Campeonato doido, ingrato e cruel
maio13

Campeonato doido, ingrato e cruel

No meio da semana, Samarone me perguntou quem seria nosso próximo adversário. Respondi que era o Globo. Ele perguntou qual o dia. Respondi que seria na próxima segunda-feira. Pra finalizar o questionário, Sama quis saber se o jogo era no Arruda. Sexta-feira, foi Naná. Encontrei com ele no forró de Seu Vital. O gordinho deixou de beber cerveja e agora só toma aguardente. Pelo que entendi, um tratamento de acupuntura está fazendo ele deixar de ter vontade de tomar cerveja e ativando um ponto que gosta de cachaça. Naná disse a mim e a Chiló: a gente não pode abandonar o Santa Cruz. Tem que tá junto. Concordamos. Ele emendou: quando é o próximo jogo? É no Arruda? Outro dia, a minha filha menor estava se lamentando. “Papai, nunca mais a gente foi pro jogo do Santa. Ele vai jogar quando?”. É, meus amigos, essa tal sericê é ingrata e cruel com nós torcedores. Praticamente o seu time do coração só joga de oito em oito dias. É tanto tempo de uma partida para outra que a gente até esquece que vai ter o próximo jogo, quando vai ser e com quem iremos jogar. Eu mesmo, quase todo dia consulto a tabela. Faço isso pra não esquecer dos jogos e para não esquecer que estamos disputando o campeonato brasileiro da terceira divisão. Ocupo meu tempo ocioso, vendo jogos da seribê e sericê. Assistir aos jogos da segundona do brasileiro me deixa de baixo astral. Cada time ruim danado e a gente fora dessa festa. Por outro lado, ver as partidas da terceirona me trás esperança que temos condições de avançar. Até agora não vi nada do outro mundo. Nos times que estão na cabeça, não tem nenhum craque. No máximo um bom jogador. O que tem de sobra é muita raça e um feijão com arroz bem feito. Nada além disso. Hoje, o Remo do velho Giva meteu 3 a 1, de virada,  no Botafogo da Paraíba. O jogo foi em João Pessoa. O Atlético do Acre goleou o Juazeirense, 5 a 0. E o Capibaribe, que muita gente achava que estava morto, venceu o Salgueiro por  3 a 0, no sábado, na Arena. Nessa segunda, a gente joga contra o Globo. Só pelo nome, esse time merece perder. A depender do resultado, o nosso Santa Cruz pode ir pro G-4, pode ficar em sétimo lugar ou pode se encostar (toc, toc, toc) nos que estão para descer pro inferno. Só sei que essa tal de Sericê é um campeonato doido da porra! A turma que se ligue, porque só são 18 rodadas e quem não ficar entre os...

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Uma tempestade de otimismo e esperança
abr23

Uma tempestade de otimismo e esperança

Acreditem!, quando estacionei o carro, São Pedro mandou uma tonelada de água e quase dei meia volta. Olhei para Alessandra e ensaiei ir embora para casa. Levar chuva na saída, voltar pra casa molhado, imagina se o Santa Cruz faz uma presepada, estes e outros argumentos quase me fizeram desistir de ver a partida. No meio da falação, apelei dizendo que Sofia iria se molhar, e gripe, e virose, e etc e tal. Nossa filhota foi logo dizendo, “não papai! Não tem problema! Eu boto um saco na cabeça! Pronto, resolvemos ficar. O carro ficou pertinho da rapaziada da P-10. Pode chover canivete que os caras não perdem o pique. Entrei no posto de gasolina para sacar dinheiro e comprar brebotes para Sofia. Avistei Sérgio Travassos. O bicho tá é gordo. Ele estava bebendo umas cervas com um amigo. Trocamos umas palavras, sintonizamos o otimismo e na saída eu disse: anota aí, vai ser 3 a 0 pra gente! Minha filhota corrigiu logo: três não, vai ser de quatro! Saí da loja de conveniências e dei de cara com Marcel. Fazia tempo que não via aquele cabra. Satisfação danada ter encontrado ele. Gente boa é ali. Batemos um papo rápido. Marcel já tava bem calibrado de cerveja e animado feito pinto no lixo. Repeti a frase que eu havia falado para Sérgio Travassos, “anota aí, vai ser 3 a 0 pra gente!”. A pequena rebateu: “papai, vai ser 4. Qua-tro a ze-ro”. Alessandra me puxou. Saímos driblando as poças e avexados. A chuva tava engrossando. Na entrada do clube vejo Julio Vila Nova. Uma moça estava tentando fazer a cabeça dele para conseguir ajuda para o Projeto Camisa 12. Ela, vestida com uma blusa preta, uma calça preta modulando a parte inferior, cabelos longos, toda formosa. Ele, de bermuda, uma camisa do Cordas e Retalhos, um copo de cerveja na mão e uma cara de lobo mau. Me lembrei do filme A bela e a Fera. Bem perto, estava Samarone. Pra variar, já tava daquele jeito. Hoje, ele me perguntou ao telefone se eu tinha ido ao jogo. Corri para comprar o ingresso. Numa noite fria e chuvosa, todos transpiravam fé na vitória. A cada encontro, em cada rosto, um clima de otimismo e alegria acenava pra gente. Comprei os bilhetes. De longe ouvi um grito de guerra vindo de Abílio. Apressamos o passo. No caminho para as cadeiras encontro Tiburtius.  Trocamos um abraço. Era outro que compartilhava sorrisos. Parecia ter a certeza dos três pontos. Subimos. Fomos para as cadeiras brancas. Quase sempre, quando vou para as cadeiras cativas, fico nas brancas. É onde encontro Vavá e cia....

