A fé é preta-branca-vermelha
jan14

A fé é preta-branca-vermelha

Parece que faz um ano que estamos sem ver o Santa jogar. Este calendário da sericê é cruel. Deixa um vazio danado. Mas para alegria da torcida mais apaixonado do Brasil, terça-feira começa nossa temporada. Jogaremos em João Pessoa pela Copa do Nordeste.A gente vai encontrando os tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda e as perguntas se repetem.“E aí, tás acreditando?”“E esse ano, será que a gente chega?”“E fulano?”. “E sicrano?”. “E beltrano?”Peito de Pombo me perguntou o que eu estava achando dos contratados.Diante de tantas idas e vindas e de toda a minha quilometragem rodada acompanhando e torcendo, a esperança já não é mais da mesma cor de antes. Eu já nem ligo muito para as contratações.Mas não disse isto a ele, pra não cortar o seu barato. Tirei uma onda. “Rapaz, trouxeram um atacante aí que faz uns doze anos que não faz gol”. Peito disse: “vai fazer pelo Santa Cruz. A gente sempre ressuscita esses jogadores”.Acho massa essa fé.Minha filha menor disse que tava com saudades do Arruda. Me perguntou: “papai, Ricardo Ernesto ainda tá no Santa?”. Respondi que sim. Ela ficou super animada. “Ele é muito bom. É muito melhor do que aquele Gordinho! ” Deu uma pausa e continuou: “Ri-car-do Er-nes-to! Que nome! Queria tirar uma foto com ele”.Contei para ela que finalmente, vamos ter um placar eletrônico no Arruda. Ela não faz ideia do que seja. Não só ela. Ela e tantas outras crianças que frequentam o Arruda não fazem ideia do que seja um placar eletrônico.“Como assim, um placar eletrônico?”.Fui procurando formas de explicar àquela cabecinha o que era um placar eletrônico. Um painel luminoso. Bem grande. Que informa quanto está o jogo. Nele aparece o nome dos jogadores. O nome de quem fez o gol.“Aparece o nome do goleiro?”.“Aparece. Do goleiro, do zagueiro, do atacante, de todo mundo. As vezes aparece até a foto.”“uh-hu! Vai ser massa! Eu queria ver a foto de Pipico, tu queria ver a de quem, papai?”“Hum…. peraí! Queria ver…, já sei. Sabe o que eu queria ver?”“O que?”“Queria ver o placar piscando a palavra Gooollllll e mostrando a foto de Jô. E no final da sericê, eu quero ver escrito no placar: Santa Cruz, bicampeão da Serie C”.“Aê, papai!”, ela chegou batendo.E eu pensei, “a fé é...

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Ano sabático.
jan10

Ano sabático.

O amigo Robson/PI escreveu: “Ouvi dizer que quando o atacante Jô fizer seu primeiro gol os editores do blog vão atualizar o texto”. Meu velho, se dependesse desse perronha, nem Blog e nem Santinha se salvariam. Não dá para entender que critério desgraçado foi usado para contratar uma desgraça dessas. Esse comentário foi de uma postagem de 25 de agosto do ano passado. Porra, quase cinco meses sem postar nada por aqui. Na verdade, foi quase um ano sabático para o Blog. Acho que também foi para a grande maioria da torcida tricolor coral das bandas do Arruda. A morgação de não termos conseguido o acesso à séribê foi de lascar. O tempo sem jogos foi triste. Todo dia eu acompanhava as resenhas, mas era aquela mazela residual, aquela sensação de “puta que pariu, quase”. Não apenas eu, Gerrá e Sama: todos os meus amigos corais pareciam apáticos, sem muito interesse. Os jogos treinos trouxeram aquela velha sensação de que precisaremos de algum tempo para nos acostumar com as caras novas. Uma das poucas exceções é meu amigo Juninho, tricolor incansável, crítico lúcido das agruras do clube que sempre me mantinha atualizado das questões internas do clube pelo zap. E Esequias, mais fanático e apaixonado pelo Santinha é quase impossível. O jogo contra o Treze foi razoável – não sejamos nem otimistas e nem pessimistas. O Treze só vinha de vitórias. Havia desbancado o Capibaribe em terras pernambucanas e estava com a porra toda. Arrancar o empate em um amistoso desses é importante. Leston Júnior afirmou que precisamos de mais seis amistosos para que o time possa atingir um nível aceitável. Gostei de Pipico e Augusto (com as eventuais reservas de sempre). E mais ainda de Héricles – aquela falta com a perna esquerda foi algo de espetacular. Dia 15 começa a Copa do Nordeste e dia 20 é dia de retornar ao Arruda contra o América, rever os amigos, comer o melhor cachorro-quente do mundo, tomar umas em Abílio e respirar aquele clima maravilhoso que só o Arruda possui. Sim, meus amigos. O Blog do Santinha voltou. Não morremos e tampouco o Santa Cruz. Aliás, o Santa Cruz é imorrível assim como a paixão e amor de sua torcida. Pé de coelho, sal grosso, ferradura e muita mandinga para quem torce contra. Para os amigos de sempre, saudações tricolores corais do grande e glorioso Arruda e desse humilde Blog. De volta que “habemus futebol”, meu...

