Pela paz
jun18

Pela paz

O Blog do Santinha e o ex-presidente do Santa Cruz, José Neves, já não têm qualquer pendência jurídica. Depois de anos parada na Justiça, a ação cível impetrada contra o Blog teve marcada sua primeira audiência em meados de maio. O problema é que, a essa altura do século XXI, quando o Santa Cruz vive um momento totalmente diferente com paz e a busca pela união entre todos os protagonistas que fazem parte da história do clube, já não havia razão para continuar uma briga tão velha. O que passou passou e priu. Tanto os blogueiros quanto Zé Neves resolveram se antecipar à Justiça: antes mesmo da audiência, trocamos não sei quantos telefonemas e acertamos tudo. Pelo acordo, Inácio e Samarone entregariam 10 cestas básicas cada um ao clube, para serem distribuídas entre os funcionários mais humildes do quadro administrativo. Zé, em troca, concordaria com a extinção da ação de uma vez por todas. A audiência teve que acontecer. A cena foi até engraçada: a assessora do juiz toda séria, toda cheia de dedos, com medo que nos engalfinhásssemos. E nós rindo, contando histórias de torcedores fanáticos, das demências de Samarone, dos apertos que Zé Neves passou em plena arquibancada da Ilha, quando tentou assistir sem ser reconhecido à final de 2013. Ou de 2012, já não lembro. A moça achou que estivéssemos tirando onda. Ontem, tudo foi resolvido: as 20 cestas foram entregues ao diretor de Relações de Mercado & Comunicação do clube, o ilustríssimo senhor Jorge Arranja. Zé não pôde ir, enroscou-se numa reunião complicada, mas era para ele ter aparecido na foto. Samarone também não foi para Fortaleza lançar seu livro de poesias premiado junto com outros poetas cearenses...

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Tô aqui, mózôvo!
abr28

Tô aqui, mózôvo!

Querem saber onde estou? Antes de responder, juro que não consigo entender tanta curiosidade por um macho véio como eu. Viadagem das grossas. Sim, é verdade que estou começando o segundo volume dos Irmãos Karamazov. Devagarzinho porque o Santa Cruz consome muito a gente. Sim, é verdade que estou desovando a escrita de um livro durante muito tempo represado em meu juízo. O ritmo já foi melhor, desacelerou por causa do Santa Cruz. Mesmo assim continuo indo escrever pelo menos duas vezes por semana num escritório secreto no centro da cidade, sem internet e com sinal de celular fraquinho que é para ninguém encher meu saco. Também é verdade que dar conta de três filhos toma muito meu tempo, mas até isso está indo aos trancos e barrancos por causa do Santa Cruz. A essa altura do texto, vocês devem estar se perguntando como torcer por um time pode dar tanto trabalho. Torcer é duro mesmo. Pior é ajudar a montar uma estrutura e uma cultura de comunicação no Santa Cruz, desde sempre um clube sem nada disso (ou quase nada, pois felizmente pôde contar com o esforço solitário do assessor de imprensa Jamil Gomes). Entenderam? Há pouco mais de um mês, estou dando uma contribuição profissional ao meu clube de coração. Vou receber por isso. Pouco, mas vai entrar uns trocados pelo trabalho de consultoria. Não faria nada voluntariamente por não acreditar na qualidade desse tipo de trabalho e, principalmente, porque o voluntarismo no futebol é uma prática que enfraqueceu institucionalmente o Santa Cruz. Sou sincero: eu praticamente me convidei para esse serviço. Mesmo cheio de coisa para fazer (livro, programa de rádio, projeto de uma nova plataforma de jornalismo em andamento…) achei que tinha de contribuir com essa gestão que se propõe a ser nova, mas que corria o risco de ser mais do mesmo se não se abrisse a novas práticas. Primeiro fiquei enchendo o saco do presidente Alírio depois daquela conversa com a turma do Blog do Santinha, em dezembro, sobre os erros que ele não podia repetir no clube. Devo ter deixado o sujeito em pânico. O próximo passo foi abrir minha rede de contatos (a famosa network), afinal eu não sei fazer nada que preste, mas conheço todo mundo que sabe trabalhar bem. Quando Alírio topou escutar as pessoas que eu indiquei, pudemos avançar um pouquinho. Apresentei o presidente a Nivaldo Brayner, professor de marketing na UPE que tentou fazer um trabalho mais profissional de marketing no início da gestão de Fernando Bezerra Coelho. É dele a adoção da frase A torcida mais apaixonada do Brasil.  Brayner, por sua vez, trouxe para o...

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Goleiro ruim não merece segunda chance
fev22