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Lista de treinadores
abr19

Lista de treinadores

Toda vez que o Santa Cruz está procurando técnico, eu vou consultar minha lista de 100 nomes. Pois é, eu tenho uma lista com mais 100 nomes de treinadores. Chamo lista de 100 nomes, pra ficar mais fácil. Já até publiquei aqui no Blog, faz tempo. Comecei com essa mania, depois que vi tanto técnico ruim passar por nosso comando. Se não me falha a memória, iniciei esse “hobby” quando o Santa Cruz contratou um tal de Bagé. Quem daqui se lembra daquela invenção de botarem como técnico a dupla Ricardo Rocha/Zé do Carmo? E Ferdinando Teixeira? O sujeito era sociólogo. Naquela época, quando ele veio pro Santa, eu fui num desses programas esportivos que a turma faz em bar, lanchonete, restaurante, essas coisas. Saí de lá com a sensação de ter conhecido um daqueles professores gente boa que aprova todo mundo sem maiores problemas e que, nos jogos comemorativos de final de ano, ele foi ser treinador do time dos terceiranistas. Me recordei agora de Sabugosa. Sérgio “Sabugosa” Guedes. Ali era comédia. Um dos piores que já vi passar por aqui. Nas entrevistas que ele dava, era um lero-lero só. “As razões pelas quais não atingimos o esperado é porque estamos administrando muitas coisas. Não é fácil fazer isso. Inicialmente a equipe se mostrou desconfortável, esperando o adversário e depois teve iniciativa de sair no contra-ataque. Quando começamos a desarmar e atacar, tivemos mais ocasiões, só que não ocorreram os gols”, professor Sabugosa depois de um jogo contra o Avaí. Mas, enfim, sempre que estamos precisando contratar um novo técnico, abro minha lista e vou procurando nomes. Tem de A a Z (Aderbal Lana, Artuzinho, Cairo Lima, Dado Cavalcanti, Klisman da Silva, Parreira, Roberval Davino, Zé Teodoro). Nela, eu separo alguns profissionais por categoria. Tem, por exemplo, a categoria Cientista Maluco. Neste grupo estão nomes como o de Milton Mendes, Lisca e o do ex-treinador Ferdinando Teixeira. Tem o grupo Futibó é futibó. Givanildo Oliveira, Geninho, Zé Teodoro, Aderbal Lana e outros fazem parte desta categoria. Sérgio Guedes está na categoria lero-lero. Quando anunciaram que Junior Rocha seria treinador do Santa, corri para ver se o nome dele constava na minha lista. Pois bem, o senhor Dilceu Rocha Junior constava na lista, mas ainda não tinha sido incluído em nenhuma categoria. Depois da desgraça que foi sua curta passagem por aqui e de ouvir tanta besteira dita por este treinador Jr Rocha, fico na dúvida se incluo ele no grupo dos cientistas malucos, se boto ele junto de Sérgio Guedes ou se crio a categoria “Técnico Nutella”. A única certeza que tenho é que quero que ele nunca...

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Ofuscaram o brilho do jogo
mar08

