Tijolaço pode?
maio27

Tijolaço pode?

Ainda não completou um mês a morte do rubro-negro atingido por uma privada jogada do alto do estádio do Arruda. Pois bem, 22 dias depois do assassinato do rapaz na rua das Moças, um paralelepípedo tamanho GG voou das arquibancadas de outro estádio pernambucano, estilhaçou o vidro traseiro do carro do quarto árbitro de uma partida da série A, amassou o capô e foi parar no banco de trás. Se o árbitro da partida e os bandeirinhas estivessem lá – pois nesse carro que eles foram do hotel para o estádio – alguém tinha passado dessa para melhor. A coincidência das ações e do contexto – objetos pesados jogados do alto de estádios, minutos depois de partidas de futebol realizadas na mesma cidade – seria o bastante para que o fato merecesse bastante destaque e repercussão. Nada disso. Quem usou os microfones para berrar que o Santa Cruz tinha de ser punido, calado ficou. As autoridades de segurança que apontaram o clube como culpado na primeira entrevista coletiva, não apareceram, não procuraram responsabilizar ninguém. Nenhum chargista se meteu a engraçadinho. Nenhum fotógrafo ou cinegrafista procurou outro ângulo para fotografar o carro (esperamos 48 horas por um foto melhor do que essa porcaria que ilustra a postagem), não apareceu um investigador para tentar adivinhar de onde foi jogado o pedregulho. Na rádio, um comentarista – ou vários deles – disse com razão que não dá para comparar uma morte com um vidro quebrado. Não, não dá. Isso qualquer um pode compreender. O que é absolutamente incompreensível é que ninguém relacione um fato com outro. Não se trata de relacionar alhos com bugalhos. Sinceramente, não acreditamos aqui no blog que a mídia, o ministério público e a polícia estejam de proteção com o Sport. Não é isso. Não é simples assim, apesar do clube se beneficiar com o silêncio. É provável que o governo estadual não queira barulho com isso a tão poucos dias da Copa do Mundo. Compreensível, mas não é a coisa mais sensata a fazer: novamente “estão esperando morrer alguém” para usar o velho clichê. Quando a “merda virar boné” (agora este precário escriba recorre a um dito popular), como já virou há 22 dias, talvez já não baste botar a culpa no clube e ponto final, como fizeram na manhã do sábado pós-privada. Já o silêncio dos profissionais da mídia, este eu não entendo. Será que consideram normal um tijolo voar da arquibancada, do mesmo jeito que não estavam nem aí quando tudo quanto é coisa era jogada das gerais do Arruda antes de 2 de maio? Marcaria um xis nesse resposta, caso fosse uma questão de...

Leia Mais
Jejum, pedras e biritas
maio27

Jejum, pedras e biritas

Até agora, neste ano de 2014, Sérgio Guedes disputou quinze partidas. Ganhou dois jogos, empatou oito vezes e levou cinco lapadas. Em seis jogos ele estava à frente do comando do time do Oeste. No Santa Cruz são nove embates, uma vitória e oito empates. Muitos ainda acham cedo para apedrejar o treinador. Eu tenho minhas dúvidas a respeito disto. Mas se formos olhar para o “currículo” dele, fica difícil acreditar que com este técnico, nosso time consiga deslanchar na competição. Mas deixemos esse assunto pra depois da copa. Vou aqui regando a minha esperança e acreditando que a parada por causa do mundial de futebol vai fazer com que o treinador conserte nosso time. Por falar em apedrejar, no domingo passado, no jogo na Ilha do Retiro, voaram pedras e metralhas. Uma delas acertou em cheio o carro do quarto árbitro, Sebastião Rufino Filho. Tivesse acertado a cabeça de alguém, teria feito um estrago grande no crânio e muito provavelmente o filho de Sebastião Rufino teria morrido. Fiquei sabendo que o fato foi parar na súmula da partida. Mas o interessante é a pouca repercussão que isto teve na mídia. Uma nota aqui, uma postagem acolá e mais nada. Os holofotes não se interessaram em transformar o ocorrido em manchetes sensacionalistas. Tivesse sido outro vaso sanitário ou uma pia ou uma grade de cerveja, teria virado notícia mundial. Falando em cerveja, acabo de ver a tabela de preços que vai vigorar nas lanchonetes das Arenas durante os jogos da copa aqui no Brasil. É uma lista bem grandinha de comes e bebes, com preços bem salgadinhos. Tem Rippled Potato Crisps e Cheese Tortilla Chips. Cada pacote de 100g custará R$ 8,00. Tem também alguns sandubas: Double cheeseburger, turkey and cheese  e o famoso cachorro quente que custará somente R$ 10,00. Ali em São Lourenço da Mata, vão vender tapioca ao preço de R$ 8,00 e Guava cake a R$ 5,00. Lá em Salvador vai ter acarajé sendo vendido ao preço de R$ 8,00 e a Coconut sweet será 5,00. Fui baixando a vista e cheguei ao que mais me interessa, o cardápio dos drinks. A coca-cola será vendida a R$ 8,00, uma Crystal Water de 500 ml vai custar apenas R$ 6,00 e um Matte herb iced infusion sairá ao preço de R$ 8,00. Aí, pra minha surpresa, a FIFA repete o que fez na Copa das Confederações e arrota na cara da CBF e de quem mais vier com essa conversa mole de proibir venda de bebidas nos estádios. Está escrito no cardápio Budweiser e Brahma Beer.  Isto mesmo meus amigos, vão vender cerveja nos jogos. Cerveja...

