A velha e boa emoção.
abr16

A velha e boa emoção.

A final do Campeonato Pernambucano foi contra todas as previsões. Ambos os jogos estavam cheios. Tudo o que se pensa sobre a ausência da torcida nos campos – transmissão da TV, transporte público, violência das torcidas, conforto do sofá de casa, a porra toda – não valeu na final. Qual a razão dos estádios lotados na final? Muito simples: a boa e velha emoção. Pois é. Uma das coisas fundamentais no futebol. O que achei estranho – e isso estava conversando com Sama e Gerrá – é que na final eu só escutava neguinho gritando e vibrando com os gols da Patativa. Mas foi a emoção de ambos os lados que incendiou a final e trouxe o torcedor de volta aos campos. Tá, legal isso. Mas vamos ao que interessa: o Santa Cruz. Estava na casa de meu amigo Fábio Martins tomando umas e falando sobre o Santinha. Fábio também é tricolor coral das bandas do Arruda. Enquanto a gente brahmeava, ele soltou essa: “De boa, qual foi a última vez que tu vibrasse feito um louco com um gol do Santa?”. Ficamos pensando e comentando os últimos gols do Santa. Depois ele antecipou: “Por isso que não acompanho mais nada do futebol pernambucano. Acabou-se a emoção. Não tem graça ir ao estádio para ver um time ruim da porra desses. Dói na vista”. Fiquei pensando sobre essa dura afirmação. E não é que é isso mesmo. O que falta é a velha e boa emoção. Claro que o Todos com a Nota criou uma ilusão de torcida apaixonada. Mas também temos que pensar que a grande massa tricolor coral é sofrida, meus amigos. Esse fator é fundamental para pensarmos na torcida do Santinha. Mas a falta de emoção é decisiva. Se estou nas arquibancadas ou nas sociais, sempre escuto alguém berrando: “Que jogo feio da porra!” “Que perronha do caralho!” “Esse técnico é um imbecil!” Para mim, a emoção não bateu ponto no jogo de nossa estreia na séricê, É preciso esperança, é preciso fazer política, é preciso exigir uma porrada de coisas que já chegamos à exaustão discutindo aqui. Temos que fazer uma confissão: a galera aqui do Blog ficou morgada com o PE desse ano. Triste. Falava com Gerrá e Sama: bora escrever, porra! E ninguém tinha tesão. Depois eu lia os comentários aqui e acho que se tivesse o Google do Blog do Santinha e fôssemos buscar as palavras mais usadas aqui, a expressão mais usada que apareceria seria “time pequeno”. Pois é, meus amigos. Nossa peregrinação começou. Os loucos como nós estarão lá apoiando o Santinha. E uma pena que a grande maioria esteja...

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De volta para o futuro.
mar22

De volta para o futuro.

Torcida morgada, Blog do Santinha morgado, uma tristeza geral. O espectro da morgação baixou no espírito do tricolor coral do Arruda. De certa forma, o primeiro empate contra o Do Recife acendeu uma esperança na torcida. Conhecidos que são naturalmente pessimistas, amargurados e resmungões estavam acreditando na vitória. Eu, quase sempre otimista, não acreditava. E os 3 a zero revelaram a desordem de nosso Santinha. A ruindade da zaga – entregando de bandeja dois gols – revelou que algo estava muito errado. No Pernambucano, fizemos 10 jogos. Empatamos 7 vezes, perdemos apenas uma e ganhamos só duas. Ficamos em sexto com 10 pontos. O time foi de uma irregularidade ímpar. Difícil imaginar uma escalação contínua, uma identidade futebolística. Daí a tristeza e morgação que assolou o espírito de qualquer torcedor minimamente racional. Nossa retrospectiva, entretanto, não foi das piores. Isso indica que o nível do campeonato, em si, caiu bastante. A piada que rola por aí – comparando o Do Recife com o salário mínimo – é que com o mínimo você ganha, ganha e não compra nada; o Do Recife compra, compra e não ganha nada. Da minha parte, torcendo para que a final desse PE seja interiorana (Aí surge outra piada: agora só temos aves no páreo: patativa, carcará e frango). Mas temos que esquecer o passado e pensar no futuro. Para mim, o mais relevante é essa tal de sericê. E vamos ter que conviver com dirigentes que insistem em não traduzir para seus torcedores a realidade de nosso clube. Pronto, voltamos à velha questão da transparência. Defino transparência: em um Estado Democrático de Direito, a transparência está relacionada com a publicidade. Trata-se do administrador em manter os dados relevantes de seu comportamento– financeiros, contábeis, administrativos etc – perante seus investidores, sócios e sociedade em geral. A transparência se dá tanto na esfera privada (basta ver os balanços publicados em jornais com o intuito de informar os stockholders) quanto na esfera pública (um bom exemplo é o portal da transparência do Governo Federal). O acesso à informação das empresas privadas e públicas – respeitando sigilos estratégicos, informações de proteção à concorrência, relações internas de governança etc – indicam que a empresa atua de maneira lisa, clara e honesta. Ora, meus amigos, isso, desde Edinho ou antes, é algo que não ocorre em nosso Mais Querido. Estava nas sociais em um jogo da séribê quando discutia com Big sobre um balanço lançado pela então gestão de Alírio: “Um absurdo contábil, ele disse. Tudo mal feito. Como o sócio torcedor pode confiar numa gestão em que os dados mínimos são escamoteados?”. Esse é um dos pontos cruciais dessa...

