Bacalhau, presente!
jul04

Bacalhau, presente!

Recebi a noticia num grupo do whatsapp. Imediatamente, entrei em contato com nossa amiga Lígia que mora em Garanhuns. Era sempre através dela ou de Marcos que eu procurava saber sobre nosso amigo Bacalhau. Como quem não quer enfrentar a verdade, apenas perguntei: tens notícias de Bacalhau? Lígia me confirmou o falecimento. Logo em seguida, Marcos me manda um áudio dando a notícia. E começou a chover mensagens no meu celular. E a dose de tristeza foi aumentando. Alessandra mandou um áudio perguntando se era verdade. Estava na estrada e ouviu no rádio. Eu confirmei. Ela se entristeceu também. Bacalhau tinha o costume de chamar Alessandra de mãe. É que certa vez, em pleno Festival de Inverno, saímos do Polo de Cultura Popular e fizemos um favor para ele. Dali em diante, ele passou a chamá-la de mãe. Era uma forma carinhosa que ele encontrou para expressar sua gratidão. Quando eu encontrava Bacalhau, me sentia uma criança no momento que chega perto do seu ídolo. Ele fazia parte do meu imaginário, pois desde o meu tempo de menino, o via no Arruda, nos jornais, na televisão. Sonhava em falar com aquele cara. Tocá-lo. Vê-lo de pertinho. Depois de adulto tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e passar a admirá-lo ainda mais. Era uma figura linda. Carismática. Pura. Torcia apenas pelo Santa Cruz, não se importava com os demais. Amado por toda a torcida tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda. Era querido, respeitado e admirado até pelos torcedores adversários. Por várias vezes, vi em Garanhuns, alvirubros e rubro-negros pararem pra tirar fotos com ele. Bacalhau não se fantasiava com as cores do Santa Cruz. Bacalhau era daquele jeito o tempo todo. Era Santa Cruz 24 horas por dia, na alma, no corpo e em tudo que lhe pertencia. Como bem escreveu Bráulio de Castro, “Há quem veja o mundo azul, há quem veja cor-de-rosa, há quem veja o mundo cinza, cada um tem seu espelho. Bacalhau de Garanhuns vê preto, branco e vermelho”. Escrevo esse texto revendo fotos dos nossos encontros e recordando os bons momentos que tivemos com aquele sujeito. Nosso casamento. Nos Festivais de Inverno de Garanhuns. No Poço da Panela. Nos jogos do Santa Cruz. Meus olhos lacrimejam. Confesso que hoje estou triste! Mesmo sabendo do sofrimento que ele vinha passando, mesmo acreditando que ele descansou, estou triste! Vai na paz, meu querido! Eternamente, tu serás lembrado! Domingo estaremos no Arruda. Torcendo junto contigo, de corpo, alma e coração, por mais uma vitória do nosso Santa Cruz. Bacalhau,...

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Tem novidade na Minha Cobra
jun14

Tem novidade na Minha Cobra

A turma da Minha Cobra, na qual eu me incluo, está iniciando uma pré-venda dessa camisa aí que está na imagem desta postagem. A ilustração foi um presente do querido amigo Paulo Batista. Paulo é cartunista, nascido em São Paulo e que esteve por aqui no final do mês de maio. Foi ele quem fez aquela arte da camisa que fizemos em homenagem a Chico Science. Pois bem, nessa nova camisa que estamos produzindo, teremos camisas para adultos, inclusive baby looks, e faremos também camisas para gurizada a partir de 8 anos). As camisas serão em malha de algodão. Além da camisa vermelha, teremos também a branca e a camisa preta. A camisa adulto e a baby look custarão R$ 40,00 (quarenta reais) cada. A infantil será R$ 30,00 (trinta reais). Um detalhe, a tiragem será limitada aos pedidos feitos antecipadamente, isto é, serão feitas sobe encomenda. Então, quem quiser adquirir a camisa é entrar em contato com a Minha Cobra e informar o tamanho e a cor. E, lógico, fazer o pagamento. O contato pode ser feito pela nossa página no Facebook ou por nosso Instagram. Ou por um dos seguintes zaps: Esequias Pierre 9.9917-3959;  Claudemir Pereira 9.9718-8408;  Gerrá da Zabumba 9.9976-8985; Robson Sena 9.9985-8597! Um abraço, muito obrigado, de...