Leia Mais
Tédius futebolísticus
maio22

Tédius futebolísticus

Tédio é uma coisa que dificilmente tenho na vida. Acho que conto nos dedos as vezes que senti tédio. O sujeito entediado, na minha opinião, é pouquíssimo criativo. Tenho minhas pilhas de livros, os amigos, minha companheira, os gatos, tenho os bares prediletos, a turma da pelada, duzentas mil coisas para fazer. Falta-me tempo, espaço e motivação para sentir tédio. Às vezes, fico sem fazer nada, só olhando para o tempo, e nem assim eu sinto tédio. Sim Zé Ruela, como diz o velho zagueiro Stênio, e o que o combustível tem a ver com o posto de saúde? É que nunca imaginei que o Santa Cruz, este de 2014, fosse me provocar tanto tédio como estou sentindo agora. Empates e mais empates, jogos absolutamente previsíveis, uma zaga que é uma verdadeira mãe. Eu ligo a TV (ou o rádio) e já sei. Se o Santa fizer um gol, não vai dar nem tempo de comemorar, que vem o empate. Leio os três jornais diariamente, por força do  hábito (e do trabalho). As matérias sobre o Santa exalam tédio. “Esses empates estão incomodando”, dizem atletas, comissão técnica, dirigentes, quase dormindo. Os jornalistas ficam caçando algo interessante para falar sobre o Mais Querido, uma novidade, mas isso fica uma tarefa mais para Dirceu Borboleta. Uma casa de repouso para a velhice, em Aldeia, deve estar mais animada que as dependências do Arruda. As entrevistas dos jogadores, do treinador, são tédio puro. Sobram explicações lógicas. Não tem um que fale uma loucura, que diga uma asneira, nem que seja para alegrar o ambiente, a torcida. Nem a reles, simplória provocação. É quase um time politicamente correto. Até Caça-Rato, que tinha umas ondinhas, está bem comportado. Se o jogo de amanhã for de portões fechados mesmo, não vamos escutar sequer um grito de um jogador pedindo para apertar a marcação. Um reles “toca essa boca, caralho!” vamos escutar. O jogador que chamar o outro de “filho da puta”, porque perdeu um gol feito, é capaz de ser multado. Na pelada que jogo toda quarta-feira, os caras parecem um bando de doidos. Levar um gol de bobeira é capaz de levar a uma guerra civil. Há discussões que duram dois dias. O sujeito que leva um gol no finalzinho, sai do campo como se tivesse morrido alguém da família. Ontem, Jorge Coxinha gritou tanto com Danilo, porque ele não cruzou a bola de primeira, que saiu do campo com cãibra nas cordas vocais. Temos um time com vocação para escoteiros. E futebol não é coisa para bons moços. O pior é que já passou a idade para isso e a massa coral adora loucuras. Eu...