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Uma razão para ir ao Arruda.
fev26

Uma razão para ir ao Arruda.

Samarone me disse que iria escrever um texto elencando doze razões para irmos ao Arruda. Mas Gerrá apareceu na Casa Azul enquanto ele escrevia e o texto desandou. Fiquei com essa ideia na cabeça: quais razões são relevantes para ir ao Arruda? Fui ver o jogo do Santinha contra o Pesqueira nesse domingo. Encontrei-me com meu grande amigo e poeta Pietro Wagner em Abílio. Tomamos uma cervas enquanto discutíamos a atual situação do Mais Querido. Seguimos para as sociais, compramos mais cerva e comi um cachorro-quente (o melhor do mundo). O jogo já começou com o desastre da cavalice desnecessária de Luiz Otávio. Aí, meus amigos, o time desandou. Até fundamento básico parece que nossos jogadores desaprenderam. Juninho chegou com Veridiana no meio do primeiro tempo vindo de mais uma farra frevística. Quando Giovanni – que havia substituído Héricles – mata a bola no peito, Juninho me pergunta: “Quem é esse cara?”. Dupla surpresa: primeira, Juninho, que sabe tudo do Santinha, não conhecer um jogador e, segundo, estamos tão carentes que uma jogada minimamente bem realizada chama nossa atenção. O segundo tempo foi um pouco melhor, apesar de considerar esse um dos jogos mais feios e atabalhoados que vi na vida. Robinho – que parece um louco com pulmão de aço – meteu uma bola no travessão e tivemos um pênalti em Augusto anulado pelo bandeirinha. Acabou a pelada e seguimos para a saideira em Abílio. Ridoval apareceu com seu sorriso fácil e largo, sempre alegre e de bem com a vida. Jerry, o inglês hooligan, apareceu com seu filho Charlie (na foto). Marc, o inglês gentleman, apareceu com seu filho João. Interessante que Charlie é extrovertido, brincalhão e cheio de energia como o pai. João é moderado, introspectivo e analítico sobre as coisas. Perguntamos aos dois: “Qual a melhor cidade para se viver? Recife, Lisboa ou Londres?”. Charlie defendeu Lisboa e João foi enfático em defender Londres. Esses meninos sabem das coisas, já que possuem dupla nacionalidade. Conversei rapidamente em inglês com eles. Muito massa essa futura geração. E todos unidos pela paixão ao Santa Cruz! Ficamos tomando uma e Jerry sacaneado Juninho: “Juninho, veado…. vai beber Campari?”. Rimos da greia. O clima, apesar do futebol apresentado, era de alegria e celebração – como a vida deve ser encarada. Pietro me passou um zap: “Zeca, essa galera é muito massa”. É mesmo, meu velho. Eis uma das razões fundamentais que sempre me levam ao Arruda: a amizade. Encontrar os amigos antes, durante e depois dos jogos torna o Arruda ainda mais interessante. O amor ao Santa Cruz se soma às grandes amizades. Um...