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Quem vai?
maio17

Quem vai?

E aí, tu vai? — vou, mas é lógico! — e eu nunca deixei de ir. Sábado tou lá! — meu amigo, pode dar cachorro em trinta, mas sábado eu vou é pro Arruda. É jogo de seis pontos. E pense numa raiva que eu tenho de time da Paraíba! — cinco hora eu tou largando e é direto pro Arruda. Eu vou! — vai eu, a mulher e Netinho! — oxi! E isso é pergunta! Tomo uma de leve na sexta. Acordo cedo no sábado. Dou aquela trepada, depois vou na feira. Meio-dia, começo a calibrar o fígado. Três horas tomo um banho, visto o manto sagrado e me mando. Dois a zero. Carlinhos Paraíba vai fazer o dele. E terça vou de novo! — rapaz… o cabra que não for é mulher do padre! A pessoa só não vai pra um jogo desse em caso de morte ou doença grave. Tem que ir. —  se jogar igual a jogou no segundo tempo contra o Globo, a gente ganha! Eu tou pensando que vai ser 3 a 0. Mas pode ser de meio a zero, o que interessa agora é vencer e garantir os três pontos pra ficar sempre no G-4. Se o Santa embalar não tem quem segure a gente. — eu eu tou doido de não ir? Quem quiser que assista pela televisão. Eu vou é pra o Arruda! — olhe, tem uma turma que reclama quando o time perde, quando empata e quando ganha. Mas agora é apoiar e jogar junto. Tem que ir todo mundo! — tenho um trampo à noite. Mas já desenrolei a parada. Vou pro jogo e de lá corro pra tarefa. — vou fazer a concentração no Posto. De lá pra arquibancada, pertinho do escudo. — lá de casa, são cinco. Vai todo mundo! Até papai se animou. Simbora pro Arruda. — tenho pra mim que Robert vai tirar a inhaca! Estarei lá. — se o Santa Cruz vencer, vai ficar com moral! Eu não vejo nenhum elenco melhor do que o nosso. Tá faltando a gente encaixar. Tou confiante pra sábado. Sim, é claro que eu vou. Lugar de torcedor do Santa Cruz é no Arruda. — quero nem saber quem vai ser o goleiro, o zagueiro e nem o atacante. Eu só sei que vou pro Arruda. É a gente que vai garantir a vitória. Vai ser no grito. — mulher, ah mulher, você não precisa me esperar, eu vou chegar fora de hora, pois hoje o meu Santa vai jogar… Bom, aqui em casa, vamos todos. Samarone também vai. Robson, Marconi, Odilon, Claudemir, Inácio, Esequias, Lukinha, Anízio,...

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Campeonato doido, ingrato e cruel
maio13

Campeonato doido, ingrato e cruel

No meio da semana, Samarone me perguntou quem seria nosso próximo adversário. Respondi que era o Globo. Ele perguntou qual o dia. Respondi que seria na próxima segunda-feira. Pra finalizar o questionário, Sama quis saber se o jogo era no Arruda. Sexta-feira, foi Naná. Encontrei com ele no forró de Seu Vital. O gordinho deixou de beber cerveja e agora só toma aguardente. Pelo que entendi, um tratamento de acupuntura está fazendo ele deixar de ter vontade de tomar cerveja e ativando um ponto que gosta de cachaça. Naná disse a mim e a Chiló: a gente não pode abandonar o Santa Cruz. Tem que tá junto. Concordamos. Ele emendou: quando é o próximo jogo? É no Arruda? Outro dia, a minha filha menor estava se lamentando. “Papai, nunca mais a gente foi pro jogo do Santa. Ele vai jogar quando?”. É, meus amigos, essa tal sericê é ingrata e cruel com nós torcedores. Praticamente o seu time do coração só joga de oito em oito dias. É tanto tempo de uma partida para outra que a gente até esquece que vai ter o próximo jogo, quando vai ser e com quem iremos jogar. Eu mesmo, quase todo dia consulto a tabela. Faço isso pra não esquecer dos jogos e para não esquecer que estamos disputando o campeonato brasileiro da terceira divisão. Ocupo meu tempo ocioso, vendo jogos da seribê e sericê. Assistir aos jogos da segundona do brasileiro me deixa de baixo astral. Cada time ruim danado e a gente fora dessa festa. Por outro lado, ver as partidas da terceirona me trás esperança que temos condições de avançar. Até agora não vi nada do outro mundo. Nos times que estão na cabeça, não tem nenhum craque. No máximo um bom jogador. O que tem de sobra é muita raça e um feijão com arroz bem feito. Nada além disso. Hoje, o Remo do velho Giva meteu 3 a 1, de virada,  no Botafogo da Paraíba. O jogo foi em João Pessoa. O Atlético do Acre goleou o Juazeirense, 5 a 0. E o Capibaribe, que muita gente achava que estava morto, venceu o Salgueiro por  3 a 0, no sábado, na Arena. Nessa segunda, a gente joga contra o Globo. Só pelo nome, esse time merece perder. A depender do resultado, o nosso Santa Cruz pode ir pro G-4, pode ficar em sétimo lugar ou pode se encostar (toc, toc, toc) nos que estão para descer pro inferno. Só sei que essa tal de Sericê é um campeonato doido da porra! A turma que se ligue, porque só são 18 rodadas e quem não ficar entre os...

