Tá no sangue
jan10

Tá no sangue

Gerrá tá certo. O que esse blog nos traz de melhor é a chance de conhecer muita gente boa e ouvir as histórias que nos contam. Não é brincadeira a quantidade e a variedade do que já escutamos de ou sobre apaixonados pelo Santa Cruz. O que guardamos na memória muitas vezes acaba aqui no blog em forma de postagem. É tanta coisa que já deu pra três livros, fora as horas e horas de papo jogado fora. Nada porém, mexe mais comigo do que as histórias que os filhos contam da paixão dos seus pais. Freud explica. Tenho pra mim que torcer pelo time do pai é uma forma de manter contato com o velho mesmo depois de adulto, refazer a conexão depois que o pai vai dessa para melhor ou reforçar um vínculo imaginário, tipo assim: “gostaria de ter vivido isso com meu pai”. Enfim, quem explica é Freud. Eu, no máximo, sinto que pode ser assim. Meu pai não era e ainda não é muito de ir a estádio, entretanto o menino que vive dentro de mim (o mesmo que tira catota e bota embaixo da cadeira) guardou o quanto era gostoso ir ao Arruda ou ao Batistão, no tempo em moramos em Sergipe. Dia desses seu Lúcio me contou, como quem fala de um fato insignificante, que costumava me levar para a Unicap, já todo vestido de tricolor, quando o jogo era na quarta-feira. Ele saía mais cedo da aula e me levava para o Mundão. Tinha apagado isso da memória. Depois que ele contou, voltou tudinho. Hoje sou eu que faço um esforço enorme para levá-lo para o jogo quando ele está em Recife. E, nos últimos tempos, poucas pessoas me emocionaram tanto quanto Carlos Manoel e seu Carlão. O filho é militar, lotado em São Gabriel da Cachoeira, num posto do Exército na fronteira do Brasil com a Colômbia. Longe para cacete. Vocês devem lembrar dos comentários que ele deixa no blog. Na foto que ilustra o alto desse texto, ele está ao centro segurando a bandeira coral no meio da floresta. Pois bem, no dia do lançamento do segundo volume da trilogia, Carlos Manoel estava de férias por aqui e levou seu Carlão. O pai sofre de mal de Parkinson, uma doença devastadora e tem pouco controle sobre seus movimentos. O juízo, em compensação, está bom todo.  Conversamos um pouco na praça do Arsenal. A lembrança mais recorrente e mais gostosa de Carlos Manoel é entrar no Arruda no cangote de Carlão que, por sua vez, torce pelo Santa Cruz graças ao pai, um paulista de Guaratinguetá que veio parar em Recife...

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Entrevista com Inácio França
jan05

Entrevista com Inácio França

Uma entrevista com o jornalista Inácio França durante o lançamento do livro A Raça é Negra.

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