Apenas um jogo
ago25

Apenas um jogo

Eu até tento controlar os nervos. Tento fazer de conta que sou forte, que o futebol é apenas uma diversão. No jogo passado, quis ficar imune e segurar a emoção. Mas foi chegando o dia e, uma mistura de ansiedade, angustia, sei lá o que, vai tomando conta da gente. Domingo, quando vi o movimento nas ruas, as pessoas, bicicletas, as vans, as kombis e ônibus lotados dos mais diversos torcedores do Santa Cruz, do Santa Cruz das bandas do Arruda, o coração foi se desmascarando e mostrando sua face. O rosto do coração preto-branco-vermelho. O coração que vibra, que torce, que entra em campo, que defende, que ataca, que faz o gol! Já dentro do estádio, me peguei com a mão gelada e as pernas bambas.  Enchi os olhos de lágrimas no golaço de Vitor. Estou assim, agora: nervoso! ansioso! querendo que esse domingo chegue antes do que está marcado no calendário. Sem conseguir pensar em outra coisa que não seja a partida decisiva. Confiante? Sim. O time incorporou a raça coral e está jogando como se fosse nós em campo. Os caras sentiram de perto a força da nossa torcida e o tamanho da nossa paixão. Como se diz no linguajar do boleiro, o time está focado. Mas futebol é futebol. E mata-mata é pra acabar com  qualquer racionalidade esportiva. E aí, lá vem aquela angustia, aquele sofrimento. Nem escrever, a gente consegue. É, meus amigos, quem for de beber, beba! Quem for de rezar, reze! Falta apenas um...

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O Santa Cruz não sai da gente
ago07

O Santa Cruz não sai da gente

Passei uns dias de férias. Fazia tempo que não tirava 30 dias. Desliguei o computador. Me desliguei das notícias. Por várias vezes, desliguei até o celular. Depois da presepada com o Globo e da lapada que levamos na Paraíba, pensei em me desligar do Santa Cruz. Mas eis que viajo para Garanhuns e encontro os incansáveis Esequias, Robson e Marconi. Era cachicol do Santa Cruz, agasalho coral, boné, camisa…, até uma visita ao nosso ex-zagueiro Valença, os caras fizeram. Foram bater em Bom Conselho para encontrar aquele que parou Tévis. Pra atanazar ainda mais o meu juízo, fiquei na casa de Lígia. Lá tem até uma geladeira nas cores corais e com um escudo enorme do Santa Cruz na porta. A turma marcou para ver o jogo contra o Confiança. Numa feijoada perto da Buchada do Gago. Eu tentei me esquivar. Fui pro Euclides Dourado com a família. Só que não tirava o olho do relógio e o pensamento no jogo. Uma galera dançava street dance. Um senhor tocava uma sanfona. Um mamulengo se apresentava perto da Rural de Roger. Caía uma chuva fina e eu dava umas goladas numa aguardente boa danada, a Nordestina Gold. O Santa Cruz estava quase entrando em campo. Foi quando chegou um zap de Marconi avisando que não iria ver o jogo na tal feijoada, mas que estava no Varanda e lá passaria na TV. Faltavam 15 minutos pra começar a partida. As meninas brincavam no parque de diversão, a chuva começava a ficar mais forte, o frio chegou de vez e eu já havia tomado umas cinco lapadas de cachaça. Lá vem outro zap. “Estou no Varanda. Vai começar.” O Varanda ficava bem dizer na metade do caminho entre o Euclides Dourada e a casa onde nós estávamos hospedados. Uma pequena caminhada. Uns 800 metros de distância. Fui pra lá. Umas doses de aguardente, um pratinho de tripa assada, uma mesa de primeira linha: Marconi e Gisela, Hélio Mattos, Marquinhos, Vinicius, Mariá e Alessandra. Uma vitória excelente: quatro a zero. Daí pra frente, meus amigos, voltou a doidice, a esperança, o otimismo, a vontade de estar junto do meu time. Até pro treino eu fui. Domingo, corri para chegar logo em casa e assistir ao jogo contra o Juazeirense. Sábado que vem, vou é pro Arruda. Só faltam três jogos para subirmos. É no grito e na raça. A hora é de apoio incondicional. Não sei como Samarone está aguentando ficar longe do Santa Cruz, justamente...

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Bacalhau, presente!
jul04

Bacalhau, presente!