Leia Mais
Nem tanto, nem tão pouco
maio20

Nem tanto, nem tão pouco

Nos comentários da Internet, prevalece mesmo é o mau-humor. Tenho um blog de crônicas, de vez em quando chega uma mensagem falando do Brasil. Parece que vivemos no pior país do mundo. Somos uma África piorada, um Congo falido. Como não tenho Facebook, twitter, whatsup, nem imagino como deve andar o azedume pelas famosas “redes sociais”. Bem, mas vamos ao ponto principal, que é o Santa Cruz. Vamos com cinco empates em cinco jogos. Já vi colunista dizendo que Sérgio Guedes, se não ganhar logo, corre o risco de cair. Me dei ao trabalho de assistir Icasa X Santa no sábado passado, na casa do adversário, com um bom público, torcida apoiando etc. O primeiro tempo foi equilibrado, mas o técnico Sérgio Guedes mexeu bem no intervalo, o time ficou visivelmente melhor, mandou no jogo. Fizemos 1 x 0 num golaço do Carlos Alberto, sofremos o empate num erro bizarro do zagueiro Renan, o time poderia ter um “apagão”, mas mostrou personalidade e foi pra cima. Perdemos quatro chances claras de gol. No mínimo, o Santa poderia ter ganho por 3 x 1. Repito um detalhe – o time teve atitude, personalidade, não se acovardou com a bunda na parede, como estava virando receita de bolo. Um gol e o campo só chegava até o círculo central, na base dos chutões. Uma vitória nos deixaria na sétima posição, já na rodada passada. Eu não estou achando o Santa Cruz nem tão bom, a ponto de inspirar arroubos ou grandes esperanças, e nem tão ruim, a ponto de me tirar o humor, o sono, ou fazer prognósticos catastróficos, como uma possível queda. Precisamos contratar jogadores, melhorar o meio de campo e consertar essa zaga, que agora vive batendo cabeça. Vi que acabaram de contratar o Araújo, com 36 anos. Porra, não tem gente mais jovem para dar um gás nesse time não? Tanto moleque bom de bola por aí, doido para jogar num clube grande como o Santa… Na chegada do treinador, fiquei ressabiado. Ainda estava na memória aquele choramingo todo, quando ele saiu do Sport, derrotado. Ele me parecia mais um roqueiro que brigou com a banda e foi morar num sítio em Cotia. Mas, por estranho que pareça, o Santa estava precisando de alguém como ele. Um sujeito mais equilibrado, que conversasse com os jogadores, que fosse tirando o clima pesado da derrota (e como foi a derrota) para o arquirrival, na semifinal do Estadual. Esse trabalho mais psicológico, miúdo, era necessário. Ele foi resgatando a confiança de alguns jogadores. E sem confiança, o sujeito tem medo até de um sogro gago. Não sei o que pensam os demais cronistas e comentaristas deste Blog do...

Leia Mais
A greve acaba e o Coronel dá as caras
maio16

A greve acaba e o Coronel dá as caras

Texto escrito pelo Coronel Peçonha. Torcedor do Santa Cruz, sócio em dia, frequentador assíduo do Arruda, Advogado e militar nas horas vagas. Confesso que já esperava um ano de centenário difícil; parece praga e não é o primeiro caso no Brasil. Mas não tanto. Primeiro, perdemos três mandos de campos porque uma tal organização (não é torcida, apesar de ser organizada) brigou lá em Maceió e o Santinha amargou um prejuízo de mais de um milhão de reais. Depois, o caso da privada e a morte de um ser humano na saída do estádio. E de logo saliento meu total respeito, minha solidariedade e minhas condolências aos parentes do falecido, porque talvez escreva algo que não se gosta de dizer em momentos tão difíceis para quem perde um ente próximo e querido. Na minha opinião, a mesma ideia “moralizadora” que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estádios é a que pune agora o Santa Cruz com a perda de cinco mandos de campo com portões fechados e mais multa de R$60.000,00 agora. Puramente hipócrita. Os três envolvidos no homicídio de um torcedor de outro time após o término da partida foram identificados e presos, servindo tal fato apenas como “atenuante” e não excludente da responsabilidade do clube, segundo o julgamento ocorrido hoje no STJD. Se o clube vai responder por conta da atitude de três pessoas que agem sorrateiramente quando já acabada a partida e liberadas as torcidas, arrancam uma bacia sanitária (não era um pedaço de algo que estava solto) e atiram de um local já considerado esvaziado até pela Polícia Militar, perdoem-me a piada de mau humor, mas então o Santa Cruz é o primeiro clube de Pernambuco a incentivar atletas para as Olimpíadas de 2014 no Rio de Janeiro, permitindo o arremesso de peso em suas dependências. Não tem graça por conta de se tratar de um homicídio (inaceitável em qualquer situação), mas não tem graça também o Santa Cruz virar bode expiatório de uma situação nacional. Defendo até a infeliz tese de que se a morte fosse ocasionada pelo arremesso de uma pedra ou advinda de um tiro de arma de fogo, o caso se juntaria a tantos outros similares e o clube perderia um mando de campo, no máximo, quando muito. Lembro também que a vítima estava no Arruda descumprindo expressa e conhecida determinação do Juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Recife/PE, que estabelecera que as principais torcidas organizadas se abstivessem de comparecer aos estádios dos três grandes do Recife (http://s.conjur.com.br/dl/juiz-impede-torcidas-organizadas.pdf). Sim, porque ninguém está falando, mas a vítima, ao comparecer ao Arruda não na condição de torcedor ou...

Leia Mais