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Uma tempestade de otimismo e esperança
abr23

Uma tempestade de otimismo e esperança

Acreditem!, quando estacionei o carro, São Pedro mandou uma tonelada de água e quase dei meia volta. Olhei para Alessandra e ensaiei ir embora para casa. Levar chuva na saída, voltar pra casa molhado, imagina se o Santa Cruz faz uma presepada, estes e outros argumentos quase me fizeram desistir de ver a partida. No meio da falação, apelei dizendo que Sofia iria se molhar, e gripe, e virose, e etc e tal. Nossa filhota foi logo dizendo, “não papai! Não tem problema! Eu boto um saco na cabeça! Pronto, resolvemos ficar. O carro ficou pertinho da rapaziada da P-10. Pode chover canivete que os caras não perdem o pique. Entrei no posto de gasolina para sacar dinheiro e comprar brebotes para Sofia. Avistei Sérgio Travassos. O bicho tá é gordo. Ele estava bebendo umas cervas com um amigo. Trocamos umas palavras, sintonizamos o otimismo e na saída eu disse: anota aí, vai ser 3 a 0 pra gente! Minha filhota corrigiu logo: três não, vai ser de quatro! Saí da loja de conveniências e dei de cara com Marcel. Fazia tempo que não via aquele cabra. Satisfação danada ter encontrado ele. Gente boa é ali. Batemos um papo rápido. Marcel já tava bem calibrado de cerveja e animado feito pinto no lixo. Repeti a frase que eu havia falado para Sérgio Travassos, “anota aí, vai ser 3 a 0 pra gente!”. A pequena rebateu: “papai, vai ser 4. Qua-tro a ze-ro”. Alessandra me puxou. Saímos driblando as poças e avexados. A chuva tava engrossando. Na entrada do clube vejo Julio Vila Nova. Uma moça estava tentando fazer a cabeça dele para conseguir ajuda para o Projeto Camisa 12. Ela, vestida com uma blusa preta, uma calça preta modulando a parte inferior, cabelos longos, toda formosa. Ele, de bermuda, uma camisa do Cordas e Retalhos, um copo de cerveja na mão e uma cara de lobo mau. Me lembrei do filme A bela e a Fera. Bem perto, estava Samarone. Pra variar, já tava daquele jeito. Hoje, ele me perguntou ao telefone se eu tinha ido ao jogo. Corri para comprar o ingresso. Numa noite fria e chuvosa, todos transpiravam fé na vitória. A cada encontro, em cada rosto, um clima de otimismo e alegria acenava pra gente. Comprei os bilhetes. De longe ouvi um grito de guerra vindo de Abílio. Apressamos o passo. No caminho para as cadeiras encontro Tiburtius.  Trocamos um abraço. Era outro que compartilhava sorrisos. Parecia ter a certeza dos três pontos. Subimos. Fomos para as cadeiras brancas. Quase sempre, quando vou para as cadeiras cativas, fico nas brancas. É onde encontro Vavá e cia....

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