um texto...

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