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Apenas um jogo
ago25

Apenas um jogo

Eu até tento controlar os nervos. Tento fazer de conta que sou forte, que o futebol é apenas uma diversão. No jogo passado, quis ficar imune e segurar a emoção. Mas foi chegando o dia e, uma mistura de ansiedade, angustia, sei lá o que, vai tomando conta da gente. Domingo, quando vi o movimento nas ruas, as pessoas, bicicletas, as vans, as kombis e ônibus lotados dos mais diversos torcedores do Santa Cruz, do Santa Cruz das bandas do Arruda, o coração foi se desmascarando e mostrando sua face. O rosto do coração preto-branco-vermelho. O coração que vibra, que torce, que entra em campo, que defende, que ataca, que faz o gol! Já dentro do estádio, me peguei com a mão gelada e as pernas bambas.  Enchi os olhos de lágrimas no golaço de Vitor. Estou assim, agora: nervoso! ansioso! querendo que esse domingo chegue antes do que está marcado no calendário. Sem conseguir pensar em outra coisa que não seja a partida decisiva. Confiante? Sim. O time incorporou a raça coral e está jogando como se fosse nós em campo. Os caras sentiram de perto a força da nossa torcida e o tamanho da nossa paixão. Como se diz no linguajar do boleiro, o time está focado. Mas futebol é futebol. E mata-mata é pra acabar com  qualquer racionalidade esportiva. E aí, lá vem aquela angustia, aquele sofrimento. Nem escrever, a gente consegue. É, meus amigos, quem for de beber, beba! Quem for de rezar, reze! Falta apenas um...

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Apenas dois jogos.
ago19

Apenas dois jogos.

A rodada desse sábado não foi boa para os pernambucanos: Do Recife levou outra lapada e está descendo ladeira abaixo em direção à séribê e o Capibaribe segue mantendo a velha tradição de nadar e morrer na praia. Se lascaram bonitinho. Do nosso lado, vi uns sites que não botavam muita fé na classificação do Santinha para a séribê. As estatísticas eram baseadas não sei em que método. Parecia mais papo de bebo em boteco. De minha parte, estou bastante confiante. Mas isso não significa que o jogo de hoje será fácil. Não, meus amigos e amigas, não será. O jogo de hoje é decisivo. Estamos apenas a dois jogos da B – 180 minutos e vai ser cana até umas horas. Todo tricolor coral das bandas do Arruda que converso parece esperançoso. Mesmo os mais desconfiados. Seu Manoel, o velho e bom garçom de Seu Sebastião do Pátio da Santa Cruz, sempre repete: “Ah, é Pipico”. Hoje não quero falar dos desacertos dessa gestão. Hoje é dia de esperança e de deixar as mazelas, por enquanto, de lado. É dia de invadir o Arruda, de celebrar o retorno à séribê, sair de casa com uma vitória e tomar muita cerveja porque ninguém é de ferro. E pagaram junho para aumentar nossas esperanças! Danny Morais, William e Arthur estão de volta ao time. Sandoval, Paraíba e Robinho devem compor o elenco também. Vou escutar a resenha para saber a escalação definitiva. Mas o amigo Guto resumiu, na última postagem de Gerrá, o espirito desse jogo: “Agora é mão na cara e dedo no olho. Tem isso de time bom e ruim mais não. É jogar com o coração e na base da raça. Avante Santa Cruz!”. É isso mesmo. Raça, raça pura e vontade de mandar essa séricê para a puta que a pariu. A Diretoria espera um público de 50 mil torcedores. No meio de uma crise econômica no país e sabendo que a torcida do Santa Cruz é o povão mesmo, achei um pouco salgado o preço dos ingressos para o torcedor que vai ter que espremer o bolso pra ir ao Arruda. Era para ter promoção em um jogo tão decisivo assim. Pelo que vi até agora, chegamos a quase 20 mil ingressos vendidos. Mas nunca sabemos o que é real ou não nesses esquemas. Verdade que sempre teremos os pessimistas de plantão que dizem que tudo está perdido e que o clube vai sumir do mapa. Desde sempre que escuto isso. De salários atrasados a crises administrativas, o Santinha sempre sobreviveu. De uma coisa eu não duvido nem a pau: o que move o Santa...