Recebi a noticia num grupo do whatsapp. Imediatamente, entrei em contato com nossa amiga Lígia que mora em Garanhuns. Era sempre através dela ou de Marcos que eu procurava saber sobre nosso amigo Bacalhau. Como quem não quer enfrentar a verdade, apenas perguntei: tens notícias de Bacalhau? Lígia me confirmou o falecimento. Logo em seguida, Marcos me manda um áudio dando a notícia. E começou a chover mensagens no meu celular. E a dose de tristeza foi aumentando. Alessandra mandou um áudio perguntando se era verdade. Estava na estrada e ouviu no rádio. Eu confirmei. Ela se entristeceu também. Bacalhau tinha o costume de chamar Alessandra de mãe. É que certa vez, em pleno Festival de Inverno, saímos do Polo de Cultura Popular e fizemos um favor para ele. Dali em diante, ele passou a chamá-la de mãe. Era uma forma carinhosa que ele encontrou para expressar sua gratidão. Quando eu encontrava Bacalhau, me sentia uma criança no momento que chega perto do seu ídolo. Ele fazia parte do meu imaginário, pois desde o meu tempo de menino, o via no Arruda, nos jornais, na televisão. Sonhava em falar com aquele cara. Tocá-lo. Vê-lo de pertinho. Depois de adulto tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e passar a admirá-lo ainda mais. Era uma figura linda. Carismática. Pura. Torcia apenas pelo Santa Cruz, não se importava com os demais. Amado por toda a torcida tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda. Era querido, respeitado e admirado até pelos torcedores adversários. Por várias vezes, vi em Garanhuns, alvirubros e rubro-negros pararem pra tirar fotos com ele. Bacalhau não se fantasiava com as cores do Santa Cruz. Bacalhau era daquele jeito o tempo todo. Era Santa Cruz 24 horas por dia, na alma, no corpo e em tudo que lhe pertencia. Como bem escreveu Bráulio de Castro, “Há quem veja o mundo azul, há quem veja cor-de-rosa, há quem veja o mundo cinza, cada um tem seu espelho. Bacalhau de Garanhuns vê preto, branco e vermelho”. Escrevo esse texto revendo fotos dos nossos encontros e recordando os bons momentos que tivemos com aquele sujeito. Nosso casamento. Nos Festivais de Inverno de Garanhuns. No Poço da Panela. Nos jogos do Santa Cruz. Meus olhos lacrimejam. Confesso que hoje estou triste! Mesmo sabendo do sofrimento que ele vinha passando, mesmo acreditando que ele descansou, estou triste! Vai na paz, meu querido! Eternamente, tu serás lembrado! Domingo estaremos no Arruda. Torcendo junto contigo, de corpo, alma e coração, por mais uma vitória do nosso Santa Cruz. Bacalhau,...

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Tem novidade na Minha Cobra
jun14

Tem novidade na Minha Cobra

A turma da Minha Cobra, na qual eu me incluo, está iniciando uma pré-venda dessa camisa aí que está na imagem desta postagem. A ilustração foi um presente do querido amigo Paulo Batista. Paulo é cartunista, nascido em São Paulo e que esteve por aqui no final do mês de maio. Foi ele quem fez aquela arte da camisa que fizemos em homenagem a Chico Science. Pois bem, nessa nova camisa que estamos produzindo, teremos camisas para adultos, inclusive baby looks, e faremos também camisas para gurizada a partir de 8 anos). As camisas serão em malha de algodão. Além da camisa vermelha, teremos também a branca e a camisa preta. A camisa adulto e a baby look custarão R$ 40,00 (quarenta reais) cada. A infantil será R$ 30,00 (trinta reais). Um detalhe, a tiragem será limitada aos pedidos feitos antecipadamente, isto é, serão feitas sobe encomenda. Então, quem quiser adquirir a camisa é entrar em contato com a Minha Cobra e informar o tamanho e a cor. E, lógico, fazer o pagamento. O contato pode ser feito pela nossa página no Facebook ou por nosso Instagram. Ou por um dos seguintes zaps: Esequias Pierre 9.9917-3959;  Claudemir Pereira 9.9718-8408;  Gerrá da Zabumba 9.9976-8985; Robson Sena 9.9985-8597! Um abraço, muito obrigado, de...

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Quem vai?
maio17

Quem vai?

E aí, tu vai? — vou, mas é lógico! — e eu nunca deixei de ir. Sábado tou lá! — meu amigo, pode dar cachorro em trinta, mas sábado eu vou é pro Arruda. É jogo de seis pontos. E pense numa raiva que eu tenho de time da Paraíba! — cinco hora eu tou largando e é direto pro Arruda. Eu vou! — vai eu, a mulher e Netinho! — oxi! E isso é pergunta! Tomo uma de leve na sexta. Acordo cedo no sábado. Dou aquela trepada, depois vou na feira. Meio-dia, começo a calibrar o fígado. Três horas tomo um banho, visto o manto sagrado e me mando. Dois a zero. Carlinhos Paraíba vai fazer o dele. E terça vou de novo! — rapaz… o cabra que não for é mulher do padre! A pessoa só não vai pra um jogo desse em caso de morte ou doença grave. Tem que ir. —  se jogar igual a jogou no segundo tempo contra o Globo, a gente ganha! Eu tou pensando que vai ser 3 a 0. Mas pode ser de meio a zero, o que interessa agora é vencer e garantir os três pontos pra ficar sempre no G-4. Se o Santa embalar não tem quem segure a gente. — eu eu tou doido de não ir? Quem quiser que assista pela televisão. Eu vou é pra o Arruda! — olhe, tem uma turma que reclama quando o time perde, quando empata e quando ganha. Mas agora é apoiar e jogar junto. Tem que ir todo mundo! — tenho um trampo à noite. Mas já desenrolei a parada. Vou pro jogo e de lá corro pra tarefa. — vou fazer a concentração no Posto. De lá pra arquibancada, pertinho do escudo. — lá de casa, são cinco. Vai todo mundo! Até papai se animou. Simbora pro Arruda. — tenho pra mim que Robert vai tirar a inhaca! Estarei lá. — se o Santa Cruz vencer, vai ficar com moral! Eu não vejo nenhum elenco melhor do que o nosso. Tá faltando a gente encaixar. Tou confiante pra sábado. Sim, é claro que eu vou. Lugar de torcedor do Santa Cruz é no Arruda. — quero nem saber quem vai ser o goleiro, o zagueiro e nem o atacante. Eu só sei que vou pro Arruda. É a gente que vai garantir a vitória. Vai ser no grito. — mulher, ah mulher, você não precisa me esperar, eu vou chegar fora de hora, pois hoje o meu Santa vai jogar… Bom, aqui em casa, vamos todos. Samarone também vai. Robson, Marconi, Odilon, Claudemir, Inácio, Esequias, Lukinha, Anízio,...

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