Ofuscaram o brilho do jogo

Faz tempo que encerrei a minha carreira de ir para casa dos adversários. Certa vez, fui para Caruaru. Era Santa Cruz e Central no Lacerdão, numa quarta-feira à noite. Pegamos um engarrafamento grande na saída do Recife e chegamos atrasados. Na correria para entrar e pela falta de sinalização que indicasse para onde devíamos ir, recorremos a um policial. Educadamente, mas sem preparo nenhum para dar a informação correta, o militar indicou um portão que dava justamente no meio da torcida do Central. Passamos um sufoco danado, quase brigamos, até que nos levaram para o lado onde estava a nossa torcida. Em outra situação, dessa vez nos Aflitos, inventamos de comprar ingressos de cadeiras. Na bilheteria avisamos que queríamos ingressos para o local destinado a torcida do Santa Cruz. Era aquele jogo no qual Sandro Blum fez um gol contra. Chovia bastante naquela noite. Quando entramos, era tudo junto e misturado. Vimos o jogo no meio dos torcedores do Capibaribe. Tentamos ir para arquibancada, mas não foi possível. Não havia ninguém para resolver o problema. Assim que o jogo acabou, descemos rápido, mas não deixaram a gente ir embora. A justificativa foi: a torcida que sai primeiro é a do time adversário. Mostrei minha carteira de sócio do Santa Cruz. Falei que estava ali por ter comprado ingresso de cadeira. Argumentei. Pedi. Expliquei. Os senhores que faziam a segurança e o policial que estava perto não enxergavam um palmo além da ordem que haviam recebido e não nos deixaram sair. Já levei carreira na Ilha. Já levei pedrada no Carneirão. Ontem, assisti ao jogo pela TV. Ainda no primeiro tempo, vi dois belíssimos gols. Mas logo em seguida, logo depois do nosso golaço, acabaram com a festa. Para fazer valer as proibições impostas ao futebol moderno, a polícia desceu o sarrafo em um torcedor que acendeu um sinalizador. Uma atitude pra lá de exagerada e desnecessária por parte do policial. Tão exagerada que causou pânico nos três mil e poucos Tricolores-corais-santacruzenses-das-bandas do Arruda que estavam espremidos numa pequena área destinada a massa Coral. Não houve briga, muito menos confusão. Houve tumulto. E, na agonia de sair de perto do local do rolo, as pessoas foram tropeçando e caindo umas por cima das outras, como se fossem um dominó. Correria, gente se arranhando, se quebrando, passando mal. Pedidos de ajuda e socorro. Desespero e pressa de querer entrar no campo para chamar aqueles que estão escalados com a função prestar atendimento médico. Afinal de contas, o pessoal da área de saúde fica no gramado. Do lado da polícia, um despreparo fora do comum por parte de alguns policiais. A incapacidade...

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Sobre Transparência e transparências
mar01

Sobre Transparência e transparências

TEXTO DE INÁCIO FRANÇA *Este texto foi escrito por Inácio França Alguém aí sabe dizer quem começou a cobrar transparência no Santa Cruz? Quem tem menos de 30 não vai saber, daí vou dar uma pista: o pai de Mendoncinha nem tinha sido presidente ainda. É preciso voltar ao final dos anos 90. Essa palavra começou a ser usada em um histórico e esquecido encontro no auditório do Sindicato dos Jornalistas puxado por Fernando Veloso, o atual vice Tonico Araújo e um monte de gente, incluindo este que vos fala. Para nossa surpresa, o auditório lotou. Lotou mesmo, sem exagero, ficou gente do lado de fora. Certamente, numa época pré-redes sociais, foi a primeira vez que um monte de gente se encontrou e se viu pela primeira vez tentando interferir na vida do clube. Acho que o presidente na época era Edelson Barbosa, largado à frente do clube como aquele menino do filme atravessando o oceano com um tigre no bote e uma tuia de tubarões querendo almoçar os dois. Conheci um bocado de tricolor nessa noite, Gerrá inclusive. Cadoca apareceu. Quiseram lançar ele pra presidente, mas o bicho correu na hora, tá correndo até hoje. Quem topou foi Jonas, o empresário-pastor (sei que hoje é mais comum pastor-empresário, mas na época ainda não era), nome lançado como desdobramento daquela mobilização confusa, sem direção, sem amarração. O importante era não deixar que os tubarões subissem no bote. O menino Edelson deu um pulo assim que chegou na praia, mas Jonas entrou antes que o tigrão saísse, aí ficou com ele fuçando suas oiças no meio do mar. Depois de Jonas, um grupo menor de oposição, com vários empresários convenceu Mendonção a ser presidente. O sujeito era brabo, pai de vice-governador, podia arrumar dinheiro, patrocinador forte, essas ilusões que renovam a esperança de tudo quanto é tricolor há gerações. O problema é que Mendonção era político, queria agradar gregos, troianos, romanos, celtas, vikings, persas, chineses, americanos e o escambau. Seu bote ficou cheio de tubarões. E os tubarões, como todos sabem não gostam de água transparente. Preferem atacar quando as coisas estão turvas. Meio mundo de gente se jogou na água, Mendonção também. Foi aí que o Blog do Santinha surgiu trompeteando transparência, democracia, que o clube era da torcida e não de alguns, denunciando que a diretoria de então se comportava como uma milícia armada. A gente falava e acontecia. A seção de comentários do blog foi, com certeza absoluta, a segunda comunidade de rede social de santa-cruzenses, quando isso nem existia. A primeira foi o Fórum da Coralnet. O tempo passou, muita coisa mudou. Mas o Santa Cruz...

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