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O Santa Cruz não sai da gente
ago07

O Santa Cruz não sai da gente

Passei uns dias de férias. Fazia tempo que não tirava 30 dias. Desliguei o computador. Me desliguei das notícias. Por várias vezes, desliguei até o celular. Depois da presepada com o Globo e da lapada que levamos na Paraíba, pensei em me desligar do Santa Cruz. Mas eis que viajo para Garanhuns e encontro os incansáveis Esequias, Robson e Marconi. Era cachicol do Santa Cruz, agasalho coral, boné, camisa…, até uma visita ao nosso ex-zagueiro Valença, os caras fizeram. Foram bater em Bom Conselho para encontrar aquele que parou Tévis. Pra atanazar ainda mais o meu juízo, fiquei na casa de Lígia. Lá tem até uma geladeira nas cores corais e com um escudo enorme do Santa Cruz na porta. A turma marcou para ver o jogo contra o Confiança. Numa feijoada perto da Buchada do Gago. Eu tentei me esquivar. Fui pro Euclides Dourado com a família. Só que não tirava o olho do relógio e o pensamento no jogo. Uma galera dançava street dance. Um senhor tocava uma sanfona. Um mamulengo se apresentava perto da Rural de Roger. Caía uma chuva fina e eu dava umas goladas numa aguardente boa danada, a Nordestina Gold. O Santa Cruz estava quase entrando em campo. Foi quando chegou um zap de Marconi avisando que não iria ver o jogo na tal feijoada, mas que estava no Varanda e lá passaria na TV. Faltavam 15 minutos pra começar a partida. As meninas brincavam no parque de diversão, a chuva começava a ficar mais forte, o frio chegou de vez e eu já havia tomado umas cinco lapadas de cachaça. Lá vem outro zap. “Estou no Varanda. Vai começar.” O Varanda ficava bem dizer na metade do caminho entre o Euclides Dourada e a casa onde nós estávamos hospedados. Uma pequena caminhada. Uns 800 metros de distância. Fui pra lá. Umas doses de aguardente, um pratinho de tripa assada, uma mesa de primeira linha: Marconi e Gisela, Hélio Mattos, Marquinhos, Vinicius, Mariá e Alessandra. Uma vitória excelente: quatro a zero. Daí pra frente, meus amigos, voltou a doidice, a esperança, o otimismo, a vontade de estar junto do meu time. Até pro treino eu fui. Domingo, corri para chegar logo em casa e assistir ao jogo contra o Juazeirense. Sábado que vem, vou é pro Arruda. Só faltam três jogos para subirmos. É no grito e na raça. A hora é de apoio incondicional. Não sei como Samarone está aguentando ficar longe do Santa Cruz, justamente...

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Bacalhau, presente!
jul04

Bacalhau, presente!

Recebi a noticia num grupo do whatsapp. Imediatamente, entrei em contato com nossa amiga Lígia que mora em Garanhuns. Era sempre através dela ou de Marcos que eu procurava saber sobre nosso amigo Bacalhau. Como quem não quer enfrentar a verdade, apenas perguntei: tens notícias de Bacalhau? Lígia me confirmou o falecimento. Logo em seguida, Marcos me manda um áudio dando a notícia. E começou a chover mensagens no meu celular. E a dose de tristeza foi aumentando. Alessandra mandou um áudio perguntando se era verdade. Estava na estrada e ouviu no rádio. Eu confirmei. Ela se entristeceu também. Bacalhau tinha o costume de chamar Alessandra de mãe. É que certa vez, em pleno Festival de Inverno, saímos do Polo de Cultura Popular e fizemos um favor para ele. Dali em diante, ele passou a chamá-la de mãe. Era uma forma carinhosa que ele encontrou para expressar sua gratidão. Quando eu encontrava Bacalhau, me sentia uma criança no momento que chega perto do seu ídolo. Ele fazia parte do meu imaginário, pois desde o meu tempo de menino, o via no Arruda, nos jornais, na televisão. Sonhava em falar com aquele cara. Tocá-lo. Vê-lo de pertinho. Depois de adulto tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e passar a admirá-lo ainda mais. Era uma figura linda. Carismática. Pura. Torcia apenas pelo Santa Cruz, não se importava com os demais. Amado por toda a torcida tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda. Era querido, respeitado e admirado até pelos torcedores adversários. Por várias vezes, vi em Garanhuns, alvirubros e rubro-negros pararem pra tirar fotos com ele. Bacalhau não se fantasiava com as cores do Santa Cruz. Bacalhau era daquele jeito o tempo todo. Era Santa Cruz 24 horas por dia, na alma, no corpo e em tudo que lhe pertencia. Como bem escreveu Bráulio de Castro, “Há quem veja o mundo azul, há quem veja cor-de-rosa, há quem veja o mundo cinza, cada um tem seu espelho. Bacalhau de Garanhuns vê preto, branco e vermelho”. Escrevo esse texto revendo fotos dos nossos encontros e recordando os bons momentos que tivemos com aquele sujeito. Nosso casamento. Nos Festivais de Inverno de Garanhuns. No Poço da Panela. Nos jogos do Santa Cruz. Meus olhos lacrimejam. Confesso que hoje estou triste! Mesmo sabendo do sofrimento que ele vinha passando, mesmo acreditando que ele descansou, estou triste! Vai na paz, meu querido! Eternamente, tu serás lembrado! Domingo estaremos no Arruda. Torcendo junto contigo, de corpo, alma e coração, por mais uma vitória do nosso Santa Cruz. Bacalhau,...

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