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Vai frescar na pqp!
fev21

Vai frescar na pqp!

Sábado passado perdi o jogo em que o gol legal de Augusto foi anulado contra o Capibaribe. Estava em Caruaru lecionando em uma turma de mestrado. Assim que cheguei ao Recife, vi os melhores momentos do jogo na internet e fui checar os comentários aqui no blog. É comum o nosso amigo Tricolor Revoltado comentar o jogo e dar notas para cada jogador. Tem neguinho que fica só esperando isso. Independente de concordar com as notas ou não, ele fez um comentário que, para mim, é o mais genial do ano até agora. Reproduzo-o: “Augusto – jogou sozinho do meio pra frente – foi meia e atacante – nota 8 (VAI SERVIR PRA SÉRIE “C”) Robinho – VTNC – NOTA 0000000000 (VAI SERVIR PRA NOS phu”D”er) Vinícius – VTNC DOIS – NOTA 0000000000000000000 (VAI SERVIR PRA NOS phu”D”er)”. Genial. Não precisa comentário. Hoje também não pude ir ao Arruda. Estava em aula. Cheguei em casa no intervalo do jogo. Descobri uma transmissão no Youtube, liguei o rádio e fiquei tomando uma e acompanhando o jogo. Percebi uma coisa inédita nesse jogo para esse elenco: pela primeira vez, jogamos mal o primeiro tempo e conseguimos acertar o ritmo de jogo no segundo. Tem gente que fica babando com o jogo do Chelsea versus Barcelona. Numa boa, não estou nem aí. Gosto de futebol, mas sou tricolor coral das bandas do Arruda e só o meu Santinha realmente me interessa. Esse papo de torcer para dois ou três times me soa muito estranho. Gostei de Augusto. Robinho oscila muito. Genilson também. Júnior Rocha, descobri isso hoje, é uma incógnita. Agora de uma coisa eu tenho certeza absoluta: eu quero que João Ananias vá jogar na puta que o pariu. Ele deveria fazer um time com Ilailson. Pelo amor de todos os deuses, meu amigo. Foi uma boa vitória. Cinco seguidas com uma zaga que, ao menos, está protegendo nossa meta. E não é que o gordinho está fazendo milagres mesmo?! Estou feliz e otimista? Plus ou moins. Só sei de uma coisa: domingo estarei no...

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Parabéns para você, Mais Querido!
fev03

Parabéns para você, Mais Querido!

Há exatos 104 anos, aqui perto de minha casa no Pátio da Santa Cruz, nasceu de maneira humilde e quase como uma brincadeira, o Santa Cruz Futebol Clube. Já estava em seu DNA: um clube do povão, democrático de berço, ansioso pela grandiosidade e destinado à glória. Eu tinha cinco anos quando fui ao Arruda pela primeira vez. Meu pai contava como ajudou a construir o Mundão. Uma nação mestiça, de todas as classes sociais, de todos os credos que possui uma paixão em comum, o Santa Cruz. Hoje é dia de comemorar, meu povo tricolor coral das bandas do Arruda. Hoje é dia de lembrar a memória daqueles que são nossos pais fundadores. Hoje é dia de sentir orgulho e lembrar que nascemos para sermos grandes. Amaldiçoados sejam todos aqueles que querem te fazer pequeno. Amaldiçoados todos aqueles que querem apenas te sugar. Amaldiçoados todos aqueles que não te amam e se dizem filhos teu. Benditos os tricolores corais de verdade. Bendita seja essa nação imensa. Bendito sejas tu, ó Mais Querido. Meu amigo Juninho me passou a seguinte mensagem hoje pelo zap: “Data sagrada! Vinculação emocional independente das tragédias anunciadas que prenuncia esta gestão. Amanhã estarei com minha camisa da Minha Cobra a desfilar pelas prévias olindenses com o orgulho de conhecer a história do meu clube. Este istmo temporal deprimente que infelizmente está se naturalizando há de ser mudado! Saudações corais eternas”. A História é dialética e somos uma nação de esperança e alegria. Estarei hoje no Pátio da Santa Cruz para ver a tradicional pelada comemorativa. Salve Santa Cruz! Salve o Mas...

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