Goleiro ruim não merece segunda chance

Voltei. E voltei em dúvida: desço a lenha em Ricardinho ou no goleirinho? Começarei com o vigia da barra, mesmo achando que o verdadeiro responsável tem cabelos grisalhos, é metido a bem educado e estava do lado de fora do campo. Escolho o goleiro porque estou com vontade de mudar o nome do meu filho caçula. Não estou conseguindo chamá-lo de Bruno. Da avenida Beberibe até em casa vim chamando o pirralho de pirralho. ‘Pirralho, quer comer alguma coisa?” ou “Vai tomar banho pirralho”. Se for chamar de Bruno vai ser pra mandar à puta que o pariu. E o bichinho não merece isso. Nem a mãe, uma verdadeira santa (apesar da gente ter chegado do jogo às nove horas e ela ainda não estar em casa). Quando se está com raiva é preciso cuidado pra não perder o fio da meada. Toda vez que Tiago Cardoso se machuca é esse deus-nos-acuda. Sem o paredão, não subimos em 2012. O esforçado Fred até que faz o trivial básico, mas não milagres. No ano anterior, suportamos as trapalhadas do mã0-de-lodo André Zuba, um rapaz que tinha tudo para ser bancário ou comerciante de secos & molhados, mas inventou de pegar no gol. Pior: no nosso gol. Agora. esse tal de Bruno. É uma sina. Mais do que sina, é bola cantada. Quando anunciaram a sua contratação, a primeira coisa que todos tricolores lembramos foi a imagem dele com bola passando por debaixo das pernas, num jogo do Palmeiras na Libertadores. Um peru clássico. Como se contrata um goleiro que se notabilizou por um frango? Goleiro tem que ficar conhecido por uma defesa arrojada, por uma saída corajosa, por um pênalti que espalmou. Ninguém contrata um atacante famoso por perder muitos gols. E goleiro que papa frango não merece segunda chance. Essa frase é de Gerrá e eu a roubei para usar aqui. Verdade se diga: Bruno vinha se esforçando para engolir uma bola desde o primeiro jogo. Só escapou porque Bileu, Léo Veloso e a zaga foram mais incompetentes que ele. Contra a Salgueiro, o inevitável aconteceu. A insegurança do frangueiro é tão grande que a torcida, com um humor finíssimo, comemorava como se fosse gol toda vez que ele saía do gol e segurava a bola, sem socá-la desesperadamente. Quem estivesse do lado de fora, pensaria que estávamos vencendo de goleada. Acabo de ler o que ele disse no fim do jogo (um elogio: ele se comportou com dignidade, dando entrevistas a torto e a direito enquanto escutava as vaias a que fazia juz) e concordo que a culpa não pode ser jogada só sobre seus ombros. Quem o...

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Três horas com Alírio – capítulo II
dez06

Três horas com Alírio – capítulo II

Antes, um aviso. Se quiserem saber de reforma no estádio, de jogos na Arena, novos jogadores, placar eletrônico e não sei mais o quê, vá escutar alguma resenha ou ler os jornais. Isso aqui não é um site de notícias. Não damos furo, nunca saímos na frente. Neste blog você vai rir, chorar ou ter raiva, jamais se informar. Não estamos nem aí pra isso. Realmente, até imaginamos que daria para fazer uma entrevista com Alírio, mas nem tirei o gravador do bolso. E não usei o caderno do tamanho de um bonde que levei e que virou uma tralha incômoda de ficar segurando. A entrevista virou conversa. E foi melhor assim. O que mais me chamou atenção é que parecia haver dois Santa Cruz em campo. Um deles era o Santa de Tininho. Esse era o Santa Cruz nosso de cada dia, o Santa Cruz real, que deixa o sujeito maluco com tantos problemas a serem resolvidos ao mesmo tempo. Tininho permaneceu o tempo todo estressado, nervoso, recebendo ligações, respondendo a mensagens, e-mails, esperando retorno de jogadores, de prováveis técnicos. Sempre aperriado, com um olho na conversa e outro nas contratações, renovações… O Santa Cruz de Alírio parecia o Santa Cruz de quem ainda não botou a mão na massa e que está muito instigado. Cheguei a escrever “Santa Cruz utópico” na linha acima, mas apaguei. Talvez muitos ridicularizem as utopias e achem que a palavra é pejorativa. Mas pelo jeito, o novo presidente está mesmo a fim de construir utopias. Alguns traços desse clube sonhado por ele soam como música aos meus ouvidos: ele realmente imagina que o Santa Cruz se torne um espaço de participação de pessoas que podem contribuir, mas não sabem como. Não sei se isso ele vai conseguir, pois a cultura das pessoas que fazem o Santa Cruz é de exclusão. Eu e muitas outras pessoas que nós conhecemos já tivemos experiências irritantes na avenida Beberibe. Mas não posso duvidar de um sujeito que conseguiu reduzir as dívidas do clube de R$ 110 milhões para pouco mais de R$ 20 milhões sem desembolsar um puto. Parece um delírio, não é? Aliás, ele deu gargalhadas quando soube que já sendo chamado assim nas redes sociais. Disse que esse apelido ele quer ter, “pois quem delira muitas vezes está vendo coisas que os outros não conseguem ver”. O homem, peso pesadíssimo do Direito Tributário, explicou que só faltam alguns prazos serem cumpridos para a liberação das certidões negativas. Além disso, deu alguns detalhes técnicos de como ajudou a reduzir as toneladas de dívidas. Usou recursos legais como prejuízo fiscal, pesquisou as prescrições, descobriu duplicidades e...

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Everton, o sobrevivente do Bolão
dez01

Everton, o sobrevivente do Bolão

Everton de Melo Santana. Este é o nome e sobrenome do vencedor do Bolão que o Blog do Santinha organizou sob o otimista (e bote otimismo nisso) título de “Bolão do Acesso Coral”. Ele acertou o maior número de palpites ao longo de toda a Série B e vai ganhar um CD da Minha Cobra e já garantiu a camisa dele pro desfile da Minha Cobra no Carnaval 2015. A bem da verdade, sejamos sinceros: na reta final Everton competiu com ele mesmo. A maior parte dos apostadores desistiu depois que o Santa começou a levar lapadas contra América de Natal e Bragantino. Para piorar, muita gente largou o bolão depois de perceber que não tinha como alcançar o primeiro colocado. Como já era mesmo o primeirão, Everton persistiu. E ganhou o  bolão. Em breve, ele vai começar a ganhar uns trocados fazendo apostas na Loteca, cobrando R$1,00 por...

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